{"id":93655,"date":"2026-09-30T09:51:45","date_gmt":"2026-09-30T09:51:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=93655"},"modified":"2026-09-30T09:53:00","modified_gmt":"2026-09-30T09:53:00","slug":"cangas-madeira-tecnica-e-memoria-da-agricultura-do-centro-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/cangas-madeira-tecnica-e-memoria-da-agricultura-do-centro-de-portugal\/","title":{"rendered":"Cangas: madeira, t\u00e9cnica e mem\u00f3ria da agricultura do Centro de Portugal"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt alignnone size-full wp-image-93657\" src=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas.jpg\" alt=\"\" width=\"1078\" height=\"1325\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-10x12.jpg 10w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-200x246.jpg 200w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-400x492.jpg 400w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-500x615.jpg 500w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-600x737.jpg 600w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-700x860.jpg 700w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-768x944.jpg 768w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas-800x983.jpg 800w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/vacas.jpg 1078w\" sizes=\"(max-width: 1078px) 100vw, 1078px\" \/><\/div>\n<p>Na agricultura tradicional da Regi\u00e3o Centro de Portugal, a canga integrou sistemas de atrelagem utilizados na tra\u00e7\u00e3o animal. Associada ao trabalho de juntas de bois ou de vacas, era colocada no cacha\u00e7o dos animais e utilizada na sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0s alfaias agr\u00edcolas. A documenta\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica de diferentes localidades mostra a sua utiliza\u00e7\u00e3o na atrelagem a carros de bois ou na liga\u00e7\u00e3o a alfaias destinadas ao trabalho agr\u00edcola.<\/p>\n<p>O fabrico de uma canga implica o trabalho da madeira e a execu\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a adequada ao sistema de atrelagem utilizado. A canga \u00e9 colocada sobre o cacha\u00e7o dos animais e pode integrar diferentes componentes destinados \u00e0 sua fixa\u00e7\u00e3o e \u00e0 liga\u00e7\u00e3o ao equipamento agr\u00edcola. Entre esses elementos encontram-se, consoante os sistemas e as variantes locais, canzis e correias. A terminologia e as caracter\u00edsticas formais das cangas e dos jugos n\u00e3o s\u00e3o uniformes em todo o territ\u00f3rio portugu\u00eas, existindo diferentes tipos e solu\u00e7\u00f5es de atrelagem documentados pela etnografia portuguesa.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Centro encontra-se documenta\u00e7\u00e3o sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de cangas, nomeadamente no territ\u00f3rio de Carregal do Sal e \u00e1reas lim\u00edtrofes. O cat\u00e1logo da Cole\u00e7\u00e3o Etnogr\u00e1fica do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria regista uma canga datada do s\u00e9culo XX e com origem no Morgadio de Loureiro de Silgueiros. A pe\u00e7a integra a sec\u00e7\u00e3o dedicada aos objetos agr\u00edcolas e apresenta as dimens\u00f5es de 158 \u00d7 8 \u00d7 40 cm. O cat\u00e1logo descreve-a como uma pe\u00e7a colocada no cacha\u00e7o dos animais e utilizada na atrelagem do gado \u00e0s alfaias, atrav\u00e9s dos sistemas cornal e jugular, referindo que este \u00faltimo se combinava, na maioria dos casos, com o sistema cornal. A mesma cole\u00e7\u00e3o inclui um carro de bois e diversas alfaias agr\u00edcolas, integrados no n\u00facleo dedicado \u00e0 agricultura e relacionados com a vida camponesa e as atividades agr\u00edcolas locais.<\/p>\n<p>Na zona de Calde, no concelho de Viseu, a documenta\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica local regista igualmente a utiliza\u00e7\u00e3o do carro de bois no transporte de cargas. Segundo essa documenta\u00e7\u00e3o, os carros eram geralmente puxados por juntas de vacas, recorrendo a um sistema cornal, associado ao jugo, ou a um sistema jugular e cornal, associado \u00e0 canga. A mesma fonte caracteriza a economia local como agro-pastoril, baseada na cultura do milho, na produ\u00e7\u00e3o de batata e feij\u00e3o, numa produ\u00e7\u00e3o de vinho descrita como escassa, na explora\u00e7\u00e3o de madeira e lenha e na cria\u00e7\u00e3o de gado, nomeadamente vacas e ovelhas.<\/p>\n<p>Mais do que uma pe\u00e7a isolada, a canga fazia parte de um conjunto t\u00e9cnico de atrelagem. O seu funcionamento estava relacionado com os animais, com o carro ou com a alfaia agr\u00edcola e com os restantes elementos necess\u00e1rios \u00e0 transmiss\u00e3o da tra\u00e7\u00e3o. As diferentes formas de atrelagem resultam de solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas desenvolvidas e utilizadas em diferentes \u00e1reas do territ\u00f3rio portugu\u00eas, dando origem a uma diversidade de tipos de jugos e cangas.<\/p>\n<p>O fabrico de cangas pode hoje contribuir para a preserva\u00e7\u00e3o de conhecimentos associados ao trabalho da madeira e \u00e0s antigas t\u00e9cnicas de atrelagem agr\u00edcola. Quando realizado de acordo com modelos e t\u00e9cnicas tradicionais, permite manter a liga\u00e7\u00e3o entre o objeto e o conjunto de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas em que este era utilizado.<\/p>\n<p>Cada pe\u00e7a estabelece, assim, uma liga\u00e7\u00e3o entre o saber-fazer associado \u00e0 madeira e a mem\u00f3ria das comunidades rurais. Concebida originalmente para uma fun\u00e7\u00e3o concreta no trabalho agr\u00edcola, a canga constitui tamb\u00e9m um testemunho material de t\u00e9cnicas, formas de trabalho e vocabul\u00e1rio relacionados com a agricultura tradicional portuguesa.<\/p>\n<p>Cangas feitas a partir do conhecimento da tradi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Centro de Portugal, pe\u00e7as que preservam uma t\u00e9cnica, uma fun\u00e7\u00e3o e uma mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>C\u00e2mara Municipal de carregal do Sal. Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria <a href=\"https:\/\/www.cm-carregal.pt\/cmcarregaldosal\/uploads\/document\/file\/1039\/livro_etnografia_hr.pdf?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cm-carregal.pt\/cmcarregaldosal\/uploads\/document\/file\/1039\/livro_etnografia_hr.pdf?utm_source=chatgpt.com<\/a><\/p>\n<p>Oliveira, E. V., Galhano, F., &amp; Pereira, B. (1973). Sistemas de atrelagem dos bois em Portugal. Centro de Estudos de Etnologia, Instituto de Alta Cultura.<\/p>\n<p>Pereira, B. E. (1965). Bibliografia anal\u00edtica de etnografia portuguesa. Centro de Estudos de Etnologia Peninsular.<\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1451,"featured_media":93659,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":6,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-93655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1451"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=93655"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93661,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/93655\/revisions\/93661"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=93655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=93655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=93655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}