Pêra de São Bartolomeu
Pêra de São Bartolomeu
“Pêra de São Bartolomeu”, também conhecido como “Pêra Passa de Viseu” ou “Presuntinhos de Viseu”, é um fruto secado proveniente da variedade de pereira cuja maturação coincide com o dia de São Bartolomeu, celebrado a 24 de agosto. Trata-se de um produto regional, associado aos concelhos de Tábua, Oliveira do Hospital, Seia, Nelas e Carregal do Sal, contudo o nome deriva do local de venda que era, sobretudo, em Viseu durante a Feira Franca, antigamente realizada na segunda quinzena de setembro. Aliás, como referiu Vieira da Natividade: «As aldeias circunvizinhas de Viseu trazem à feira franca da cidade muitas toneladas de pêra passada e é dali que se abastece todo o país.»
Por tradição, a preparação deste produto realiza-se com uma secagem exclusivamente ao sol: «O fruto é colhido à mão e com vara antes da maturação fisiológica, ainda rijo, durante o mês de agosto. Mais maduro, dá passas mais escuras, mas também mais doces e macias. Muito maduro, rende pouco e deforma-se – não dá boa liga, escangalha-se à espalma. O processo de preparação assenta em descascar o fruto à mão, com faca ou navalha, depois colocam-se, a acerejar, em eiras de granito, sobre palha de centeio, ou nas próprias lajes em que a seca é mais rápida, durante quatro a seis dias, voltando-se uma vez quanto muito. De seguida colocam-se as pêras em caixas de madeira ou nas canastras usadas na colheita, os cestos “barreleiros”, que se cobrem com mantas e são guardados à sombra. É de boa praxe fazer o encaixotamento à hora mais quente do dia. A humidade e o calor, acumulados sob as mantas, amolecem consideravelmente a polpa, tornando-a plástica, sob pressão, sem estalar.» (Castilho, p.10).
No dia seguinte os frutos estão em condições de ser espalmados com a espalmadeira. Trata-se de um instrumento formado por duas peças de madeira, retangulares ou em forma de palmatória, ligadas nos topos por um pedaço de couro. Entre as duas peças comprime-se um fruto de cada vez, de modo a dar-lhe a forma achatada, tão característica, de presunto.
Assim, a Pêra de São Bartolomeu não é apenas um produto alimentar, mas também um testemunho vivo do saber-fazer tradicional da região Centro. Mais do que um fruto secado, representa uma herança cultural que une gerações e continua a merecer destaque nas feiras, mercados e mesas portuguesas.
Referências
Almeida, R. (2024) – Projeto para a implementação de um pomar de pereiras S. Bartolomeu para produção de Pera Passa e sua unidade de transformação, Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa, Lisboa.
Castilho, A. (1932) – “A Pêra Passa de Vizeu”, Boletim nº7 – Série A, 5ªDivisão, Estudos Culturais, Estação Agrária Central, Lisboa.
https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/frutos-secos-secados-e-similares/332-pera-de-s-bartolomeu
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