{"id":92798,"date":"2026-09-01T11:12:57","date_gmt":"2026-09-01T11:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=92798"},"modified":"2026-09-01T11:12:57","modified_gmt":"2026-09-01T11:12:57","slug":"um-fosso-escondido-ha-seculos-revela-novos-dados-sobre-a-vila-do-sabugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/um-fosso-escondido-ha-seculos-revela-novos-dados-sobre-a-vila-do-sabugal\/","title":{"rendered":"Um fosso escondido h\u00e1 s\u00e9culos revela novos dados sobre a Vila do Sabugal\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><span data-contrast=\"auto\">Uma sondagem arqueol\u00f3gica realizada no \u00e2mbito da requalifica\u00e7\u00e3o de uma habita\u00e7\u00e3o na Rua do Castelo, no Centro Hist\u00f3rico do Sabugal, permitiu identificar um fosso defensivo associado \u00e0 cerca da antiga vila. Escavada diretamente no substrato rochoso, a estrutura apresenta um perfil em \u201cV\u201d, com cerca de 2,50 metros de profundidade e uma abertura m\u00e1xima de 3,50 metros.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A descoberta surgiu num local onde a presen\u00e7a desta estrutura n\u00e3o era esperada.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">\u201cTratou-se de uma descoberta que nos causou alguma surpresa\u201d, explicaram os arque\u00f3logos Marcos Os\u00f3rio e&nbsp;Paulo&nbsp;Pernadas,&nbsp;do Gabinete de Arqueologia e Museologia da C\u00e2mara Municipal do Sabugal.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A surpresa deveu-se, sobretudo, ao facto de o fosso se encontrar relativamente afastado do castelo e numa \u00e1rea que, pela elevada pendente da encosta voltada para o vale do rio C\u00f4a, apresenta j\u00e1 condi\u00e7\u00f5es naturais de defesa.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Apesar da localiza\u00e7\u00e3o inesperada, existia uma pista hist\u00f3rica para a poss\u00edvel presen\u00e7a de um fosso. Em 1509, Duarte d\u2019Armas representou, no&nbsp;<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Livro das Fortalezas<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, junto ao pano exterior da muralha, uma linha horizontal que poder\u00e1 assinalar a exist\u00eancia de um fosso associado \u00e0 barbac\u00e3 da cerca da vila.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b><span data-contrast=\"auto\">Da sondagem \u00e0 descoberta<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A sondagem de diagn\u00f3stico come\u00e7ou por ocupar uma \u00e1rea de dois por dois metros. A identifica\u00e7\u00e3o de um grande empedrado levou, no entanto, ao seu alargamento para poente.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A poucos cent\u00edmetros da superf\u00edcie surgiu o substrato rochoso. \u00c0 medida que os trabalhos avan\u00e7aram, os arque\u00f3logos verificaram que a rocha apresentava uma inclina\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao interior da sondagem, levantando a hip\u00f3tese da exist\u00eancia de uma estrutura escavada no terreno.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Foi necess\u00e1rio ampliar novamente a \u00e1rea intervencionada para procurar a extremidade oposta da depress\u00e3o. A identifica\u00e7\u00e3o de um novo desn\u00edvel no substrato rochoso, formando uma superf\u00edcie inclinada e sim\u00e9trica, permitiu confirmar a presen\u00e7a do fosso.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O seu interior encontrava-se preenchido por uma grande concentra\u00e7\u00e3o de pedras, sobretudo de xisto, mas tamb\u00e9m de granito, algumas de grandes dimens\u00f5es. Foram igualmente identificados fragmentos de telha e de cer\u00e2mica de cronologia moderna, sobretudo nos n\u00edveis mais superficiais.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Os dados recolhidos indicam que o enchimento do fosso ter\u00e1 ocorrido progressivamente. Algumas das pedras de maiores dimens\u00f5es poder\u00e3o ter sido lan\u00e7adas deliberadamente para o seu interior, embora n\u00e3o seja poss\u00edvel determinar se pertenciam \u00e0 antiga barbac\u00e3, entretanto desaparecida, ou se provinham de outras constru\u00e7\u00f5es demolidas nas proximidades.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Quando perdeu a sua fun\u00e7\u00e3o defensiva, o fosso tornou-se obsoleto. A sua colmata\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ter respondido \u00e0 necessidade de eliminar um risco para quem habitava esta zona ou de&nbsp;criar&nbsp;espa\u00e7os destinados \u00e0 circula\u00e7\u00e3o ou ao cultivo.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b><span data-contrast=\"auto\">Um obst\u00e1culo com 2,50 metros de profundidade<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A conclus\u00e3o da escava\u00e7\u00e3o permitiu conhecer melhor a configura\u00e7\u00e3o desta estrutura defensiva.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Com um perfil em \u201cV\u201d, cerca de 2,50 metros de profundidade e 3,50 metros de abertura m\u00e1xima, o fosso foi escavado diretamente na rocha. As paredes laterais apresentam uma inclina\u00e7\u00e3o acentuada em dire\u00e7\u00e3o ao fundo, tornando a base mais estreita do que a abertura \u00e0 superf\u00edcie.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Esta configura\u00e7\u00e3o fazia do fosso um obst\u00e1culo f\u00edsico significativo \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o e \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o da linha exterior de defesa da vila.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Quanto \u00e0 sua cronologia, os elementos atualmente dispon\u00edveis permitem admitir, com alguma probabilidade, que a abertura do fosso ter\u00e1 ocorrido entre o final do s\u00e9culo XV e os primeiros anos do s\u00e9culo XVI.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Este per\u00edodo corresponde a uma fase de refor\u00e7o e moderniza\u00e7\u00e3o das estruturas defensivas das pra\u00e7as de fronteira, particularmente durante o reinado de D. Manuel I.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b><span data-contrast=\"auto\">Conhecer para salvaguardar<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Para al\u00e9m de acrescentar novos dados ao conhecimento sobre o sistema defensivo do Sabugal, a descoberta evidencia a import\u00e2ncia das interven\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas realizadas no \u00e2mbito de projetos p\u00fablicos e privados em centros hist\u00f3ricos e nas proximidades de monumentos classificados.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">S\u00e3o trabalhos que podem revelar estruturas que permaneceram durante s\u00e9culos ocultas sob espa\u00e7os entretanto ocupados e transformados.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">Como sublinham os arque\u00f3logos&nbsp;Marcos Os\u00f3rio e&nbsp;Paulo Pernadas, \u201cestes trabalhos podem contribuir para o conhecimento e salvaguarda de estruturas arqueol\u00f3gicas\u201d.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">O fosso defensivo do Sabugal \u00e9 um exemplo de como uma interven\u00e7\u00e3o localizada pode acrescentar novas informa\u00e7\u00f5es \u00e0 leitura hist\u00f3rica de um&nbsp;territ\u00f3rio e demonstrar a import\u00e2ncia da arqueologia na identifica\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o e salvaguarda do patrim\u00f3nio.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b><span data-contrast=\"auto\">Conhecer o que permanece sob os lugares que habitamos \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de compreender melhor a sua hist\u00f3ria e contribuir para a sua prote\u00e7\u00e3o.<\/span><\/b><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span data-contrast=\"auto\">A descoberta \u00e9 abordada de forma mais aprofundada por Paulo Pernadas no artigo&nbsp;<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Contributos para o estudo dos fossos defensivos dos castelos do Sabugal e Alfaiates (S\u00e9c. XVI)<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">, publicado em 2025 no n.\u00ba 15 da&nbsp;<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">Sabucale&nbsp;\u2013 Revista do Museu do Sabugal<\/span><\/i><span data-contrast=\"auto\">.<\/span><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><b><span data-contrast=\"auto\">Fotografias:<\/span><\/b><span data-contrast=\"auto\">&nbsp;<\/span><i><span data-contrast=\"auto\">C\u00e2mara Municipal do Sabugal<\/span><\/i><span data-ccp-props=\"{}\">&nbsp;<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sondagem arqueol\u00f3gica realizada no \u00e2mbito da requalifica\u00e7\u00e3o de uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1455,"featured_media":92809,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":31,"footnotes":""},"categories":[764],"tags":[],"class_list":["post-92798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1455"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92798"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92798\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":92810,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92798\/revisions\/92810"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92809"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}