Um fosso escondido há séculos revela novos dados sobre a Vila do Sabugal
Uma sondagem arqueológica realizada no âmbito da requalificação de uma habitação na Rua do Castelo, no Centro Histórico do Sabugal, permitiu identificar um fosso defensivo associado à cerca da antiga vila. Escavada diretamente no substrato rochoso, a estrutura apresenta um perfil em “V”, com cerca de 2,50 metros de profundidade e uma abertura máxima de 3,50 metros.
A descoberta surgiu num local onde a presença desta estrutura não era esperada.
“Tratou-se de uma descoberta que nos causou alguma surpresa”, explicaram os arqueólogos Marcos Osório e Paulo Pernadas, do Gabinete de Arqueologia e Museologia da Câmara Municipal do Sabugal.
A surpresa deveu-se, sobretudo, ao facto de o fosso se encontrar relativamente afastado do castelo e numa área que, pela elevada pendente da encosta voltada para o vale do rio Côa, apresenta já condições naturais de defesa.
Apesar da localização inesperada, existia uma pista histórica para a possível presença de um fosso. Em 1509, Duarte d’Armas representou, no Livro das Fortalezas, junto ao pano exterior da muralha, uma linha horizontal que poderá assinalar a existência de um fosso associado à barbacã da cerca da vila.
Da sondagem à descoberta
A sondagem de diagnóstico começou por ocupar uma área de dois por dois metros. A identificação de um grande empedrado levou, no entanto, ao seu alargamento para poente.
A poucos centímetros da superfície surgiu o substrato rochoso. À medida que os trabalhos avançaram, os arqueólogos verificaram que a rocha apresentava uma inclinação em direção ao interior da sondagem, levantando a hipótese da existência de uma estrutura escavada no terreno.
Foi necessário ampliar novamente a área intervencionada para procurar a extremidade oposta da depressão. A identificação de um novo desnível no substrato rochoso, formando uma superfície inclinada e simétrica, permitiu confirmar a presença do fosso.
O seu interior encontrava-se preenchido por uma grande concentração de pedras, sobretudo de xisto, mas também de granito, algumas de grandes dimensões. Foram igualmente identificados fragmentos de telha e de cerâmica de cronologia moderna, sobretudo nos níveis mais superficiais.
Os dados recolhidos indicam que o enchimento do fosso terá ocorrido progressivamente. Algumas das pedras de maiores dimensões poderão ter sido lançadas deliberadamente para o seu interior, embora não seja possível determinar se pertenciam à antiga barbacã, entretanto desaparecida, ou se provinham de outras construções demolidas nas proximidades.
Quando perdeu a sua função defensiva, o fosso tornou-se obsoleto. A sua colmatação poderá ter respondido à necessidade de eliminar um risco para quem habitava esta zona ou de criar espaços destinados à circulação ou ao cultivo.
Um obstáculo com 2,50 metros de profundidade
A conclusão da escavação permitiu conhecer melhor a configuração desta estrutura defensiva.
Com um perfil em “V”, cerca de 2,50 metros de profundidade e 3,50 metros de abertura máxima, o fosso foi escavado diretamente na rocha. As paredes laterais apresentam uma inclinação acentuada em direção ao fundo, tornando a base mais estreita do que a abertura à superfície.
Esta configuração fazia do fosso um obstáculo físico significativo à aproximação e à transposição da linha exterior de defesa da vila.
Quanto à sua cronologia, os elementos atualmente disponíveis permitem admitir, com alguma probabilidade, que a abertura do fosso terá ocorrido entre o final do século XV e os primeiros anos do século XVI.
Este período corresponde a uma fase de reforço e modernização das estruturas defensivas das praças de fronteira, particularmente durante o reinado de D. Manuel I.
Conhecer para salvaguardar
Para além de acrescentar novos dados ao conhecimento sobre o sistema defensivo do Sabugal, a descoberta evidencia a importância das intervenções arqueológicas realizadas no âmbito de projetos públicos e privados em centros históricos e nas proximidades de monumentos classificados.
São trabalhos que podem revelar estruturas que permaneceram durante séculos ocultas sob espaços entretanto ocupados e transformados.
Como sublinham os arqueólogos Marcos Osório e Paulo Pernadas, “estes trabalhos podem contribuir para o conhecimento e salvaguarda de estruturas arqueológicas”.
O fosso defensivo do Sabugal é um exemplo de como uma intervenção localizada pode acrescentar novas informações à leitura histórica de um território e demonstrar a importância da arqueologia na identificação, documentação e salvaguarda do património.
Conhecer o que permanece sob os lugares que habitamos é também uma forma de compreender melhor a sua história e contribuir para a sua proteção.
A descoberta é abordada de forma mais aprofundada por Paulo Pernadas no artigo Contributos para o estudo dos fossos defensivos dos castelos do Sabugal e Alfaiates (Séc. XVI), publicado em 2025 no n.º 15 da Sabucale – Revista do Museu do Sabugal.
Fotografias: Câmara Municipal do Sabugal
Um fosso escondido há séculos revela novos dados sobre a Vila do Sabugal
Um fosso escondido há séculos revela novos dados sobre a Vila do Sabugal
Uma sondagem arqueológica realizada no âmbito da requalificação de uma habitação na Rua do Castelo, no Centro Histórico do Sabugal, permitiu identificar um fosso defensivo associado à cerca da antiga vila. Escavada diretamente no substrato rochoso, a estrutura apresenta um perfil em “V”, com cerca de 2,50 metros de profundidade e uma abertura máxima de 3,50 metros.
A descoberta surgiu num local onde a presença desta estrutura não era esperada.
“Tratou-se de uma descoberta que nos causou alguma surpresa”, explicaram os arqueólogos Marcos Osório e Paulo Pernadas, do Gabinete de Arqueologia e Museologia da Câmara Municipal do Sabugal.
A surpresa deveu-se, sobretudo, ao facto de o fosso se encontrar relativamente afastado do castelo e numa área que, pela elevada pendente da encosta voltada para o vale do rio Côa, apresenta já condições naturais de defesa.
Apesar da localização inesperada, existia uma pista histórica para a possível presença de um fosso. Em 1509, Duarte d’Armas representou, no Livro das Fortalezas, junto ao pano exterior da muralha, uma linha horizontal que poderá assinalar a existência de um fosso associado à barbacã da cerca da vila.
Da sondagem à descoberta
A sondagem de diagnóstico começou por ocupar uma área de dois por dois metros. A identificação de um grande empedrado levou, no entanto, ao seu alargamento para poente.
A poucos centímetros da superfície surgiu o substrato rochoso. À medida que os trabalhos avançaram, os arqueólogos verificaram que a rocha apresentava uma inclinação em direção ao interior da sondagem, levantando a hipótese da existência de uma estrutura escavada no terreno.
Foi necessário ampliar novamente a área intervencionada para procurar a extremidade oposta da depressão. A identificação de um novo desnível no substrato rochoso, formando uma superfície inclinada e simétrica, permitiu confirmar a presença do fosso.
O seu interior encontrava-se preenchido por uma grande concentração de pedras, sobretudo de xisto, mas também de granito, algumas de grandes dimensões. Foram igualmente identificados fragmentos de telha e de cerâmica de cronologia moderna, sobretudo nos níveis mais superficiais.
Os dados recolhidos indicam que o enchimento do fosso terá ocorrido progressivamente. Algumas das pedras de maiores dimensões poderão ter sido lançadas deliberadamente para o seu interior, embora não seja possível determinar se pertenciam à antiga barbacã, entretanto desaparecida, ou se provinham de outras construções demolidas nas proximidades.
Quando perdeu a sua função defensiva, o fosso tornou-se obsoleto. A sua colmatação poderá ter respondido à necessidade de eliminar um risco para quem habitava esta zona ou de criar espaços destinados à circulação ou ao cultivo.
Um obstáculo com 2,50 metros de profundidade
A conclusão da escavação permitiu conhecer melhor a configuração desta estrutura defensiva.
Com um perfil em “V”, cerca de 2,50 metros de profundidade e 3,50 metros de abertura máxima, o fosso foi escavado diretamente na rocha. As paredes laterais apresentam uma inclinação acentuada em direção ao fundo, tornando a base mais estreita do que a abertura à superfície.
Esta configuração fazia do fosso um obstáculo físico significativo à aproximação e à transposição da linha exterior de defesa da vila.
Quanto à sua cronologia, os elementos atualmente disponíveis permitem admitir, com alguma probabilidade, que a abertura do fosso terá ocorrido entre o final do século XV e os primeiros anos do século XVI.
Este período corresponde a uma fase de reforço e modernização das estruturas defensivas das praças de fronteira, particularmente durante o reinado de D. Manuel I.
Conhecer para salvaguardar
Para além de acrescentar novos dados ao conhecimento sobre o sistema defensivo do Sabugal, a descoberta evidencia a importância das intervenções arqueológicas realizadas no âmbito de projetos públicos e privados em centros históricos e nas proximidades de monumentos classificados.
São trabalhos que podem revelar estruturas que permaneceram durante séculos ocultas sob espaços entretanto ocupados e transformados.
Como sublinham os arqueólogos Marcos Osório e Paulo Pernadas, “estes trabalhos podem contribuir para o conhecimento e salvaguarda de estruturas arqueológicas”.
O fosso defensivo do Sabugal é um exemplo de como uma intervenção localizada pode acrescentar novas informações à leitura histórica de um território e demonstrar a importância da arqueologia na identificação, documentação e salvaguarda do património.
Conhecer o que permanece sob os lugares que habitamos é também uma forma de compreender melhor a sua história e contribuir para a sua proteção.
A descoberta é abordada de forma mais aprofundada por Paulo Pernadas no artigo Contributos para o estudo dos fossos defensivos dos castelos do Sabugal e Alfaiates (Séc. XVI), publicado em 2025 no n.º 15 da Sabucale – Revista do Museu do Sabugal.
Fotografias: Câmara Municipal do Sabugal
Uma sondagem arqueológica realizada no âmbito da requalificação de uma habitação na Rua do Castelo, no Centro Histórico do Sabugal, permitiu identificar um fosso defensivo associado à cerca da antiga vila. Escavada diretamente no substrato rochoso, a estrutura apresenta um perfil em “V”, com cerca de 2,50 metros de profundidade e uma abertura máxima de 3,50 metros.
A descoberta surgiu num local onde a presença desta estrutura não era esperada.
“Tratou-se de uma descoberta que nos causou alguma surpresa”, explicaram os arqueólogos Marcos Osório e Paulo Pernadas, do Gabinete de Arqueologia e Museologia da Câmara Municipal do Sabugal.
A surpresa deveu-se, sobretudo, ao facto de o fosso se encontrar relativamente afastado do castelo e numa área que, pela elevada pendente da encosta voltada para o vale do rio Côa, apresenta já condições naturais de defesa.
Apesar da localização inesperada, existia uma pista histórica para a possível presença de um fosso. Em 1509, Duarte d’Armas representou, no Livro das Fortalezas, junto ao pano exterior da muralha, uma linha horizontal que poderá assinalar a existência de um fosso associado à barbacã da cerca da vila.
Da sondagem à descoberta
A sondagem de diagnóstico começou por ocupar uma área de dois por dois metros. A identificação de um grande empedrado levou, no entanto, ao seu alargamento para poente.
A poucos centímetros da superfície surgiu o substrato rochoso. À medida que os trabalhos avançaram, os arqueólogos verificaram que a rocha apresentava uma inclinação em direção ao interior da sondagem, levantando a hipótese da existência de uma estrutura escavada no terreno.
Foi necessário ampliar novamente a área intervencionada para procurar a extremidade oposta da depressão. A identificação de um novo desnível no substrato rochoso, formando uma superfície inclinada e simétrica, permitiu confirmar a presença do fosso.
O seu interior encontrava-se preenchido por uma grande concentração de pedras, sobretudo de xisto, mas também de granito, algumas de grandes dimensões. Foram igualmente identificados fragmentos de telha e de cerâmica de cronologia moderna, sobretudo nos níveis mais superficiais.
Os dados recolhidos indicam que o enchimento do fosso terá ocorrido progressivamente. Algumas das pedras de maiores dimensões poderão ter sido lançadas deliberadamente para o seu interior, embora não seja possível determinar se pertenciam à antiga barbacã, entretanto desaparecida, ou se provinham de outras construções demolidas nas proximidades.
Quando perdeu a sua função defensiva, o fosso tornou-se obsoleto. A sua colmatação poderá ter respondido à necessidade de eliminar um risco para quem habitava esta zona ou de criar espaços destinados à circulação ou ao cultivo.
Um obstáculo com 2,50 metros de profundidade
A conclusão da escavação permitiu conhecer melhor a configuração desta estrutura defensiva.
Com um perfil em “V”, cerca de 2,50 metros de profundidade e 3,50 metros de abertura máxima, o fosso foi escavado diretamente na rocha. As paredes laterais apresentam uma inclinação acentuada em direção ao fundo, tornando a base mais estreita do que a abertura à superfície.
Esta configuração fazia do fosso um obstáculo físico significativo à aproximação e à transposição da linha exterior de defesa da vila.
Quanto à sua cronologia, os elementos atualmente disponíveis permitem admitir, com alguma probabilidade, que a abertura do fosso terá ocorrido entre o final do século XV e os primeiros anos do século XVI.
Este período corresponde a uma fase de reforço e modernização das estruturas defensivas das praças de fronteira, particularmente durante o reinado de D. Manuel I.
Conhecer para salvaguardar
Para além de acrescentar novos dados ao conhecimento sobre o sistema defensivo do Sabugal, a descoberta evidencia a importância das intervenções arqueológicas realizadas no âmbito de projetos públicos e privados em centros históricos e nas proximidades de monumentos classificados.
São trabalhos que podem revelar estruturas que permaneceram durante séculos ocultas sob espaços entretanto ocupados e transformados.
Como sublinham os arqueólogos Marcos Osório e Paulo Pernadas, “estes trabalhos podem contribuir para o conhecimento e salvaguarda de estruturas arqueológicas”.
O fosso defensivo do Sabugal é um exemplo de como uma intervenção localizada pode acrescentar novas informações à leitura histórica de um território e demonstrar a importância da arqueologia na identificação, documentação e salvaguarda do património.
Conhecer o que permanece sob os lugares que habitamos é também uma forma de compreender melhor a sua história e contribuir para a sua proteção.
A descoberta é abordada de forma mais aprofundada por Paulo Pernadas no artigo Contributos para o estudo dos fossos defensivos dos castelos do Sabugal e Alfaiates (Séc. XVI), publicado em 2025 no n.º 15 da Sabucale – Revista do Museu do Sabugal.
Fotografias: Câmara Municipal do Sabugal





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