{"id":93971,"date":"2026-10-15T09:39:28","date_gmt":"2026-10-15T09:39:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=93971"},"modified":"2026-10-15T09:40:13","modified_gmt":"2026-10-15T09:40:13","slug":"casa-gandaresa-arquitetura-territorio-e-memoria-da-regiao-centro-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/casa-gandaresa-arquitetura-territorio-e-memoria-da-regiao-centro-de-portugal\/","title":{"rendered":"Casa Gandaresa: arquitetura, territ\u00f3rio e mem\u00f3ria da Regi\u00e3o Centro de Portugal"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt alignnone size-full wp-image-93974\" src=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa.jpg\" alt=\"\" width=\"1408\" height=\"667\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-18x9.jpg 18w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-200x95.jpg 200w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-400x189.jpg 400w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-500x237.jpg 500w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-600x284.jpg 600w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-700x332.jpg 700w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-768x364.jpg 768w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-800x379.jpg 800w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa-1200x568.jpg 1200w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Casa-Gandaresa.jpg 1408w\" sizes=\"(max-width: 1408px) 100vw, 1408px\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No litoral Centro de Portugal, entre \u00e1reas agr\u00edcolas, pinhais e zonas h\u00famidas, desenvolveu-se uma forma de habitar estreitamente relacionada com o territ\u00f3rio, o trabalho agr\u00edcola e a vida familiar: a Casa Gandaresa. Trata-se de uma express\u00e3o da arquitetura vern\u00e1cula em terra particularmente associada \u00e0 regi\u00e3o da G\u00e2ndara e documentada, de forma sistem\u00e1tica, nos concelhos de Vagos, Mira e Cantanhede. Exemplares e variantes desta arquitetura encontram-se tamb\u00e9m noutros munic\u00edpios do litoral e centro litoral, designadamente \u00cdlhavo, Oliveira do Bairro e Mealhada. A sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia n\u00e3o deve, contudo, ser confundida integralmente com os limites administrativos da regi\u00e3o da G\u00e2ndara.<\/p>\n<p>Mais do que um modelo de habita\u00e7\u00e3o, a Casa Gandaresa constitui um testemunho da organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social das comunidades rurais do litoral Centro. A sua configura\u00e7\u00e3o respondia \u00e0s necessidades quotidianas das fam\u00edlias e articulava fun\u00e7\u00f5es habitacionais com atividades relacionadas com a agricultura e a cria\u00e7\u00e3o de animais. Para al\u00e9m dos espa\u00e7os destinados \u00e0 vida dom\u00e9stica, podiam existir \u00e1reas de armazenamento de produtos agr\u00edcolas, arrecada\u00e7\u00f5es, celeiros, currais e outros espa\u00e7os de apoio. A casa integrava, assim, habita\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o num mesmo conjunto, numa rela\u00e7\u00e3o direta com o p\u00e1tio e com o espa\u00e7o agr\u00edcola envolvente.<\/p>\n<p>A Casa Gandaresa integra-se na tradi\u00e7\u00e3o da arquitetura vern\u00e1cula em terra, destacando-se pelo emprego de materiais dispon\u00edveis localmente. O adobe constitui um dos principais elementos das paredes, enquanto a madeira era utilizada nas estruturas dos pavimentos e das coberturas. No territ\u00f3rio do Vouga-Sul, a produ\u00e7\u00e3o tradicional de adobe foi uma atividade que desapareceu h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, mas cuja presen\u00e7a permanece documentada nas constru\u00e7\u00f5es existentes e nos vest\u00edgios dos locais de extra\u00e7\u00e3o das terras utilizadas na sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o obedecia a um \u00fanico desenho r\u00edgido. No territ\u00f3rio de Vagos, Mira e Cantanhede foram identificadas seis tipologias predominantes, com diferentes organiza\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os habitacionais, agr\u00edcolas e de armazenamento. Estas tipologias apresentam variantes relacionadas com a dimens\u00e3o da casa, a organiza\u00e7\u00e3o do agregado familiar, as fun\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos propriet\u00e1rios. A diversidade identificada demonstra que a Casa Gandaresa deve ser entendida como uma fam\u00edlia de solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f3nicas relacionadas entre si, e n\u00e3o como um modelo \u00fanico e imut\u00e1vel.<\/p>\n<p>Apesar dessa diversidade, uma das solu\u00e7\u00f5es de fachada mais representativas nos concelhos de Vagos, Mira e Cantanhede apresenta uma porta ladeada por uma janela de cada lado e um port\u00e3o, podendo o conjunto ser seguido por um pano de fachada de maior ou menor extens\u00e3o, associado frequentemente a espa\u00e7os de armazenamento. Esta configura\u00e7\u00e3o representa mais de metade dos casos identificados no levantamento realizado nesses tr\u00eas concelhos. A cantaria \u00e9 frequente no enquadramento dos v\u00e3os, embora a sua presen\u00e7a e o grau de elabora\u00e7\u00e3o variem de acordo com a tipologia e com o exemplar.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o interior refletia as pr\u00e1ticas quotidianas das fam\u00edlias. A sala podia desempenhar fun\u00e7\u00f5es sociais e cerimoniais, enquanto a chamada meia-sala, os quartos, a cozinha e outros compartimentos se articulavam de diferentes formas, consoante a tipologia. Entre os espa\u00e7os identificados encontram-se ainda o celeiro, arrecada\u00e7\u00f5es, salgadeira, casa do forno, currais e alpendre. A designa\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o de alguns compartimentos podiam variar de acordo com a localidade e com a organiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de cada habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O p\u00e1tio tinha igualmente uma fun\u00e7\u00e3o importante. N\u00e3o constitu\u00eda apenas um espa\u00e7o exterior, mas um elemento de articula\u00e7\u00e3o entre a habita\u00e7\u00e3o, os anexos e as atividades agr\u00edcolas. A sua configura\u00e7\u00e3o variava de acordo com a implanta\u00e7\u00e3o da casa. No estudo realizado em \u00cdlhavo, Oliveira do Bairro e Mealhada foram identificadas tr\u00eas configura\u00e7\u00f5es gerais \u2013 L, U e O \u2013, com predomin\u00e2ncia da configura\u00e7\u00e3o em L. No territ\u00f3rio de Vagos, Mira e Cantanhede encontram-se tamb\u00e9m diferentes solu\u00e7\u00f5es de implanta\u00e7\u00e3o, incluindo casas com p\u00e1tio e corpos anexos organizados de acordo com as necessidades de cada propriedade.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o entre habita\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o ajuda a compreender por que raz\u00e3o a Casa Gandaresa n\u00e3o deve ser analisada apenas como um objeto arquitet\u00f3nico isolado. A sua leitura ganha sentido quando integrada na paisagem e na estrutura dos lugares onde surgiu. A casa fazia parte de um sistema que articulava habita\u00e7\u00e3o, p\u00e1tio, espa\u00e7os de armazenamento, instala\u00e7\u00f5es para animais e terrenos agr\u00edcolas, refletindo uma economia familiar ligada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos recursos dispon\u00edveis no territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>O adobe \u00e9 um dos elementos mais associados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o gandaresa. Estudos sobre a Casa Gandaresa no distrito de Aveiro estabeleceram uma rela\u00e7\u00e3o entre a constru\u00e7\u00e3o em adobe, os solos utilizados na produ\u00e7\u00e3o dos adobes e as diferentes unidades de paisagem do territ\u00f3rio. A utiliza\u00e7\u00e3o deste material est\u00e1, assim, ligada tanto \u00e0s caracter\u00edsticas naturais da regi\u00e3o como aos conhecimentos t\u00e9cnicos associados \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cal desempenhava tamb\u00e9m um papel relevante na constru\u00e7\u00e3o e no acabamento das casas. A pintura de cal, ou caia\u00e7\u00e3o, foi uma t\u00e9cnica amplamente utilizada nas fachadas da regi\u00e3o da G\u00e2ndara at\u00e9 ao s\u00e9culo XX, antes da progressiva introdu\u00e7\u00e3o de tintas pr\u00e9-fabricadas de base polim\u00e9rica. Um levantamento realizado em Vagos, Mira e Cantanhede identificou a import\u00e2ncia da cor nos acabamentos tradicionais, registando como tonalidades predominantes os azuis, os ocres amarelos e os vermelhos, combinados com diferentes elementos decorativos das fachadas.<\/p>\n<p>A simplicidade dos materiais e das t\u00e9cnicas construtivas n\u00e3o significa aus\u00eancia de tratamento arquitet\u00f3nico. Portas, janelas e port\u00f5es podiam apresentar molduras de cantaria; as fachadas podiam receber diferentes solu\u00e7\u00f5es de pintura e elementos decorativos; e os interiores podiam incluir tetos de madeira pintada. A decora\u00e7\u00e3o variava, contudo, entre casas e tipologias e estava tamb\u00e9m relacionada com as possibilidades econ\u00f3micas dos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Preservar a Casa Gandaresa n\u00e3o significa, por isso, conservar apenas paredes de adobe, coberturas ou fachadas. Significa tamb\u00e9m reconhecer os conhecimentos construtivos, as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos materiais, as formas de utiliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e a rela\u00e7\u00e3o entre a casa, a comunidade e a paisagem. A investiga\u00e7\u00e3o sobre este patrim\u00f3nio tem sublinhado a import\u00e2ncia de considerar simultaneamente os seus valores materiais, arquitet\u00f3nicos, culturais e imateriais.<\/p>\n<p>Para quem percorre o Centro de Portugal, conhecer estas casas \u00e9 uma forma de compreender uma parte da hist\u00f3ria do territ\u00f3rio que nem sempre se encontra representada nos grandes monumentos. A Casa Gandaresa revela uma arquitetura constru\u00edda a partir dos recursos dispon\u00edveis, adaptada \u00e0s necessidades dos agregados familiares e estreitamente relacionada com as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e com a organiza\u00e7\u00e3o das comunidades rurais.<\/p>\n<p>A sua import\u00e2ncia reside precisamente nessa rela\u00e7\u00e3o entre arquitetura, territ\u00f3rio e mem\u00f3ria. Preservar estes edif\u00edcios permite manter testemunhos materiais de t\u00e9cnicas construtivas, formas de habitar e modos de organiza\u00e7\u00e3o da vida rural que fazem parte da hist\u00f3ria cultural do litoral Centro de Portugal. A Casa Gandaresa permanece, assim, n\u00e3o apenas como uma constru\u00e7\u00e3o em adobe, mas como parte de uma paisagem cultural que ajuda a compreender a forma\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>Barreira, I. D. (2022). Conserva\u00e7\u00e3o das Casas Gandaresas: Inventaria\u00e7\u00e3o da cor das fachadas e metodologia de levantamento crom\u00e1tico [Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa]. Ci\u00eancia-UCP.<\/p>\n<p>Santiago, L. F. F. B. (2007). A casa gandaresa do Distrito de Aveiro: Contributo para a sua reabilita\u00e7\u00e3o como patrim\u00f3nio cultural [Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Universidade de \u00c9vora]. Reposit\u00f3rio Digital de Publica\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas da Universidade de \u00c9vora.<\/p>\n<p>Santos, D. A. R. dos. (2024). Arquitetura popular na G\u00e2ndara: Valoriza\u00e7\u00e3o e contributos da arquitetura popular [Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura]. Reposit\u00f3rio da Universidade de Lisboa.<\/p>\n<p>Tavares, A., &amp; Costa, A. (2020). A Casa Gandaresa no territ\u00f3rio de Vagos, Mira e Cantanhede. P3R, Lda. \/ G\u00e2ndara Tour Sensations. ISBN 978-989-33-1101-1.<\/p>\n<p>Tavares, A., Costa, A., Pereira, I., &amp; Feitosa, M. J. (2021). O desafio da preserva\u00e7\u00e3o de valores culturais da arquitetura vern\u00e1cula das Casas Gandaresas. Pedra &amp; Cal, 70, 5\u20139.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1451,"featured_media":93973,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-93971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1451"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93971"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93976,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93971\/revisions\/93976"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}