{"id":84118,"date":"2025-11-13T09:17:09","date_gmt":"2025-11-13T09:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=84118"},"modified":"2025-11-13T09:21:20","modified_gmt":"2025-11-13T09:21:20","slug":"maranho-da-serta-igp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/maranho-da-serta-igp\/","title":{"rendered":"Maranho da Sert\u00e3 IGP"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt size-full wp-image-84122 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1.jpg\" alt=\"\" width=\"723\" height=\"380\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1-18x9.jpg 18w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1-200x105.jpg 200w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1-400x210.jpg 400w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1-500x263.jpg 500w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1-600x315.jpg 600w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1-700x368.jpg 700w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/MaranhoIGP-1.jpg 723w\" sizes=\"(max-width: 723px) 100vw, 723px\" \/><\/div>\n<p>Maranho da Sert\u00e3 IGP: o sabor que conta a hist\u00f3ria da Sert\u00e3.<\/p>\n<p>Mais do que um prato t\u00edpico, \u00e9 um verdadeiro emblema da cultura e da identidade da nossa regi\u00e3o. O Maranho da Sert\u00e3 goza de grande reputa\u00e7\u00e3o, sendo um dos produtos mais afamados da gastronomia regional. Esta reputa\u00e7\u00e3o, consolidada ao longo dos anos, baseia-se no proveito que o saber-fazer local soube retirar dos ingredientes t\u00edpicos da regi\u00e3o, dando origem a um produto caracter\u00edstico e muito apreciado.<\/p>\n<p>De acordo com a investigadora Olga Cavaleiro, \u201cuma geografia tem sempre associada a si a cultura de uma comunidade que se revela nas v\u00e1rias express\u00f5es culturais. Neste contexto, podemos afirmar que a alimenta\u00e7\u00e3o revela e traduz tra\u00e7os culturais das comunidades na medida em que o homem reinterpreta e reinventa a natureza quando a utiliza para dela retirar produtos para comer, transforma-a de acordo com as t\u00e9cnicas que vai experimentando e atribui significados simb\u00f3licos aos produtos e \u00e0s receitas\u201d (Cavaleiro, 2018).<\/p>\n<p>Entende-se por Maranho da Sert\u00e3 o ensacado feito a partir da \u201cbandouga\u201d (est\u00f4mago de ovinos e caprinos), recheado com uma mistura de ingredientes que respeita os seguintes limites de incorpora\u00e7\u00e3o (% peso): Carne de caprino e\/ou ovino: ingrediente predominante, 20 a 40%, inclusive; Arroz carolino: 15 a 25%, inclusive; Hortel\u00e3: 2 a 6%, inclusive. S\u00e3o ainda inclu\u00eddos como ingredientes obrigat\u00f3rios: Bandouga, toucinho entremeado, presunto, azeite, vinho branco, sal e \u00e1gua. Facultativamente, podem ainda ser incorporados os seguintes ingredientes: chouri\u00e7o de carne, sumo de lim\u00e3o, pimenta ou piripiri e alho.<\/p>\n<p>Pegando nas palavras de Maria Jo\u00e3o Forte, percebe-se que \u201ca culin\u00e1ria, e particularmente a gastronomia, demoraram a alcan\u00e7ar estatuto no quadro das Ci\u00eancias Sociais e mais ainda na Etnografia Portuguesa. O discurso nesta tem\u00e1tica foi sempre predominantemente o do receitu\u00e1rio e demorou a ser pensado no quadro mais alargado dos sistemas alimentares \u00e0 luz do que vinha sendo feito pela Hist\u00f3ria e pela Antropologia\u201d (Forte, 2013). Contudo, \u201ca alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje considerada de grande import\u00e2ncia quer pela sua capacidade de dinamiza\u00e7\u00e3o da economia, quer pela renova\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que pode proporcionar, quer pela necessidade de optar por um estilo de vida saud\u00e1vel, quer ainda pelo seu car\u00e1ter cultural que envolve um conjunto patrimonial fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o da identidade\u201d (Cavaleiro, 2018). \u00c9 nesse sentido que consideramos que o reconhecido com o selo IGP (Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica Protegida) atribu\u00eddo ao Maranho da Sert\u00e3 representa mais do que a garantia de qualidade e de origem. Patenteia a preserva\u00e7\u00e3o do \u201csaber fazer\u201d que d\u00e1 vida \u00e0s mesas festivas desta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00e1rea geogr\u00e1fica de produ\u00e7\u00e3o, prepara\u00e7\u00e3o e acondicionamento do Maranho da Sert\u00e3 est\u00e1 circunscrita ao Concelho da Sert\u00e3. O primeiro registo escrito que se encontrou sobre os maranhos, na sua vertente alimentar, data de 1858 e consta da 6.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Dicion\u00e1rio de L\u00edngua Portuguesa, de Ant\u00f3nio da Silva Morais, onde s\u00e3o caracterizados como uma \u201ciguaria de origem portuguesa, em cuja prepara\u00e7\u00e3o entram o arroz (\u2026) e mi\u00fados de carneiro, condimentados com hortel\u00e3. Um dado revelador da import\u00e2ncia regional deste produto prende-se com um famoso almo\u00e7o oferecido a Afonso Costa (ministro e primeiro-ministro da I Rep\u00fablica), a 13 de abril de 1913, em Cernache do Bonjardim (localidade situada no concelho da Sert\u00e3), onde o produto principal apresentado foi o j\u00e1 ent\u00e3o tradicional maranho.<\/p>\n<p>Se visitar a Sert\u00e3, n\u00e3o deixe de provar esta especialidade \u00fanica.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>Cavaleiro, O. (2018): Portugal Gastron\u00f3mico. A gastronomia portuguesa e as cozinhas regionais, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>Forte, M. (2013): Territ\u00f3rios culturais e patrim\u00f3nio gastron\u00f3mico: da \u201ccerdeira\u201d \u00e0 cereja do Fund\u00e3o, Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.<\/p>\n<p>Produtos Tradicionais Portugueses: <a href=\"https:\/\/tradicional.dgadr.gov.pt\/pt\/cat\/salsicharia-fumados-presuntos-e-paletas\/405-maranhos-da-serta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tradicional.dgadr.gov.pt\/pt\/cat\/salsicharia-fumados-presuntos-e-paletas\/405-maranhos-da-serta<\/a><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1451,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":37,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-84118","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84118","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1451"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84118"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84118\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84127,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84118\/revisions\/84127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84118"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84118"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84118"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}