A excelência dos Queijos Tradicionais na região Centro

A excelência dos Queijos Tradicionais na região Centro

Published On: 01/04/2026Last Updated: 01/04/2026
Published On: 01/04/2026Last Updated: 01/04/2026

Enquadra-se na missão da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro) a valorização e promoção dos Produtos Tradicionais de Qualidade. A promoção destes produtos não se limita à sua dimensão gastronómica: envolve a salvaguarda de sistemas produtivos tradicionais, a dinamização das economias rurais, a preservação da biodiversidade e a afirmação da identidade territorial.

No contexto agroalimentar da Região Centro, o mês de março representa um momento particularmente relevante para os queijos tradicionais, sobretudo os de ovelha e de cabra, devido à estreita ligação entre qualidade do produto, ciclo biológico dos animais e ritmo sazonal das pastagens. A produção leiteira ovina e caprina em Portugal tem maior expressão entre o outono e a primavera, período que coincide com a fase de maior disponibilidade de ervas espontâneas e pastagens naturais, favorecidas pelas chuvas e temperaturas moderadas do inverno. Em março, verifica-se, portanto, uma conjugação entre abundância e qualidade do leite e o momento ideal de maturação de muitos queijos produzidos nos meses anteriores.

O Queijo Serra da Estrela DOP, elaborado com leite cru de ovelhas das raças Bordaleira Serra da Estrela e Churra Mondegueira e coagulado com cardo (Cynara cardunculus), encontra neste período condições particularmente favoráveis. O leite produzido durante o inverno apresenta características organoléticas marcadas pela riqueza aromática das pastagens naturais, refletindo-se numa pasta amanteigada, de textura cremosa e sabor intenso, mas equilibrado. O Requeijão Serra da Estrela DOP, obtido a partir do soro resultante da produção do queijo curado, beneficia igualmente da maior intensidade produtiva da época, apresentando textura delicada e sabor fresco, frequentemente associado ao consumo simples ou acompanhado de mel regional.

Também o Queijo da Beira Baixa DOP, que pode apresentar diferentes tipologias (de ovelha, de cabra ou de mistura), ganha especial expressão neste período. Produzido com leite cru e igualmente coagulado com cardo nas versões de ovelha e mistura, apresenta em março um equilíbrio notório entre cura e intensidade aromática. A maturação ocorrida durante os meses frios favorece o desenvolvimento de sabores persistentes e de textura firme, mas ainda com alguma elasticidade nas versões menos curadas. O Requeijão da Beira Baixa DOP, à semelhança do seu congénere serrano, está diretamente dependente do volume de produção do queijo curado, sendo março um mês de oferta significativa e qualidade consistente.

O Queijo Rabaçal DOP, produzido a partir de mistura de leites de ovelha e cabra na zona de Sicó e Ansião, apresenta igualmente em março condições ideais de consumo. A conjugação dos dois leites confere-lhe perfil aromático complexo e ligeiramente acidulado, que se expressa plenamente após maturação realizada em ambiente fresco e húmido, típico do inverno da região. A proximidade da primavera favorece ainda a qualidade do leite caprino, intensificando as notas características deste queijo.

A par dos produtos com Denominação de Origem Protegida, importa valorizar queijos tradicionais como o Queijo de Cabra das Beiras e o Queijo de Cabra do Pinhal Maior, cuja produção sazonal acompanha o ciclo natural das explorações caprinas e contribui para a sustentabilidade económica de territórios de baixa densidade.

Para além da dimensão produtiva, importa considerar o enquadramento cultural do mês. Março integra frequentemente o período da Quaresma e antecede a Páscoa, momentos em que os produtos regionais assumem protagonismo nas mesas familiares. Embora o consumo de carne possa ser tradicionalmente moderado neste período, os queijos mantêm presença constante, quer como alimento autónomo, quer integrados em refeições festivas ou em composições gastronómicas mais simples.

Ao divulgar estes produtos no mês de março, a CCDR Centro reforça a sua missão de promover cadeias curtas de comercialização, incentivar o consumo informado e valorizar sistemas produtivos que respeitam práticas tradicionais e normas de qualidade certificada. Esta estratégia contribui não só para a competitividade regional, mas também para a coesão territorial e a preservação do património imaterial associado às práticas pastorícias.

Referências

Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/

Parlamento Europeu & Conselho da União Europeia. (2012). Regulamento (UE) n.º 1151/2012 relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios. EUR-Lex.

Queijos Centro de Portugal. Programa de Valorização da Fileira do Queijo da Região Centro. https://www.queijoscentrodeportugal.pt/