Os municípios de Coimbra e de Aveiro continuam a destacar-se no indicador do poder de compra per capita, ocupando, respetivamente, a sétima e a oitava posição no ranking dos 308 municípios portugueses. Coimbra foi ainda o município da região que concentrou a maior percentagem de poder de compra do país (12.ª posição no contexto nacional). Estas são algumas das conclusões da 12.ª edição do Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio relativo a 2015, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Este estudo, que visa caracterizar os municípios portugueses do ponto de vista do poder de compra manifestado nos territórios, numa aceção ampla de bem-estar material, pode ser consultado em goo.gl/Anrars

Este estudo visa caracterizar os municípios portugueses do ponto de vista do poder de compra manifestado nos territórios, numa aceção ampla de bem-estar material. Os dados disponibilizados, nesta edição, derivam de um modelo de análise fatorial a partir de 16 variáveis (relativizadas pela população residente) e resultam em três indicadores: Indicador per Capita (IpC), Percentagem de Poder de Compra (PPC) e Fator Dinamismo Relativo (FDR). Na construção destes indicadores foram consideradas variáveis como o rendimento bruto declarado para efeitos de IRS, o valor dos levantamentos nacionais e internacionais em caixas automáticos, o crédito à habitação concedido, o número de veículos ligeiros de passageiros vendidos, o valor dos contratos de compra e venda dos prédios urbanos, as diversas tipologias de impostos, entre outras.

O Indicador do Poder de Compra per Capita (IpC) pretende refletir o poder de compra manifestado regularmente, em termos per capita, nos diferentes municípios ou regiões, tendo por referência o valor de Portugal. Os resultados deste indicador apontam para um território nacional assimétrico. Apenas na região NUTS II Área Metropolitana de Lisboa se verificavam níveis de poder de compra per capita superior à média nacional (100), dado que, em contraponto, as restantes seis regiões do país apresentavam níveis de poder de compra manifestado aquém daquela média. De acordo com os dados relativos a 2015, o Centro é a região com o nível de poder de compra mais baixo do Continente, evidenciando uma posição apenas mais favorável do que a observada nas regiões autónomas (situação idêntica à ocorrida nas duas edições anteriores deste estudo).

Indicador per Capita por NUTS II, 2015

 

Em termos das assimetrias intra-regionais e à semelhança da última edição deste estudo, nenhuma das sub-regiões NUTS III do Centro registou valores superiores à média nacional (situação que apenas ocorreu nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto). Ainda assim, as quatro sub-regiões localizadas no litoral (Região de Aveiro, Região de Coimbra, Região de Leiria e Oeste) verificaram os maiores níveis de poder de compra, ultrapassando o valor médio regional. Por contraste, as outras quatro NUTS III atingiram níveis do poder de compra abaixo da média do território regional: Médio Tejo, Beira Baixa, Viseu Dão Lafões e Beiras e Serra da Estrela. Esta última sub-região apresentou um poder de compra inferior a 80% do valor médio de Portugal, assumindo um dos quatro menores valores registados pelas NUTS III do país em termos de IpC.

Indicador per Capita nas NUTS III da Região Centro, 2015

Relativamente à distribuição do IpC por municípios, dos 308 municípios portugueses, apenas 33 se encontravam acima da média nacional. No caso da Região Centro, só cinco municípios superavam, simultaneamente, o valor da média nacional e regional: Coimbra (131,54), Aveiro (125,13), Sobral de Monte Agraço (103,09), Entroncamento (103,06) e Leiria (102,92). Coimbra e Aveiro ocupavam a sétima e oitava posição no ranking dos municípios com maior poder de compra do país, enquanto Sobral de Monte Agraço, Entroncamento e Leiria se encontravam, respetivamente, nas posições 26.ª à 28.ª. É ainda de referir que dos restantes 95 municípios da região que registavam valores abaixo da média de Portugal, 13 posicionavam-se, ainda assim, acima da média regional.
Em termos nacionais foi o município de Lisboa que apresentou o IpC mais elevado (214,5), o qual mais do que duplicou o índice nacional. Seguiram-se os municípios do Porto e de Oeiras, com um IpC superior a 150. Também posicionados acima da média nacional encontravam-se 13 dos 18 municípios capitais de distrito, dos quais três (Coimbra, Aveiro e Leiria) pertencem à Região Centro. Esta distribuição aponta para uma relação positiva entre o grau de urbanização dos municípios e o poder de compra neles manifestado diariamente.
Já os municípios com menor poder de compra per capita manifestado no território nacional, foram Ponta do Sol (na R.A. da Madeira), Tabuaço, Celorico de Basto e Cinfães (situados na Região Norte), com valores do IpC não superiores a 56. Na Região Centro, os municípios menos bem posicionados foram Penalva do Castelo (58,59), Fornos de Algodres (59,56) e Penamacor (59,94), ocupando as posições 299.ª, 296.ª e 293.ª, respetivamente.

Indicador per Capita, 2015


Região Centro com mais de 10% do poder de compra nacional concentrado nas sub-regiões do litoral

O indicador Percentagem de Poder de Compra (PPC) deriva do IpC e do peso demográfico de cada unidade territorial. Este pretende avaliar o grau de concentração do poder de compra nacional através do peso do poder de compra de cada território no total do país (100%). Segundo este indicador, a Região Centro concentrava 19,4% do poder de compra nacional, sendo que cerca de 13% estava localizado apenas nas quatro sub-regiões do litoral: Região de Aveiro, Região de Coimbra, Região de Leiria e Oeste. Dos municípios da região, Coimbra e Leiria foram os que evidenciaram a maior percentagem de poder de compra no total nacional (1,7% e 1,3%, respetivamente), situando-se nas 12.ª e 19.ª posições no ranking dos 308 municípios portugueses.
As regiões NUTS II Área Metropolitana de Lisboa e Norte concentravam dois terços do poder de compra nacional, com, respetivamente, quatro (Lisboa, Sintra, Oeiras e Cascais) e três (Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos) municípios a representarem, em conjunto, mais de um quarto do poder de compra do país e individualmente mais de 2% desse valor.
Com menores contributos encontravam-se, em termos intra-regionais, as sub-regiões Alto Tâmega (Região Norte) e Beira Baixa (Região Centro) e, a nível municipal, os municípios de Corvo, Laje das Flores, Barrancos e Porto Moniz (com um peso inferior a 0,015% no total do poder de compra do país). Na Região Centro, Castanheira de Pera era o município com a percentagem mais reduzida de poder de compra no total nacional (0,019%). Os resultados deste indicador sugerem assim, um poder de compra territorialmente muito concentrado.

Indicador Percentagem de Poder de Compra (PPC), 2015

Nazaré e Óbidos foram os municípios onde o efeito sazonal da atividade turística teve maior influência no poder de compra

O indicador Fator Dinamismo Relativo (FDR) reflete o poder de compra de manifestação irregular, geralmente sazonal, e que está relacionado com os fluxos populacionais induzidos pela atividade turística. O presente indicador pretende assim traduzir a tendência que subsiste, sobretudo de dinâmica comercial, depois de retirada a influência do poder de compra manifestado regularmente nos territórios. Nesta análise evidenciava-se a Região Algarve com 11 municípios a apresentarem um FDR superior a 1. Na Região Centro com um FDR acima de 1 encontravam-se os municípios da Nazaré e Óbidos, ambos na sub-região Oeste. Porém, isto não significa que, na maioria dos municípios da Região Centro, a atividade turística seja irrelevante, mas apenas que o seu efeito vem diluído pelo significativo poder de compra manifestado diariamente nesses territórios.

Indicador Fator Dinamismo Relativo (FDR), 2015

A informação referente à série do Indicador do Poder de Compra per Capita encontra-se disponível no domínio “CENTRO” da plataforma “DataCentro – Informação para a Região”, o qual pode ser consultado em http://datacentro.ccdrc.pt