Arte de Esteiras e Cestaria de Oiã: Um saber-fazer ligado à terra, à água e à vida rural do Centro de Portugal

Arte de Esteiras e Cestaria de Oiã: Um saber-fazer ligado à terra, à água e à vida rural do Centro de Portugal

Published On: 17/09/2026Last Updated: 17/09/2026
Published On: 17/09/2026Last Updated: 17/09/2026

Em Oiã, no concelho de Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro, permanece a memória de um conjunto de práticas artesanais associado ao quotidiano rural da região: a arte de fazer esteiras e a cestaria.

As esteiras eram tradicionalmente produzidas em bunho, matéria-prima vegetal recolhida nos pântanos. Segundo a documentação reunida no âmbito do projeto, esta atividade era realizada por mulheres e as esteiras tinham diferentes utilizações no quotidiano, nomeadamente nas camas dos trabalhadores e para cobrir o milho. A prática inscrevia-se, assim, numa economia doméstica e rural em que os recursos disponíveis no território eram transformados em objetos destinados a usos concretos.

A cestaria respondia, por sua vez, a necessidades associadas aos trabalhos do campo. Os cestos eram utilizados, em particular, durante as vindimas. Entre os formatos identificados na tradição local encontram-se o cesto de aro, o canastro e o cesto poceiro, designações que fazem parte do vocabulário associado à cestaria tradicional da região.

Esta produção artesanal relaciona-se com a paisagem rural de Oiã e do território envolvente, onde as atividades agrícolas e a utilização de recursos vegetais contribuíram para o desenvolvimento de diferentes formas de artesanato. O Silveiro, lugar pertencente à freguesia de Oiã, constitui um dos espaços onde esta tradição ficou particularmente associada à transformação do bunho em esteiras. A documentação sobre a localidade regista a continuidade desta prática artesanal, embora em menor escala, e assinala a existência de estruturas domésticas tradicionalmente destinadas ao trabalho do bunho.

A tradição das esteiras e da cestaria insere-se, assim, numa cultura material construída a partir dos recursos disponíveis no território e das necessidades das comunidades. Estes objetos não constituíam apenas utensílios: envolviam conhecimentos relativos à obtenção e preparação da matéria-prima, às técnicas de transformação e à produção de peças adequadas a diferentes tarefas do quotidiano rural.

Ao longo do tempo, a transformação das atividades agrícolas e das formas de vida contribuiu para o declínio de vários dos usos tradicionais destes objetos e para a redução das atividades artesanais que lhes estavam associadas. No concelho de Oliveira do Bairro, fontes locais continuam a identificar a cestaria e a fabricação de esteiras de bunho entre as formas de artesanato tradicional ligadas às atividades rurais.

Conhecer a Arte de Esteiras e Cestaria de Oiã é, por isso, conhecer uma parte da cultura material e da memória social de Oliveira do Bairro e da Região Centro. É compreender como matérias-primas disponíveis no território foram transformadas, através de técnicas transmitidas entre gerações, em objetos destinados ao trabalho e à vida quotidiana.

Valorizar esta tradição passa por documentá-la, divulgá-la e criar condições para a transmissão dos conhecimentos associados às técnicas e aos materiais. A salvaguarda de um saber-fazer desta natureza não depende apenas da conservação dos objetos produzidos, mas também da continuidade dos conhecimentos, das práticas e das relações com o território que lhes dão significado. Esta preocupação está de acordo com os objetivos do próprio projeto TERPAT e com a estratégia da Direção Regional de Cultura do Centro para a documentação, salvaguarda e valorização do património cultural imaterial.

Em Oiã, o património também se faz com fibras, mãos e memória.

Referências

Câmara Municipal de Oliveira do Bairro. Oliveira do Bairro. Viver no Centro de Portugal.

Direção Regional de Cultura do Centro. (2023). Saber ser. Saber fazer: O património cultural imaterial da Região Centro. Direção Regional de Cultura do Centro.