Super Horta



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- Categories: Sem categoriaPublished On: 10/02/2026
Os fornos comunitários são estruturas de cozedura coletivas, geralmente construídas em pedra e aquecidas a lenha, utilizadas pelas comunidades rurais para cozer pão, folar, bolos e outros alimentos essenciais. Ao contrário dos fornos domésticos mais pequenos, estes fornos tinham grande capacidade de armazenamento e serviam várias famílias de uma aldeia ou povoado, refletindo uma prática de partilha de recursos e saberes próprios das sociedades agrárias pré-industriais. Durante largos períodos, o pão foi o alimento básico de subsistência nas comunidades portuguesas, e os fornos comunitários assumiam um papel central na produção desse alimento fundamental. Historicamente, muitos destes equipamentos surgiram em contextos rurais desde a Idade Média até ao início do século XX, quando os fornos privados ainda eram raros ou economicamente dispendiosos em muitas aldeias. A comunidade organizava-se em torno deles: os habitantes preparavam a massa em casa, traziam-na ao forno quando este atingia a temperatura adequada e assavam em conjunto, marcando as peças de pão para identificar a propriedade de cada família. O uso dos fornos comunitários esteve intimamente ligado à agricultura familiar e à produção de cereais como trigo, milho e centeio, cujas farinhas eram transformadas em massa para cozedura coletiva. A cozedura no forno coletivo economizava lenha e reduzia os esforços dispersos em múltiplos fornos particulares, além de reforçar laços sociais e culturais. Com a industrialização, urbanização e disseminação de fornos domésticos a partir do século XX, o uso comunitário desses equipamentos começou a diminuir. Muitos fornos caíram em desuso, tornaram-se ruínas ou foram incorporados em outras construções. Contudo, em certas regiões, a tradição sobrevive em atividades patrimoniais ou festivais culturais, onde a cozedura em forno de lenha é demonstrada como forma de preservar a memória e a identidade local. Na Guarda e na Beira Interior, aldeias como Videmonte mantêm fornos comunitários e realizam festivais locais onde se coordena a cozedura tradicional de pão de centeio, reforçando práticas entre várias gerações. Em Vilar do Boi (Castelo Branco), eventos como a “Rota dos Fornos Comunitários” celebram a tradição de cozer pão, bolos e doces nos fornos locais, preservando o seu uso enquanto elemento vivo do património rural. Estes usos afirmam que, mesmo com o declínio, os fornos comunitários continuam a funcionar como símbolos de identidade cultural e memória coletiva no centro do país, sendo frequentemente integrados em festivais e iniciativas de valorização do património rural. Os fornos comunitários não foram apenas instrumentos técnicos: eram lugares de encontro social, onde saberes, tradições culinárias e histórias de vida se cruzavam. A cozedura coletiva promovia a interação comunitária e transmitia práticas etnográficas e gastronómicas de geração em geração. Em estudos contemporâneos sobre gastronomia e património, práticas como estas são frequentemente analisadas como elementos que articulam memória, território e identidade, posicionando o ato de cozer pão em fornos comunitários não apenas como técnica de produção, mas como parte de um repertório cultural complexo que molda experiências sociais e reforça a coesão comunitária local. Referências Carvalho, D. A. S. (2017). Inventário dos 53 fornos de pão comunitários de Castro [...]
- Categories: Sem categoriaPublished On: 10/02/2026
A Carne Marinhoa DOP afirma-se como uma das expressões mais autênticas da gastronomia portuguesa, reunindo tradição, território e qualidade certificada. Proveniente exclusivamente de bovinos da Raça Marinhoa, esta carne de Denominação de Origem Protegida reflete séculos de saber-fazer associado à região do Baixo Vouga e às áreas envolventes da bacia hidrográfica do Rio Vouga, onde a fertilidade dos solos e a abundância de vegetação natural moldam as suas características únicas. Produzida em regime tradicional, a criação dos animais combina o pastoreio direto nas zonas ribeirinhas com a alimentação “à manjedoura” noutras áreas, recorrendo a forragens locais e subprodutos agrícolas. Este sistema sustentável e enraizado no território está na origem de uma carne de textura firme, ligeiramente húmida, suculenta e de sabor intenso, cuja coloração varia do rosa claro ao vermelho escuro, de acordo com a idade e categoria do animal. A área geográfica da Carne Marinhoa DOP estende-se por diversos concelhos dos distritos de Aveiro e Coimbra, entre os quais Ovar, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Mealhada, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz, consolidando-se como um produto profundamente ligado à identidade rural e económica desta região. Para além do seu valor gastronómico, a Carne Marinhoa assume-se como património cultural, celebrada em pratos tradicionais como assados, grelhados e estufados, e promovida através de iniciativas territoriais, como o Roteiro Gastronómico da Carne Marinhoa, que mobiliza restaurantes e produtores locais, reforçando a notoriedade do produto junto de consumidores e visitantes. Reconhecida pela sua qualidade, a Carne Marinhoa DOP integra o conjunto de produtos portugueses certificados que valorizam as raças autóctones, assim, cada peça de Carne Marinhoa DOP representa não apenas excelência à mesa, mas também a preservação de um território, de uma raça e de uma herança coletiva. Referências Albergaria-Velha apresenta VII Roteiro Gastronómico. Recuperado em https://mundialfm.sapo.pt/albergaria-velha-apresenta-vii-roteiro-gastronomico/ Associação de Criadores de Bovinos da Raça Marinhoa. (s.d.). Carne Marinhoa DOP – identidade e produção - https://carnemarinhoa.pt/ Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. (s.d.). Carne Marinhoa DOP - https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/carne/carne-de-bovino/231-carne-marinhoa-dop
- Categories: Sem categoriaPublished On: 05/02/2026
Conheça os eventos culturais e artísticos em destaque de 28 de janeiro a 2 de fevereiro de 2026. Neste fim-de-semana, a programação cultural da região Centro estende-se por vários concelhos do território, com propostas que atravessam Aveiro, Estarreja, Marinha Grande, Covilhã, Santa Comba Dão, Castelo Branco, Góis, Coimbra e Idanha-a-Nova. Entre espetáculos de teatro e marionetas com práticas inclusivas, concertos comemorativos, criações coreográficas em contexto museológico, música tradicional, projetos de capacitação artística e grandes momentos da música erudita, as sugestões refletem a diversidade de linguagens, públicos e escalas que caracterizam a dinâmica cultural da região. Estas iniciativas evidenciam o papel ativo dos agentes culturais, associações e municípios na valorização da criação artística, do património material e imaterial e do envolvimento das comunidades locais. 📍 Aveiro 28 de janeiro de 2026 | 17h00 Local: Espaço Red Cloud Teatro de Marionetas A Menina que Vendia Fósforos A Red Cloud Teatro de Marionetas apresenta uma sessão especial de A Menina que Vendia Fósforos, com audiodescrição, pensada especificamente para pessoas cegas e amblíopes, afirmando a acessibilidade cultural como dimensão central da criação artística. Inspirado no clássico intemporal, o espetáculo constrói uma narrativa sensível e poética em torno de uma menina que encontra na imaginação um lugar de refúgio face ao frio e à ausência. Através da marioneta, da palavra e do som, esta criação propõe uma experiência íntima e emocional, onde a escuta assume um papel central. Mais informação | Facebook | Instagram 📍 Covilhã 31 de janeiro de 2026 | 17h00 Local: Auditório do Polidesportivo dos Vales do Rio Cantos da Terra O concerto Cantos da Terra apresenta ao público o trabalho das Adufeiras da Casa do Povo do Paul, num momento de celebração da música tradicional enquanto expressão identitária e memória coletiva. Integrada nas dinâmicas culturais do território, esta iniciativa valoriza o património musical associado ao adufe, instrumento emblemático da Beira Interior, dando voz a cantos que atravessam gerações e reforçam o envolvimento comunitário. Facebook 📍 Santa Comba Dão 31 de janeiro de 2026 | 21h30 Local: Igreja Matriz de Santa Comba Dão Lenda de Santa Comba O Coro Magnus D’Om, da Filarmónica de Santa Comba Dão, apresenta em concerto Lenda de Santa Comba, uma cantata original encomendada ao compositor Luís Cardoso, inspirada na lenda fundadora do território. Acompanhada por ensemble de cordas, piano e percussão, a obra cruza criação contemporânea, património imaterial e identidade local, afirmando-se como um encontro coletivo em torno da memória e da comunidade. Facebook | Instagram 📍 Estarreja 31 de janeiro de 2026 | 21h30 Local: Cine-Teatro de Estarreja Concerto Comemorativo do 21.º Aniversário de Elevação de Estarreja a Cidade No âmbito das comemorações do 21.º Aniversário da Elevação de Estarreja a Cidade, a Orquestra Filarmonia das Beiras apresenta um concerto comemorativo sob a direção do maestro Cláudio Ferreira, com a participação especial do contrabaixista Rafael Aguiar. Este momento integra a programação cultural comemorativa do município, valorizando o talento local e a música enquanto expressão coletiva e identitária do território. [...]
- Categories: Sem categoriaPublished On: 10/02/2026
Os fornos comunitários são estruturas de cozedura coletivas, geralmente construídas em pedra e aquecidas a lenha, utilizadas pelas comunidades rurais para cozer pão, folar, bolos e outros alimentos essenciais. Ao contrário dos fornos domésticos mais pequenos, estes fornos tinham grande capacidade de armazenamento e serviam várias famílias de uma aldeia ou povoado, refletindo uma prática de partilha de recursos e saberes próprios das sociedades agrárias pré-industriais. Durante largos períodos, o pão foi o alimento básico de subsistência nas comunidades portuguesas, e os fornos comunitários assumiam um papel central na produção desse alimento fundamental. Historicamente, muitos destes equipamentos surgiram em contextos rurais desde a Idade Média até ao início do século XX, quando os fornos privados ainda eram raros ou economicamente dispendiosos em muitas aldeias. A comunidade organizava-se em torno deles: os habitantes preparavam a massa em casa, traziam-na ao forno quando este atingia a temperatura adequada e assavam em conjunto, marcando as peças de pão para identificar a propriedade de cada família. O uso dos fornos comunitários esteve intimamente ligado à agricultura familiar e à produção de cereais como trigo, milho e centeio, cujas farinhas eram transformadas em massa para cozedura coletiva. A cozedura no forno coletivo economizava lenha e reduzia os esforços dispersos em múltiplos fornos particulares, além de reforçar laços sociais e culturais. Com a industrialização, urbanização e disseminação de fornos domésticos a partir do século XX, o uso comunitário desses equipamentos começou a diminuir. Muitos fornos caíram em desuso, tornaram-se ruínas ou foram incorporados em outras construções. Contudo, em certas regiões, a tradição sobrevive em atividades patrimoniais ou festivais culturais, onde a cozedura em forno de lenha é demonstrada como forma de preservar a memória e a identidade local. Na Guarda e na Beira Interior, aldeias como Videmonte mantêm fornos comunitários e realizam festivais locais onde se coordena a cozedura tradicional de pão de centeio, reforçando práticas entre várias gerações. Em Vilar do Boi (Castelo Branco), eventos como a “Rota dos Fornos Comunitários” celebram a tradição de cozer pão, bolos e doces nos fornos locais, preservando o seu uso enquanto elemento vivo do património rural. Estes usos afirmam que, mesmo com o declínio, os fornos comunitários continuam a funcionar como símbolos de identidade cultural e memória coletiva no centro do país, sendo frequentemente integrados em festivais e iniciativas de valorização do património rural. Os fornos comunitários não foram apenas instrumentos técnicos: eram lugares de encontro social, onde saberes, tradições culinárias e histórias de vida se cruzavam. A cozedura coletiva promovia a interação comunitária e transmitia práticas etnográficas e gastronómicas de geração em geração. Em estudos contemporâneos sobre gastronomia e património, práticas como estas são frequentemente analisadas como elementos que articulam memória, território e identidade, posicionando o ato de cozer pão em fornos comunitários não apenas como técnica de produção, mas como parte de um repertório cultural complexo que molda experiências sociais e reforça a coesão comunitária local. Referências Carvalho, D. A. S. (2017). Inventário dos 53 fornos de pão comunitários de Castro [...]
- Categories: Sem categoriaPublished On: 10/02/2026
A Carne Marinhoa DOP afirma-se como uma das expressões mais autênticas da gastronomia portuguesa, reunindo tradição, território e qualidade certificada. Proveniente exclusivamente de bovinos da Raça Marinhoa, esta carne de Denominação de Origem Protegida reflete séculos de saber-fazer associado à região do Baixo Vouga e às áreas envolventes da bacia hidrográfica do Rio Vouga, onde a fertilidade dos solos e a abundância de vegetação natural moldam as suas características únicas. Produzida em regime tradicional, a criação dos animais combina o pastoreio direto nas zonas ribeirinhas com a alimentação “à manjedoura” noutras áreas, recorrendo a forragens locais e subprodutos agrícolas. Este sistema sustentável e enraizado no território está na origem de uma carne de textura firme, ligeiramente húmida, suculenta e de sabor intenso, cuja coloração varia do rosa claro ao vermelho escuro, de acordo com a idade e categoria do animal. A área geográfica da Carne Marinhoa DOP estende-se por diversos concelhos dos distritos de Aveiro e Coimbra, entre os quais Ovar, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Mealhada, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz, consolidando-se como um produto profundamente ligado à identidade rural e económica desta região. Para além do seu valor gastronómico, a Carne Marinhoa assume-se como património cultural, celebrada em pratos tradicionais como assados, grelhados e estufados, e promovida através de iniciativas territoriais, como o Roteiro Gastronómico da Carne Marinhoa, que mobiliza restaurantes e produtores locais, reforçando a notoriedade do produto junto de consumidores e visitantes. Reconhecida pela sua qualidade, a Carne Marinhoa DOP integra o conjunto de produtos portugueses certificados que valorizam as raças autóctones, assim, cada peça de Carne Marinhoa DOP representa não apenas excelência à mesa, mas também a preservação de um território, de uma raça e de uma herança coletiva. Referências Albergaria-Velha apresenta VII Roteiro Gastronómico. Recuperado em https://mundialfm.sapo.pt/albergaria-velha-apresenta-vii-roteiro-gastronomico/ Associação de Criadores de Bovinos da Raça Marinhoa. (s.d.). Carne Marinhoa DOP – identidade e produção - https://carnemarinhoa.pt/ Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. (s.d.). Carne Marinhoa DOP - https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/carne/carne-de-bovino/231-carne-marinhoa-dop
- Categories: Sem categoriaPublished On: 05/02/2026
Conheça os eventos culturais e artísticos em destaque de 28 de janeiro a 2 de fevereiro de 2026. Neste fim-de-semana, a programação cultural da região Centro estende-se por vários concelhos do território, com propostas que atravessam Aveiro, Estarreja, Marinha Grande, Covilhã, Santa Comba Dão, Castelo Branco, Góis, Coimbra e Idanha-a-Nova. Entre espetáculos de teatro e marionetas com práticas inclusivas, concertos comemorativos, criações coreográficas em contexto museológico, música tradicional, projetos de capacitação artística e grandes momentos da música erudita, as sugestões refletem a diversidade de linguagens, públicos e escalas que caracterizam a dinâmica cultural da região. Estas iniciativas evidenciam o papel ativo dos agentes culturais, associações e municípios na valorização da criação artística, do património material e imaterial e do envolvimento das comunidades locais. 📍 Aveiro 28 de janeiro de 2026 | 17h00 Local: Espaço Red Cloud Teatro de Marionetas A Menina que Vendia Fósforos A Red Cloud Teatro de Marionetas apresenta uma sessão especial de A Menina que Vendia Fósforos, com audiodescrição, pensada especificamente para pessoas cegas e amblíopes, afirmando a acessibilidade cultural como dimensão central da criação artística. Inspirado no clássico intemporal, o espetáculo constrói uma narrativa sensível e poética em torno de uma menina que encontra na imaginação um lugar de refúgio face ao frio e à ausência. Através da marioneta, da palavra e do som, esta criação propõe uma experiência íntima e emocional, onde a escuta assume um papel central. Mais informação | Facebook | Instagram 📍 Covilhã 31 de janeiro de 2026 | 17h00 Local: Auditório do Polidesportivo dos Vales do Rio Cantos da Terra O concerto Cantos da Terra apresenta ao público o trabalho das Adufeiras da Casa do Povo do Paul, num momento de celebração da música tradicional enquanto expressão identitária e memória coletiva. Integrada nas dinâmicas culturais do território, esta iniciativa valoriza o património musical associado ao adufe, instrumento emblemático da Beira Interior, dando voz a cantos que atravessam gerações e reforçam o envolvimento comunitário. Facebook 📍 Santa Comba Dão 31 de janeiro de 2026 | 21h30 Local: Igreja Matriz de Santa Comba Dão Lenda de Santa Comba O Coro Magnus D’Om, da Filarmónica de Santa Comba Dão, apresenta em concerto Lenda de Santa Comba, uma cantata original encomendada ao compositor Luís Cardoso, inspirada na lenda fundadora do território. Acompanhada por ensemble de cordas, piano e percussão, a obra cruza criação contemporânea, património imaterial e identidade local, afirmando-se como um encontro coletivo em torno da memória e da comunidade. Facebook | Instagram 📍 Estarreja 31 de janeiro de 2026 | 21h30 Local: Cine-Teatro de Estarreja Concerto Comemorativo do 21.º Aniversário de Elevação de Estarreja a Cidade No âmbito das comemorações do 21.º Aniversário da Elevação de Estarreja a Cidade, a Orquestra Filarmonia das Beiras apresenta um concerto comemorativo sob a direção do maestro Cláudio Ferreira, com a participação especial do contrabaixista Rafael Aguiar. Este momento integra a programação cultural comemorativa do município, valorizando o talento local e a música enquanto expressão coletiva e identitária do território. [...]
- Categories: Gestão e Organização, Outros documentos, Sem categoriaPublished On: 02/02/2026
Declarações Obrigatórias de 2025 do artigo 15º do LCPA
- Categories: Sem categoriaPublished On: 10/02/2026
Os fornos comunitários são estruturas de cozedura coletivas, geralmente construídas em pedra e aquecidas a lenha, utilizadas pelas comunidades rurais para cozer pão, folar, bolos e outros alimentos essenciais. Ao contrário dos fornos domésticos mais pequenos, estes fornos tinham grande capacidade de armazenamento e serviam várias famílias de uma aldeia ou povoado, refletindo uma prática de partilha de recursos e saberes próprios das sociedades agrárias pré-industriais. Durante largos períodos, o pão foi o alimento básico de subsistência nas comunidades portuguesas, e os fornos comunitários assumiam um papel central na produção desse alimento fundamental. Historicamente, muitos destes equipamentos surgiram em contextos rurais desde a Idade Média até ao início do século XX, quando os fornos privados ainda eram raros ou economicamente dispendiosos em muitas aldeias. A comunidade organizava-se em torno deles: os habitantes preparavam a massa em casa, traziam-na ao forno quando este atingia a temperatura adequada e assavam em conjunto, marcando as peças de pão para identificar a propriedade de cada família. O uso dos fornos comunitários esteve intimamente ligado à agricultura familiar e à produção de cereais como trigo, milho e centeio, cujas farinhas eram transformadas em massa para cozedura coletiva. A cozedura no forno coletivo economizava lenha e reduzia os esforços dispersos em múltiplos fornos particulares, além de reforçar laços sociais e culturais. Com a industrialização, urbanização e disseminação de fornos domésticos a partir do século XX, o uso comunitário desses equipamentos começou a diminuir. Muitos fornos caíram em desuso, tornaram-se ruínas ou foram incorporados em outras construções. Contudo, em certas regiões, a tradição sobrevive em atividades patrimoniais ou festivais culturais, onde a cozedura em forno de lenha é demonstrada como forma de preservar a memória e a identidade local. Na Guarda e na Beira Interior, aldeias como Videmonte mantêm fornos comunitários e realizam festivais locais onde se coordena a cozedura tradicional de pão de centeio, reforçando práticas entre várias gerações. Em Vilar do Boi (Castelo Branco), eventos como a “Rota dos Fornos Comunitários” celebram a tradição de cozer pão, bolos e doces nos fornos locais, preservando o seu uso enquanto elemento vivo do património rural. Estes usos afirmam que, mesmo com o declínio, os fornos comunitários continuam a funcionar como símbolos de identidade cultural e memória coletiva no centro do país, sendo frequentemente integrados em festivais e iniciativas de valorização do património rural. Os fornos comunitários não foram apenas instrumentos técnicos: eram lugares de encontro social, onde saberes, tradições culinárias e histórias de vida se cruzavam. A cozedura coletiva promovia a interação comunitária e transmitia práticas etnográficas e gastronómicas de geração em geração. Em estudos contemporâneos sobre gastronomia e património, práticas como estas são frequentemente analisadas como elementos que articulam memória, território e identidade, posicionando o ato de cozer pão em fornos comunitários não apenas como técnica de produção, mas como parte de um repertório cultural complexo que molda experiências sociais e reforça a coesão comunitária local. Referências Carvalho, D. A. S. (2017). Inventário dos 53 fornos de pão comunitários de Castro [...]
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A Carne Marinhoa DOP afirma-se como uma das expressões mais autênticas da gastronomia portuguesa, reunindo tradição, território e qualidade certificada. Proveniente exclusivamente de bovinos da Raça Marinhoa, esta carne de Denominação de Origem Protegida reflete séculos de saber-fazer associado à região do Baixo Vouga e às áreas envolventes da bacia hidrográfica do Rio Vouga, onde a fertilidade dos solos e a abundância de vegetação natural moldam as suas características únicas. Produzida em regime tradicional, a criação dos animais combina o pastoreio direto nas zonas ribeirinhas com a alimentação “à manjedoura” noutras áreas, recorrendo a forragens locais e subprodutos agrícolas. Este sistema sustentável e enraizado no território está na origem de uma carne de textura firme, ligeiramente húmida, suculenta e de sabor intenso, cuja coloração varia do rosa claro ao vermelho escuro, de acordo com a idade e categoria do animal. A área geográfica da Carne Marinhoa DOP estende-se por diversos concelhos dos distritos de Aveiro e Coimbra, entre os quais Ovar, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Mealhada, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz, consolidando-se como um produto profundamente ligado à identidade rural e económica desta região. Para além do seu valor gastronómico, a Carne Marinhoa assume-se como património cultural, celebrada em pratos tradicionais como assados, grelhados e estufados, e promovida através de iniciativas territoriais, como o Roteiro Gastronómico da Carne Marinhoa, que mobiliza restaurantes e produtores locais, reforçando a notoriedade do produto junto de consumidores e visitantes. Reconhecida pela sua qualidade, a Carne Marinhoa DOP integra o conjunto de produtos portugueses certificados que valorizam as raças autóctones, assim, cada peça de Carne Marinhoa DOP representa não apenas excelência à mesa, mas também a preservação de um território, de uma raça e de uma herança coletiva. Referências Albergaria-Velha apresenta VII Roteiro Gastronómico. Recuperado em https://mundialfm.sapo.pt/albergaria-velha-apresenta-vii-roteiro-gastronomico/ Associação de Criadores de Bovinos da Raça Marinhoa. (s.d.). Carne Marinhoa DOP – identidade e produção - https://carnemarinhoa.pt/ Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. (s.d.). Carne Marinhoa DOP - https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/carne/carne-de-bovino/231-carne-marinhoa-dop
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