{"id":94130,"date":"2026-10-23T15:28:17","date_gmt":"2026-10-23T15:28:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=94130"},"modified":"2026-10-23T15:29:14","modified_gmt":"2026-10-23T15:29:14","slug":"rubrica-elas-sabem-elas-inovam-assinala-dia-nacional-do-akis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/rubrica-elas-sabem-elas-inovam-assinala-dia-nacional-do-akis\/","title":{"rendered":"Rubrica &#8220;Elas Sabem. Elas Inovam&#8221; assinala Dia Nacional do AKIS"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p>A 27 de outubro assinala-se o Dia Nacional do AKIS, o Sistema de Conhecimento e Inova\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Agricultural Knowledge and Innovation System). O <a href=\"https:\/\/akisportugal.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">AKIS<\/a> \u00e9 a rede que liga agricultores, investigadores, t\u00e9cnicos, escolas, empresas e organiza\u00e7\u00f5es do setor, para que o conhecimento circule nos dois sentidos: da ci\u00eancia para o campo e do campo para a ci\u00eancia. \u00c9 um dos pilares da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum e uma ferramenta essencial para um desenvolvimento rural mais competitivo, sustent\u00e1vel e capaz de fixar pessoas no territ\u00f3rio. Para assinalar a data, a CCDR Centro apresenta a rubrica \u00abElas Sabem. Elas Inovam.\u00bb. S\u00e3o oito mulheres da Regi\u00e3o Centro que mostram, cada uma \u00e0 sua maneira, como o conhecimento se transforma em inova\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o em futuro para os territ\u00f3rios rurais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ana Rasteiro: da pequena explora\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o moderna&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Ana Maria Rasteiro define-se como uma mulher dedicada ao trabalho, \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o constante e ao crescimento profissional. Ao longo do seu percurso no setor pecu\u00e1rio, procurou sempre progredir atrav\u00e9s da dedica\u00e7\u00e3o, da persist\u00eancia e da vontade de melhorar continuamente a atividade que escolheu para a sua vida.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o \u00e0 suinicultura surgiu da vontade de investir numa \u00e1rea que, na altura, apresentava oportunidades de crescimento. Na regi\u00e3o de Leiria existia sobretudo atividade ligada \u00e0 engorda de su\u00ednos, mas havia pouca produ\u00e7\u00e3o de leit\u00e3o. Foi precisamente a\u00ed que Ana decidiu apostar, iniciando um projeto de produ\u00e7\u00e3o su\u00edna com apenas sete ou oito porcas reprodutoras. Com trabalho cont\u00ednuo e uma vis\u00e3o de crescimento sustentado, a explora\u00e7\u00e3o foi evoluindo gradualmente.&nbsp;\u201cFui crescendo\u2026 um pavilh\u00e3o de cada vez, uma explora\u00e7\u00e3o de cada vez.\u201d<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, a empresa expandiu-se at\u00e9 atingir cerca de 700 reprodutoras distribu\u00eddas por diferentes unidades de produ\u00e7\u00e3o. Para Ana Rasteiro, este crescimento representa n\u00e3o apenas uma conquista empresarial, mas tamb\u00e9m a concretiza\u00e7\u00e3o de um percurso constru\u00eddo com muito esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o. Apesar das dificuldades inerentes ao setor pecu\u00e1rio, onde os lucros nem sempre s\u00e3o garantidos, sente-se realizada pelo caminho que conseguiu construir.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o assenta em princ\u00edpios de organiza\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o de tarefas e moderniza\u00e7\u00e3o constante. Ana considera fundamental que todos os elementos da equipa assumam responsabilidades e trabalhem em conjunto para garantir o bom funcionamento da produ\u00e7\u00e3o. Paralelamente, procura acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e introduzir melhorias que permitam otimizar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O bem-estar animal ocupa um lugar central na sua forma de gerir a atividade. A seguran\u00e7a, a sanidade e as boas condi\u00e7\u00f5es de alojamento dos animais s\u00e3o prioridades permanentes, desde as reprodutoras at\u00e9 aos leit\u00f5es. Destaca, por exemplo, a import\u00e2ncia de boas maternidades dentro da explora\u00e7\u00e3o, capazes de assegurar conforto e condi\u00e7\u00f5es adequadas para os animais durante todas as fases de produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;\u201cA seguran\u00e7a e o bem-estar animal s\u00e3o fundamentais.\u201d<\/p>\n<p>Ao refletir sobre o papel da mulher na pecu\u00e1ria, Ana Rasteiro considera que as mulheres t\u00eam uma import\u00e2ncia crescente no setor e que trazem uma sensibilidade particular ao trabalho com os animais e \u00e0 gest\u00e3o das explora\u00e7\u00f5es. Para si, a presen\u00e7a feminina representa uma mais-valia n\u00e3o apenas na pecu\u00e1ria, mas em todas as \u00e1reas profissionais.<\/p>\n<p>Apesar de se tratar de um setor tradicionalmente exigente e associado aos homens, Ana afirma que sempre foi respeitada enquanto empres\u00e1ria. Ainda assim, acredita que as mulheres continuam a precisar de provar diariamente a sua capacidade de lideran\u00e7a, gest\u00e3o e resist\u00eancia num setor particularmente desafiante.&nbsp;\u201cAs mulheres s\u00e3o precisas na pecu\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>Quando questionada sobre as caracter\u00edsticas que considera fundamentais para o seu percurso, destaca sobretudo a resili\u00eancia, a persist\u00eancia e a capacidade de nunca desistir perante as dificuldades. Assume-se como uma pessoa determinada e \u201cteimosa\u201d, qualidades que considera essenciais para o sucesso do projeto que construiu.<\/p>\n<p>A vontade de melhorar continuamente continua a motiv\u00e1-la diariamente. Ana procura inovar, modernizar os processos produtivos e lutar para que a empresa continue a crescer de forma sustent\u00e1vel e s\u00f3lida.&nbsp;\u201cCom muito trabalho e dedica\u00e7\u00e3o consegui sempre crescer.\u201d<\/p>\n<p>Para terminar, deixa uma mensagem de incentivo a todas as mulheres que desejam trabalhar ou investir na agricultura e na pecu\u00e1ria. Acredita que as mulheres t\u00eam capacidade para alcan\u00e7ar os seus objetivos em qualquer profiss\u00e3o, desde que lutem pelos seus sonhos com dedica\u00e7\u00e3o, coragem e persist\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V05NkscrZiI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Catarina Manique: a paix\u00e3o que d\u00e1 vida ao queijo tradicional<\/strong><\/p>\n<p>Conhecida como \u201cA Agricultora do Fund\u00e3o\u201d, Catarina Manique cresceu ligada ao mundo rural e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o familiar agr\u00edcola. Desde muito pequena que o contacto com os animais e com a vida no campo fez parte do seu quotidiano, construindo uma rela\u00e7\u00e3o profunda com a agricultura e a produ\u00e7\u00e3o animal. O seu percurso profissional acabou por surgir de forma natural, mas tamb\u00e9m marcada por desafios pessoais importantes. Ap\u00f3s terminar a escola, Catarina enfrentou uma leucemia, numa fase em que entrar no mercado de trabalho se tornava particularmente dif\u00edcil. Foi ent\u00e3o que decidiu juntar-se \u00e0 m\u00e3e e investir na aquisi\u00e7\u00e3o das primeiras cabras, dando in\u00edcio a um projeto que mais tarde se transformaria na Queijaria Fa\u00edsca.&nbsp;\u201cA paix\u00e3o que se coloca no trabalho que desenvolvemos determina a qualidade do produto final.\u201d<\/p>\n<p>Inicialmente, a fam\u00edlia produzia leite para vender a uma queijaria. No entanto, quando o pre\u00e7o pago pelo leite come\u00e7ou a baixar, surgiu a decis\u00e3o de avan\u00e7ar com a produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de queijo, mantendo um processo tradicional e artesanal. Assim nasceu a Queijaria Fa\u00edsca, baseada na valoriza\u00e7\u00e3o do produto local, do saber antigo e do respeito pelos animais.&nbsp;<\/p>\n<p>Para Catarina, a qualidade do queijo come\u00e7a muito antes da produ\u00e7\u00e3o. O cuidado com a alimenta\u00e7\u00e3o das cabras, as pastagens, o feno e o bem-estar animal s\u00e3o aspetos essenciais do trabalho di\u00e1rio. A produtora acredita que animais bem tratados produzem melhor leite e que isso se reflete diretamente no sabor e na identidade do queijo. Todo o processo \u00e9 acompanhado de perto, desde a ordenha at\u00e9 \u00e0 cura, mantendo uma rela\u00e7\u00e3o direta entre a produ\u00e7\u00e3o do leite e a transforma\u00e7\u00e3o artesanal.&nbsp;\u201cSe n\u00f3s dermos boa alimenta\u00e7\u00e3o aos animais, estes retribuem com melhor leite.\u201d<\/p>\n<p>O dia a dia na queijaria \u00e9 exigente e feito de dedica\u00e7\u00e3o constante. Ordenhar, coalhar, salgar e acompanhar todas as fases da produ\u00e7\u00e3o fazem parte de uma rotina intensa, desenvolvida \u201c\u00e0 moda antiga\u201d, como Catarina gosta de referir. Para a produtora, \u00e9 precisamente essa dedica\u00e7\u00e3o e o amor colocado no trabalho que tornam os seus queijos diferentes e especiais.&nbsp;Ao longo dos anos, Catarina Manique tem tamb\u00e9m refletido sobre o papel da mulher na agricultura. Considera que as mulheres sempre estiveram ligadas ao trabalho agr\u00edcola, embora apenas mais recentemente tenham come\u00e7ado a conquistar maior reconhecimento e visibilidade no setor. Ainda assim, acredita que persistem dificuldades e desigualdades, sobretudo no meio rural.&nbsp;\u201cAinda h\u00e1 menosprezo por parte dos homens em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho das mulheres.\u201d<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Catarina sentiu, em diferentes momentos, obst\u00e1culos por ser mulher numa \u00e1rea tradicionalmente dominada por homens. Recorda situa\u00e7\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o na compra de animais e na venda dos produtos em que percebeu tentativas de desvaloriza\u00e7\u00e3o ou aproveitamento por parte de outros profissionais. Apesar disso, nunca deixou de lutar pelos seus objetivos, defendendo que as mulheres devem persistir nos seus sonhos e acreditar nas suas capacidades.<\/p>\n<p>Para Catarina, a sensibilidade feminina desempenha tamb\u00e9m um papel importante no cuidado dos animais e na aten\u00e7\u00e3o dedicada aos produtos artesanais. Considera que as mulheres t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o particularmente pr\u00f3xima e cuidadosa com os animais, algo que se traduz na qualidade do trabalho desenvolvido.<\/p>\n<p>O futuro da produ\u00e7\u00e3o artesanal em Portugal \u00e9 visto com esperan\u00e7a, embora reconhe\u00e7a a necessidade de maior valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos tradicionais e dos pequenos produtores. Deseja que haja mais apoio aos queijos artesanais e mais incentivo para que outras mulheres abracem projetos ligados \u00e0 agricultura e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o alimentar.&nbsp;\u201cSinto que devemos ser lutadoras, continuar sempre a lutar e nunca desistir dos nossos sonhos.\u201d<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m Catarina Manique ligada ao projeto continua a ser a paix\u00e3o pelos animais e pela vida no campo. Trabalhar diariamente com os animais representa n\u00e3o apenas uma profiss\u00e3o, mas a concretiza\u00e7\u00e3o de um sonho e de uma forma de vida profundamente enraizada na tradi\u00e7\u00e3o, no respeito pela natureza e no amor pelo que faz.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7PeOw_J9gZ4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Filipa Pato: entre tradi\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e intui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Filipa Pato apresenta-se, antes de mais, como algu\u00e9m profundamente ligada \u00e0 Bairrada, uma regi\u00e3o que sempre a atraiu desde o nascimento. A sua identidade enquanto produtora resulta de um equil\u00edbrio entre heran\u00e7a familiar e experi\u00eancia internacional. Reconhece a influ\u00eancia determinante do pai, da m\u00e3e e dos av\u00f3s no in\u00edcio do seu percurso, mas sublinha tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de ter vivido e trabalhado fora de Portugal, onde teve contacto com in\u00fameros produtores e diferentes formas de pensar o vinho. Essas viv\u00eancias moldaram a sua abordagem atual, marcada por abertura, curiosidade e constante aprendizagem.<\/p>\n<p>Formada em Engenharia Qu\u00edmica, integrou o conhecimento cient\u00edfico com a pr\u00e1tica agr\u00edcola e uma sensibilidade mais intuitiva e art\u00edstica. Essa combina\u00e7\u00e3o reflete-se na forma como encara a produ\u00e7\u00e3o de vinho: um processo que exige tanto rigor t\u00e9cnico como capacidade de observa\u00e7\u00e3o e respeito pela natureza. Para si, trabalhar em sintonia com o ambiente \u00e9 essencial. Defende que a natureza deve estar em equil\u00edbrio e que o papel do produtor passa por observar atentamente o ecossistema, estudar as plantas e intervir de forma consciente e harmoniosa.&nbsp;\u201cTrabalhar em biodin\u00e2mica \u00e9, acima de tudo, desenvolver a observa\u00e7\u00e3o e estudar as plantas para perceber como agir em harmonia com todo o ecossistema.\u201d<\/p>\n<p>A sua filosofia de produ\u00e7\u00e3o assenta na viticultura biodin\u00e2mica e na valoriza\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Considera que a monocultura n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel, apontando a policultura como solu\u00e7\u00e3o para promover vinhas mais saud\u00e1veis. N\u00e3o olha apenas para a videira, mas para todas as plantas que coexistem na vinha, entendendo que fazem parte de um sistema interdependente. Utiliza preparados naturais, como infus\u00f5es de plantas \u2013 cavalinha, salgueiro, camomila, funcho, alo\u00e9 vera, or\u00e9g\u00e3os \u2013 para prevenir doen\u00e7as como o m\u00edldio. Paralelamente, recorre \u00e0 tecnologia, como drones e esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, para apoiar a tomada de decis\u00e3o, demonstrando que tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o podem coexistir.&nbsp;\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a videira que nos interessa, mas todas as plantas que vivem \u00e0 volta da vinha e que contribuem para o equil\u00edbrio e sa\u00fade do sistema.\u201d<\/p>\n<p>O seu trabalho \u00e9 tamb\u00e9m marcado por uma forte componente experimental. Todos os anos testa novas abordagens, sustentadas por investiga\u00e7\u00e3o e consulta de bibliografia especializada. Conta com uma equipa jovem e diversa, composta por homens e mulheres, que partilha desta sensibilidade e compromisso com pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis.&nbsp;Enquanto mulher na agricultura, reconhece que ainda existem desafios significativos, sobretudo em Portugal, onde considera persistir uma cultura marcada por algum machismo. Refere que, embora exporte cerca de 90% dos seus vinhos e n\u00e3o sinta tanto essa diferen\u00e7a no estrangeiro, a realidade nacional ainda apresenta obst\u00e1culos, especialmente na concilia\u00e7\u00e3o entre vida profissional e pessoal. Destaca a import\u00e2ncia de uma estrutura familiar s\u00f3lida para conseguir gerir as m\u00faltiplas responsabilidades de m\u00e3e, empres\u00e1ria e agricultora.&nbsp;\u201cAinda \u00e9 muito dif\u00edcil ser mulher na agricultura em Portugal, sobretudo pela necessidade de conciliar a vida profissional com a pessoal, sem que exista sempre uma estrutura de apoio.\u201d<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, acredita que a perspetiva feminina traz uma sensibilidade particular \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com a natureza, algo que considera uma mais-valia para o setor. Defende que as mulheres devem ser mais respeitadas, tanto no plano pessoal como profissional, e v\u00ea na sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 terra uma forma especial de compreender e cuidar dos ecossistemas.<\/p>\n<p>O futuro, para si, passa por continuar a inovar sem perder a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. Mant\u00e9m uma forte cren\u00e7a na casta Baga e identifica-se mais como agricultora do que apenas viticultora. Valoriza profundamente a possibilidade de produzir e consumir alimentos de qualidade, diretamente da terra, algo que considera um privil\u00e9gio raro. Nesse sentido, ambiciona diversificar a sua produ\u00e7\u00e3o, dedicando-se tamb\u00e9m \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais e ao cultivo de legumes, com o objetivo de oferecer mais produtos saud\u00e1veis.&nbsp;\u201cVejo-me mais como agricultora do que apenas como viticultora, porque produzir, colher e consumir alimentos de qualidade diretamente da terra \u00e9 um privil\u00e9gio sem pre\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o di\u00e1ria vem dessa liga\u00e7\u00e3o \u00edntima \u00e0 natureza e da vontade de continuar a aprender e a evoluir. Para Filipa Pato, o reconhecimento do papel das mulheres na agricultura \u00e9 fundamental para um setor mais justo e sustent\u00e1vel, onde o contributo feminino seja plenamente valorizado.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/umm3ADhPu_o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lu\u00edsa Cruz: tradi\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e futuro na agropecu\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Lu\u00edsa Cruz trabalha desde muito nova na \u00e1rea agropecu\u00e1ria, um percurso constru\u00eddo pela paix\u00e3o pelo mundo rural e pelo gosto em trabalhar com animais. O interesse surgiu muito cedo e acompanhou-a ao longo da vida, influenciando tamb\u00e9m o seu percurso acad\u00e9mico. Formou-se em Agronomia e foi conciliando os estudos com o trabalho di\u00e1rio na explora\u00e7\u00e3o familiar, consolidando progressivamente a sua liga\u00e7\u00e3o ao setor pecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o onde trabalha pertence \u00e0 fam\u00edlia h\u00e1 cerca de cinquenta anos e representa uma heran\u00e7a constru\u00edda ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Lu\u00edsa foi crescendo dentro deste ambiente, acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o da atividade e participando ativamente no desenvolvimento da explora\u00e7\u00e3o. Ao longo do tempo, o projeto foi sendo ampliado e modernizado, procurando melhorar as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, a gest\u00e3o da atividade e, sobretudo, o bem-estar animal.&nbsp;\u201cSem bem-estar n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o, sem produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 lucro.\u201d<\/p>\n<p>Para Lu\u00edsa Cruz, o princ\u00edpio mais importante na gest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o \u00e9 precisamente o cuidado com os animais. A sanidade, a higiene e as boas condi\u00e7\u00f5es de vida dos bovinos s\u00e3o elementos essenciais do trabalho di\u00e1rio. Acredita que tratar os animais da melhor forma poss\u00edvel n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o \u00e9tica, mas tamb\u00e9m uma condi\u00e7\u00e3o fundamental para garantir a qualidade da produ\u00e7\u00e3o e a sustentabilidade econ\u00f3mica da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o dos animais \u00e9 acompanhada por nutricionistas especializados, procurando assegurar uma dieta equilibrada que permita maximizar a produ\u00e7\u00e3o de forma saud\u00e1vel. Paralelamente, a explora\u00e7\u00e3o trabalha em conjunto com m\u00e9dicos veterin\u00e1rios, sobretudo na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e no acompanhamento sanit\u00e1rio dos bovinos. Para Lu\u00edsa, o bem-estar animal exige uma gest\u00e3o rigorosa, conhecimento t\u00e9cnico e aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0s necessidades dos animais.<\/p>\n<p>Ao refletir sobre o papel da mulher na agricultura, Lu\u00edsa considera que as mulheres sempre foram a verdadeira \u201cespinha dorsal\u201d do mundo rural. Apesar de muitas vezes o homem surgir como figura principal da explora\u00e7\u00e3o, acredita que as mulheres estiveram sempre presentes no trabalho agr\u00edcola, assumindo responsabilidades fundamentais, ainda que nem sempre reconhecidas.&nbsp;\u201cA mulher sempre foi a espinha dorsal da agricultura.\u201d<\/p>\n<p>Na sua perspetiva, o papel feminino tem vindo a evoluir de forma positiva. Hoje, muitas mulheres j\u00e1 n\u00e3o ocupam apenas fun\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias ou de apoio, sendo tamb\u00e9m propriet\u00e1rias, gestoras e s\u00f3cias das explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas. Ainda assim, reconhece que persistem desigualdades e dificuldades, sobretudo no reconhecimento profissional e na valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino.&nbsp;A pr\u00f3pria Lu\u00edsa sentiu, em diferentes momentos, a necessidade de provar constantemente a sua posi\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia por ser mulher. Recorda situa\u00e7\u00f5es em organismos p\u00fablicos em que teve dificuldade em ser reconhecida como gerente da explora\u00e7\u00e3o, sentindo que precisava de demonstrar continuamente a sua legitimidade enquanto respons\u00e1vel pelo neg\u00f3cio.&nbsp;\u201cTive muitas vezes de provar que tamb\u00e9m era gerente.\u201d<\/p>\n<p>Para enfrentar os desafios do setor agropecu\u00e1rio, Lu\u00edsa acredita que s\u00e3o fundamentais caracter\u00edsticas como dedica\u00e7\u00e3o, coragem e gosto pelo trabalho. Defende igualmente a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e da atualiza\u00e7\u00e3o de conhecimentos, sobretudo numa atividade que exige adapta\u00e7\u00e3o constante \u00e0s novas exig\u00eancias t\u00e9cnicas, ambientais e econ\u00f3micas.&nbsp;A m\u00e3e foi a sua principal inspira\u00e7\u00e3o ao longo do percurso profissional e pessoal. \u00c9 nela que reconhece o maior exemplo de trabalho, persist\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o ao mundo agr\u00edcola, valores que continua a aplicar diariamente na explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto ao futuro da pecu\u00e1ria em Portugal, Lu\u00edsa considera essencial encontrar um equil\u00edbrio entre produ\u00e7\u00e3o, sustentabilidade ambiental e bem-estar animal. Acredita que a agricultura moderna ter\u00e1 de ser cada vez mais respons\u00e1vel e consciente da necessidade de proteger os recursos naturais, conciliando produtividade com respeito pela natureza.&nbsp;Na sua opini\u00e3o, as mulheres ter\u00e3o um papel determinante na moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura portuguesa, contribuindo com sensibilidade, aten\u00e7\u00e3o ao detalhe e capacidade de gest\u00e3o. Contudo, alerta que ainda existe um caminho importante a percorrer no combate \u00e0 desigualdade salarial e na valoriza\u00e7\u00e3o da voz das mulheres no setor agr\u00edcola.&nbsp;\u201cH\u00e1 que haver mais valoriza\u00e7\u00e3o do papel da mulher.\u201d<\/p>\n<p>Para Lu\u00edsa Cruz, reconhecer o trabalho feminino na agricultura \u00e9 essencial para construir um futuro mais justo, equilibrado e sustent\u00e1vel, onde homens e mulheres possam contribuir em igualdade para o desenvolvimento do mundo rural.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0eAMOFPciX8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mafalda Perdig\u00e3o: a arte de produzir e de comunicar o vinho<\/strong><\/p>\n<p>Mafalda Perdig\u00e3o apresenta-se como en\u00f3loga, produtora de vinho e comunicadora apaixonada pelo universo v\u00ednico. Mais do que produzir vinho, gosta de partilhar conhecimento e ensinar a provar, acompanhando todo o percurso do vinho \u201cdesde a vinha, \u00e0 adega, \u00e0 mesa\u201d. Para Mafalda, o mundo do vinho ainda carece de maior maturidade e proximidade com o consumidor, algo que sempre procurou contrariar atrav\u00e9s da sua forma simples e acess\u00edvel de comunicar.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o ao vinho come\u00e7ou muito cedo, em Viseu, cidade onde nasceu e cresceu. O interesse surgiu de forma natural, sobretudo ap\u00f3s o pai adquirir vinhas na regi\u00e3o do D\u00e3o. As vindimas, inicialmente vividas como uma brincadeira de inf\u00e2ncia, transformaram-se gradualmente numa paix\u00e3o e, mais tarde, numa profiss\u00e3o. Embora em crian\u00e7a n\u00e3o imaginasse seguir este caminho, o gosto pelo campo e pelo vinho foi-se consolidando at\u00e9 abra\u00e7ar definitivamente o projeto familiar. A partir de 2012, dedicou-se inteiramente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o v\u00ednica.&nbsp;\u201cParticip\u00e1vamos nas vindimas como brincadeira, que se transformou em paix\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>O percurso acad\u00e9mico teve um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o da sua identidade profissional. Mafalda frequentou a Escola Superior Agr\u00e1ria de Santar\u00e9m, onde procurou aprofundar os conhecimentos t\u00e9cnicos ligados ao mundo do vinho, e posteriormente licenciou-se na UTAD. Paralelamente, acompanhava de perto o trabalho desenvolvido pelo pai nas vinhas e na adega. Para a en\u00f3loga, a combina\u00e7\u00e3o entre o conhecimento emp\u00edrico adquirido em casa e a forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria permitiu-lhe compreender melhor os processos de produ\u00e7\u00e3o, questionar m\u00e9todos tradicionais e acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do setor vitivin\u00edcola.<\/p>\n<p>O D\u00e3o ocupa um lugar muito especial na sua vida pessoal e profissional. Mafalda afirma que o D\u00e3o \u201cest\u00e1 no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d e assume a regi\u00e3o como o seu ber\u00e7o e principal refer\u00eancia enquanto en\u00f3loga. Atualmente, trabalha exclusivamente com vinhos do D\u00e3o e considera que parte da sua miss\u00e3o passa precisamente por divulgar e valorizar esta regi\u00e3o.&nbsp;Na sua perspetiva, o terroir do D\u00e3o \u00e9 \u00fanico e facilmente reconhec\u00edvel. Rodeada por serras, a regi\u00e3o beneficia de uma frescura natural muito caracter\u00edstica, marcada tamb\u00e9m pela mineralidade das \u00e1guas e dos solos, elementos que se refletem diretamente na identidade dos vinhos produzidos. Para Mafalda, um grande vinho deve ter autenticidade e transmitir claramente o territ\u00f3rio de onde vem. Mais do que um vinho tecnicamente bem executado, \u00e9 importante que exista identidade e liga\u00e7\u00e3o ao lugar.&nbsp;\u201cQuando falamos de vinhos, temos que ter vinhos com identidade.\u201d<\/p>\n<p>Foi precisamente da vontade de aproximar o vinho das pessoas que nasceu o projeto Enoteller. Mafalda identificou uma lacuna na comunica\u00e7\u00e3o e na partilha de conhecimento sobre vinho e percebeu que muitas pessoas viam este universo como demasiado t\u00e9cnico e inacess\u00edvel. O projeto surgiu ent\u00e3o com o objetivo de comunicar o vinho de forma simples, descomplicada e pr\u00f3xima, permitindo que qualquer pessoa possa compreender e desfrutar do prazer do vinho sem receios ou formalismos.<\/p>\n<p>Ao refletir sobre o papel da mulher na agricultura e na enologia, Mafalda considera que a presen\u00e7a feminina \u00e9 fundamental. Acredita que a sensibilidade, a aten\u00e7\u00e3o ao detalhe e o cuidado s\u00e3o caracter\u00edsticas que fazem diferen\u00e7a tanto na produ\u00e7\u00e3o como na comunica\u00e7\u00e3o do vinho. Reconhece, contudo, que durante muitos anos as mulheres tiveram menor visibilidade no setor, embora considere que a sociedade tem evolu\u00eddo positivamente nesse sentido.<\/p>\n<p>Apesar dessa evolu\u00e7\u00e3o, Mafalda enfrentou desafios importantes ao longo do seu percurso. Um dos maiores foi conquistar credibilidade junto de profissionais mais antigos num meio tradicionalmente dominado por homens. Sendo jovem e mulher, sentiu frequentemente dificuldade em ser levada a s\u00e9rio, sobretudo quando procurava implementar mudan\u00e7as ou introduzir novas abordagens de produ\u00e7\u00e3o. Com persist\u00eancia e calma, foi conseguindo demonstrar o seu valor e afirmar-se profissionalmente.&nbsp;\u201cCom calma e persist\u00eancia consegui implementar as minhas ideias nos vinhos que produzo.\u201d<\/p>\n<p>Outro desafio marcante foi a rela\u00e7\u00e3o profissional com o pr\u00f3prio pai. Mafalda admite que foi importante conquistar o reconhecimento n\u00e3o apenas como filha, mas tamb\u00e9m enquanto profissional capaz de tomar decis\u00f5es e liderar projetos no setor v\u00ednico.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas representam atualmente uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es da vitivinicultura. Mafalda reconhece que os impactos j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis nas vinhas e que o principal desafio passa por garantir a sa\u00fade da videira para assegurar a qualidade do vinho. Acredita que o setor ter\u00e1 inevitavelmente de se reinventar e adaptar \u00e0s novas realidades clim\u00e1ticas.&nbsp;\u201cCom amor, dedica\u00e7\u00e3o e trabalho n\u00e3o h\u00e1 sonhos imposs\u00edveis.\u201d<\/p>\n<p>Para terminar, Mafalda Perdig\u00e3o deixa uma mensagem de valoriza\u00e7\u00e3o coletiva e de esperan\u00e7a. Considera que todas as pessoas envolvidas na produ\u00e7\u00e3o do vinho t\u00eam import\u00e2ncia fundamental e acredita que, com amor, dedica\u00e7\u00e3o e trabalho, n\u00e3o existem sonhos imposs\u00edveis. A paix\u00e3o pelo que faz continua a ser a principal for\u00e7a motriz do seu percurso.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T2t1j1qvJms?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Marije Passos: da Holanda aos olivais de Portugal<\/strong><\/p>\n<p>Marije Passos vive em Condeixa h\u00e1 cerca de dez anos e define o seu percurso em Portugal como uma transforma\u00e7\u00e3o profunda, marcada pelo contacto com a terra, com o azeite e com a vida rural. Natural da Holanda, chegou ao pa\u00eds atrav\u00e9s da fam\u00edlia do marido, mas foi a liga\u00e7\u00e3o inesperada ao olival que acabou por mudar completamente o rumo da sua vida profissional e pessoal.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou por influ\u00eancia do sogro, que lan\u00e7ou a ideia de cuidar de um olival com cerca de 500 oliveiras. Na altura, apanhar azeitona era uma experi\u00eancia totalmente nova para Marije e para o marido, algo distante da realidade em que tinham crescido. No entanto, aquilo que come\u00e7ou como uma curiosidade acabou rapidamente por se transformar numa paix\u00e3o pelo mundo da oliveira, da azeitona e do azeite. A partir desse momento decidiram investir no projeto, adquirindo mais terrenos e expandindo gradualmente a produ\u00e7\u00e3o. Com o tempo, abriram tamb\u00e9m as portas ao turismo, promovendo provas de azeite e experi\u00eancias ligadas ao patrim\u00f3nio rural da regi\u00e3o.&nbsp;\u201cO amor pela azeitona e pelo azeite transformou-se numa forma de vida.\u201d<\/p>\n<p>Para Marije, trabalhar com a terra significa aceitar que a natureza tem sempre a \u00faltima palavra. Apesar de admitir que gosta de controlar os processos, reconhece que a agricultura exige capacidade de adapta\u00e7\u00e3o constante e criatividade para enfrentar os desafios do clima e da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. A preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade e com o futuro est\u00e1 muito presente no seu trabalho di\u00e1rio, sobretudo na prote\u00e7\u00e3o da natureza, no apoio aos produtores locais e na valoriza\u00e7\u00e3o dos alimentos de proximidade.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o de azeite, a biodiversidade e a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio rural \u00e9, para si, essencial. Acredita que os espa\u00e7os rurais e o patrim\u00f3nio tradicional s\u00e3o hoje elementos fundamentais para atrair visitantes e aproximar as pessoas do mundo agr\u00edcola. Ao mesmo tempo, procura implementar pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis no projeto Passeite, defendendo que a reutiliza\u00e7\u00e3o e o respeito pelos recursos naturais devem fazer parte da agricultura do futuro.&nbsp;\u201cEu quero que os meus filhos tenham um futuro num planeta agrad\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Marije considera que a sensibilidade feminina contribui de forma significativa para uma agricultura mais consciente e sustent\u00e1vel. Na sua perspetiva, muitas mulheres revelam uma preocupa\u00e7\u00e3o especial com a prote\u00e7\u00e3o da natureza, o cuidado ambiental e a cria\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es mais equilibradas para o futuro. Apesar das dificuldades associadas \u00e0 inova\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, sobretudo pelos elevados custos t\u00e9cnicos e financeiros, procura introduzir novas abordagens no olival. Um dos exemplos \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o de ovelhas nos terrenos agr\u00edcolas, associando a produ\u00e7\u00e3o de azeite ao aproveitamento da l\u00e3 e \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O percurso em Portugal n\u00e3o esteve, contudo, isento de dificuldades. Marije recorda que os primeiros anos foram particularmente desafiantes, tanto por ser mulher como por ser estrangeira num setor tradicionalmente masculino. Sentiu inicialmente resist\u00eancia por parte de muitos consumidores portugueses, que demonstravam desconfian\u00e7a em comprar azeite produzido por uma holandesa, vinda de um pa\u00eds sem tradi\u00e7\u00e3o ole\u00edcola.&nbsp;\u201cNenhum portugu\u00eas queria comprar azeite a uma estrangeira.\u201d<\/p>\n<p>Com persist\u00eancia, dedica\u00e7\u00e3o e trabalho di\u00e1rio, conseguiu conquistar a confian\u00e7a das pessoas e afirmar o valor do projeto. Hoje sente orgulho por provar que \u00e9 poss\u00edvel sobreviver e crescer atrav\u00e9s de uma pequena produ\u00e7\u00e3o familiar, baseada na autenticidade e na qualidade.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o em Portugal trouxe tamb\u00e9m desafios relacionados com a l\u00edngua, a legisla\u00e7\u00e3o e os processos burocr\u00e1ticos. Marije reconhece que compreender as leis e os mecanismos de financiamento foi uma das maiores barreiras iniciais, destacando a import\u00e2ncia do apoio do marido nesse processo. Por isso, aconselha outras mulheres migrantes que desejem construir uma vida na agricultura em Portugal a aprenderem bem a l\u00edngua e a conhecerem profundamente a legisla\u00e7\u00e3o, como forma de facilitar a integra\u00e7\u00e3o e o acesso \u00e0s oportunidades existentes.&nbsp;Apesar das dificuldades, continua profundamente fascinada pelo mundo do azeite e pelos fen\u00f3menos da natureza. O facto de cada colheita ser diferente, de cada azeite ter caracter\u00edsticas \u00fanicas de ano para ano, continua a inspir\u00e1-la diariamente e a refor\u00e7ar a paix\u00e3o pelo trabalho que desenvolve.&nbsp;\u201cNenhum azeite \u00e9 igual de ano para ano, e \u00e9 isso que torna tudo t\u00e3o incr\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p>Para Marije Passos, o mais importante \u00e9 nunca desistir perante as dificuldades do caminho. Acredita que, com apoio, persist\u00eancia e paix\u00e3o pelo que se faz, \u00e9 poss\u00edvel criar ra\u00edzes, construir projetos sustent\u00e1veis e encontrar um lugar de perten\u00e7a, mesmo longe do pa\u00eds de origem.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DyLwXZ_ZubQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Paula Sim\u00f5es: Ci\u00eancia, Ensino e Agricultura<\/strong><\/p>\n<p>Paula Sim\u00f5es gosta de ser reconhecida sobretudo como professora de fruticultura da Escola Superior Agr\u00e1ria de Castelo Branco, uma fun\u00e7\u00e3o que considera profundamente enriquecedora pela proximidade aos jovens, ao ensino e \u00e0 constante aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento. A sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura construiu-se ao longo de d\u00e9cadas de trabalho na investiga\u00e7\u00e3o, na experimenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, sempre com o objetivo de aproximar o conhecimento cient\u00edfico das necessidades reais dos produtores.<\/p>\n<p>O percurso profissional come\u00e7ou no Minist\u00e9rio da Agricultura, numa \u00e1rea ligada \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Desde cedo, Paula encontrou motiva\u00e7\u00e3o na possibilidade de testar novas t\u00e9cnicas, implementar processos inovadores e contribuir para a moderniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Para si, a agricultura representa uma riqueza fundamental, tanto econ\u00f3mica como social, sendo essencial garantir que os agricultores tenham acesso ao conhecimento necess\u00e1rio para evoluir e melhorar os seus sistemas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos projetos mais marcantes do seu percurso foi o trabalho desenvolvido no Bloco da Meimoa, na Cova da Beira, associado \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o do regadio e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da regi\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o de uma Quinta Piloto permitiu demonstrar, na pr\u00e1tica, novas formas de cultivo, novos sistemas de rega e a introdu\u00e7\u00e3o da mecaniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola atrav\u00e9s de alfaias modernas. O projeto procurava aproximar os agricultores da inova\u00e7\u00e3o, mostrando que determinadas t\u00e9cnicas podiam aumentar a produtividade e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho.&nbsp;\u201cA investiga\u00e7\u00e3o, a experimenta\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para garantir vantagens aos produtores.\u201d<\/p>\n<p>Entre as principais mudan\u00e7as implementadas estiveram a rota\u00e7\u00e3o de culturas, a mecaniza\u00e7\u00e3o das explora\u00e7\u00f5es e a moderniza\u00e7\u00e3o dos sistemas de rega. Paula Sim\u00f5es recorda que muitos agricultores aderiram \u00e0s novas pr\u00e1ticas quando perceberam que estas lhes permitiam trabalhar mais \u00e1rea com menos esfor\u00e7o e melhores resultados. Contudo, sublinha que qualquer inova\u00e7\u00e3o precisa de ser acompanhada de forma\u00e7\u00e3o e demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para que possa ser verdadeiramente aceite e aplicada.<\/p>\n<p>Ao longo da sua carreira, dedicou-se sobretudo \u00e0s culturas das prun\u00f3ideas, em especial ao pessegueiro e \u00e0 cerejeira. O que mais a atrai nestas culturas \u00e9 a sua elevada exig\u00eancia t\u00e9cnica e agron\u00f3mica. A instala\u00e7\u00e3o de um pomar implica investimentos a longo prazo e um conhecimento profundo sobre poda, rega, tratamentos fitossanit\u00e1rios e colheita. Para Paula, a diversidade e a complexidade destas culturas tornam a fruticultura um desafio permanente.&nbsp;Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, assistiu a profundas transforma\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas na produ\u00e7\u00e3o frut\u00edcola da Beira Interior. Recorda, por exemplo, que nos anos 90 a mobiliza\u00e7\u00e3o dos solos nos pomares era uma pr\u00e1tica comum, algo que praticamente desapareceu hoje em dia. O mesmo aconteceu com a poda da cerejeira, que anteriormente quase n\u00e3o era realizada e atualmente \u00e9 considerada essencial para aumentar a produ\u00e7\u00e3o e melhorar a qualidade dos frutos.&nbsp;\u201cO conhecimento deve avan\u00e7ar em fun\u00e7\u00e3o da necessidade do agricultor.\u201d<\/p>\n<p>A gest\u00e3o da rega \u00e9 outra das \u00e1reas que considera fundamentais para o futuro da agricultura, sobretudo num contexto de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e crescente escassez de \u00e1gua. Paula defende que a interliga\u00e7\u00e3o entre investiga\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o, ensino e implementa\u00e7\u00e3o no terreno \u00e9 indispens\u00e1vel para garantir a sustentabilidade e a evolu\u00e7\u00e3o do setor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Enquanto editora da revista AGROTEC, assumiu tamb\u00e9m um papel importante na divulga\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica junto de agricultores e t\u00e9cnicos agr\u00edcolas. Para Paula Sim\u00f5es, produzir conhecimento cient\u00edfico s\u00f3 faz sentido se esse conhecimento chegar efetivamente ao setor produtivo e contribuir para melhorar as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e a qualidade das explora\u00e7\u00f5es.&nbsp;Ao refletir sobre o papel da mulher na agricultura, Paula considera que as mulheres sempre tiveram uma presen\u00e7a determinante no mundo rural, particularmente nas explora\u00e7\u00f5es familiares, onde o trabalho agr\u00edcola assenta muitas vezes numa l\u00f3gica de complementaridade entre homens e mulheres. Contudo, acredita que esse contributo nem sempre foi devidamente valorizado.&nbsp;\u201cA mulher teve um papel silencioso, mas fundamental na agricultura.\u201d<\/p>\n<p>Apesar da import\u00e2ncia do trabalho feminino, continua a existir desigualdade salarial e menor reconhecimento das mulheres no setor agr\u00edcola. Paula recorda que, no in\u00edcio da sua carreira, chegou mesmo a ser rejeitada numa entrevista de emprego apenas por ser mulher. Foi-lhe dito diretamente que procuravam um homem para a fun\u00e7\u00e3o, uma realidade que demonstra as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em \u00e1reas tradicionalmente masculinas.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, acredita que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ajudou tamb\u00e9m a criar maior igualdade no trabalho agr\u00edcola. D\u00e1 como exemplo as tesouras el\u00e9tricas utilizadas na poda, que reduziram a exig\u00eancia f\u00edsica da tarefa e permitiram \u00e0s mulheres desempenhar fun\u00e7\u00f5es que anteriormente eram quase exclusivas dos homens.&nbsp;Para as jovens mulheres que desejam seguir carreira na agronomia, investiga\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento rural, Paula Sim\u00f5es deixa uma mensagem clara: \u00e9 necess\u00e1rio saber, persistir e resistir. Considera que a forma\u00e7\u00e3o, o conhecimento e a determina\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para enfrentar os desafios do setor agr\u00edcola.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas representam atualmente uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es da agricultura. Paula alerta para a crescente ocorr\u00eancia de fen\u00f3menos extremos e imprevis\u00edveis, defendendo a necessidade de desenvolver pr\u00e1ticas mais resilientes, t\u00e9cnicas de poupan\u00e7a de \u00e1gua e sistemas produtivos capazes de responder \u00e0s novas exig\u00eancias ambientais.&nbsp;\u201cValorizar o trabalho feminino \u00e9 contribuir para a sustentabilidade.\u201d<\/p>\n<p>Para terminar, Paula Sim\u00f5es defende que reconhecer e valorizar o trabalho das mulheres na agricultura \u00e9 essencial para construir um setor mais sustent\u00e1vel, justo e equilibrado. Considera igualmente importante garantir igualdade de oportunidades, respeito pela paridade e condi\u00e7\u00f5es para que mais mulheres possam assumir posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a no mundo rural e agr\u00edcola.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GYxH8LBf-X8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sofia Costa: o Arroz Carolino, o valor da terra e da tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Sofia Costa cresceu ligada ao mundo agr\u00edcola e ao cultivo do arroz carolino no Baixo Mondego, numa atividade profundamente enraizada na hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia. O trabalho no campo foi-lhe transmitido pelas av\u00f3s, pelos pais e pelo irm\u00e3o, numa viv\u00eancia familiar marcada pela proximidade \u00e0 terra e pela continuidade geracional do saber agr\u00edcola. Paralelamente ao trabalho agr\u00edcola, Sofia construiu tamb\u00e9m um percurso acad\u00e9mico ligado \u00e0 Engenharia Agropecu\u00e1ria, na Escola Superior Agr\u00e1ria de Coimbra, desenvolvendo igualmente interesse pelas \u00e1reas da contabilidade e da gest\u00e3o, compet\u00eancias que hoje aplica na explora\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>O gosto pela agricultura nasceu precisamente das experi\u00eancias e viv\u00eancias transmitidas pelos pais e pelas gera\u00e7\u00f5es anteriores. Desde cedo acompanhou de perto o trabalho da fam\u00edlia, observando a dedica\u00e7\u00e3o das av\u00f3s no trabalho agr\u00edcola e o papel essencial que desempenhavam na subsist\u00eancia di\u00e1ria. Esse contacto cont\u00ednuo com a terra foi determinante para construir a sua liga\u00e7\u00e3o emocional ao arroz e ao mundo rural.&nbsp;\u201cO saber agr\u00edcola foi incutido pela fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>Na organiza\u00e7\u00e3o familiar, cada elemento desempenhava um papel importante. Sofia acompanhou sobretudo a m\u00e3e na \u00e1rea da gest\u00e3o, dos recursos humanos e da organiza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, enquanto o irm\u00e3o trabalhou mais diretamente no terreno ao lado do pai. Ainda assim, destaca que o projeto agr\u00edcola sempre foi vivido como um trabalho coletivo, constru\u00eddo pela colabora\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o de toda a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ao refletir sobre o papel da mulher na agricultura, Sofia considera que o contributo feminino sempre foi fundamental, embora muitas vezes pouco reconhecido. Acredita que as mulheres continuam a precisar de provar constantemente a sua compet\u00eancia para serem valorizadas, mesmo desempenhando fun\u00e7\u00f5es essenciais dentro das explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas.&nbsp;\u201cA mulher tem que se esfor\u00e7ar mais para ser valorizada.\u201d<\/p>\n<p>Recorda que, antigamente, a produ\u00e7\u00e3o de arroz era muito mais exigente fisicamente, envolvendo trabalhos manuais intensos, desde a planta\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 colheita. A moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a mecaniza\u00e7\u00e3o transformaram profundamente a cultura do arroz, facilitando muitas tarefas e permitindo um acompanhamento mais eficiente da produ\u00e7\u00e3o. Contudo, Sofia sublinha que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica exige tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o, estudo e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o para acompanhar as novas exig\u00eancias do setor.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia desenvolve-se no vale do Arunca, integrado na regi\u00e3o do Baixo Mondego, territ\u00f3rio que considera determinante para a qualidade do arroz carolino. As caracter\u00edsticas do solo, o clima e a matura\u00e7\u00e3o lenta do arroz conferem ao produto propriedades \u00fanicas, que fazem do carolino do Baixo Mondego uma refer\u00eancia da gastronomia portuguesa.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre agricultura e cozinha sempre esteve muito presente na hist\u00f3ria familiar. Sofia recorda o papel das mulheres da fam\u00edlia, particularmente da m\u00e3e, na preserva\u00e7\u00e3o das receitas tradicionais associadas ao arroz carolino. A m\u00e3e \u00e9 conhecida pela confe\u00e7\u00e3o do arroz doce e dos tradicionais arrozes caldosos servidos a quem visita a casa da fam\u00edlia, mantendo viva a liga\u00e7\u00e3o entre o trabalho agr\u00edcola e a mesa portuguesa.&nbsp;\u201cQuem visita a nossa casa \u00e9 sempre servido com um arroz caldoso.\u201d<\/p>\n<p>Para Sofia Costa, a gastronomia \u00e9 uma forma importante de preservar a mem\u00f3ria do trabalho agr\u00edcola e de valorizar os produtos produzidos localmente. Atrav\u00e9s das receitas tradicionais, mant\u00e9m-se viva a identidade cultural associada ao arroz e \u00e0s comunidades rurais do Baixo Mondego.<\/p>\n<p>Apesar da evolu\u00e7\u00e3o do setor, Sofia reconhece que continuam a existir desafios importantes para as mulheres agricultoras. Considera que muitas vezes a mulher precisa de assumir m\u00faltiplas fun\u00e7\u00f5es simultaneamente, conciliando trabalho agr\u00edcola, gest\u00e3o familiar e responsabilidades profissionais, frequentemente com pouco apoio. Ainda assim, acredita que as novas gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 encaram de forma mais natural a presen\u00e7a feminina em cargos de chefia e lideran\u00e7a no mundo rural.<\/p>\n<p>O arroz tornou-se tamb\u00e9m uma escola de vida e de resili\u00eancia. Sofia acredita que a pr\u00f3pria cultura agr\u00edcola ensina a enfrentar dificuldades, a resistir aos desafios e a adaptar-se constantemente \u00e0s mudan\u00e7as.&nbsp;\u201cO arroz ensina-nos a ser resilientes.\u201d<\/p>\n<p>Para o futuro, defende uma agricultura mais igualit\u00e1ria, onde o papel da mulher seja assumido de forma natural e reconhecido sem reservas. Considera importante retirar a mulher dos bastidores e aceitar plenamente a sua capacidade de lideran\u00e7a e decis\u00e3o no setor agr\u00edcola. Ao olhar para o seu percurso, identifica palavras como humildade, sinceridade, gosto pela profiss\u00e3o e resili\u00eancia como os valores que melhor representam a mulher agricultora que \u00e9 hoje.<\/p>\n<div class=\"video-shortcode\"><iframe title=\"Dia Nacional do AKIS 2026\" width=\"1288\" height=\"725\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MM--_E7Y_yU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1460,"featured_media":94174,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":3,"footnotes":""},"categories":[763,307],"tags":[],"class_list":["post-94130","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-desenvolvimento-rural-e-agroalimentar","category-informacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94130","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1460"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94130"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94176,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94130\/revisions\/94176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}