{"id":89058,"date":"2026-05-07T10:53:40","date_gmt":"2026-05-07T10:53:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=89058"},"modified":"2026-05-07T10:53:40","modified_gmt":"2026-05-07T10:53:40","slug":"o-ouro-branco-do-centro-de-portugal-a-arte-da-producao-de-sal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/o-ouro-branco-do-centro-de-portugal-a-arte-da-producao-de-sal\/","title":{"rendered":"O \u201cOuro Branco\u201d do Centro de Portugal: a arte da produ\u00e7\u00e3o de sal"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt size-full wp-image-89059 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"579\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-18x9.jpg 18w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-200x97.jpg 200w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-400x193.jpg 400w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-500x241.jpg 500w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-600x290.jpg 600w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-700x338.jpg 700w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-768x371.jpg 768w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo-800x386.jpg 800w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Salinas_imagemartigo.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de sal na regi\u00e3o Centro de Portugal constitui uma atividade de elevado valor hist\u00f3rico, cient\u00edfico e patrimonial, destacando-se particularmente nos territ\u00f3rios da Ria de Aveiro e do estu\u00e1rio do Mondego, na Figueira da Foz. Baseado na evapora\u00e7\u00e3o solar da \u00e1gua do mar, este sistema produtivo representa um exemplo not\u00e1vel da articula\u00e7\u00e3o entre processos naturais e conhecimento t\u00e9cnico acumulado ao longo de s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Do ponto de vista cient\u00edfico, a salicultura assenta em princ\u00edpios f\u00edsico-qu\u00edmicos rigorosos, nomeadamente na evapora\u00e7\u00e3o progressiva da \u00e1gua e na consequente precipita\u00e7\u00e3o dos sais dissolvidos. A \u00e1gua do mar, rica em cloreto de s\u00f3dio e outros minerais, percorre um conjunto organizado de tanques pouco profundos, onde a a\u00e7\u00e3o combinada da radia\u00e7\u00e3o solar e do vento promove o aumento gradual da concentra\u00e7\u00e3o salina. \u00c0 medida que a evapora\u00e7\u00e3o avan\u00e7a, os diferentes sais precipitam de forma sequencial, culminando na cristaliza\u00e7\u00e3o do cloreto de s\u00f3dio nos compartimentos finais, designados cristalizadores. Este fen\u00f3meno corresponde a um processo de cristaliza\u00e7\u00e3o fracionada, condicionado por vari\u00e1veis como a temperatura, a humidade relativa, a velocidade do vento e a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Particular relev\u00e2ncia assume a forma\u00e7\u00e3o da flor de sal, considerada um produto de excel\u00eancia obtido em condi\u00e7\u00f5es ambientais muito espec\u00edficas. Trata-se de uma fina pel\u00edcula de cristais que se forma \u00e0 superf\u00edcie da \u00e1gua, resultante de um delicado equil\u00edbrio entre evapora\u00e7\u00e3o intensa, elevada salinidade e estabilidade atmosf\u00e9rica. A sua recolha manual exige elevada precis\u00e3o t\u00e9cnica e experi\u00eancia, sendo efetuada antes que os cristais se depositem no fundo dos tanques. A flor de sal distingue-se pela textura delicada, pureza elevada e composi\u00e7\u00e3o mineral singular, caracter\u00edsticas que lhe conferem reconhecimento gastron\u00f3mico e comercial.<\/p>\n<p>As salinas tradicionais da regi\u00e3o apresentam uma organiza\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica complexa e altamente eficiente. Estruturam-se em diferentes compartimentos \u2014 viveiros, tanques de evapora\u00e7\u00e3o e cristalizadores \u2014 dispostos de forma a permitir o escoamento da \u00e1gua por gravidade, sem recurso significativo a sistemas mec\u00e2nicos. Este modelo evidencia um profundo conhecimento emp\u00edrico dos processos naturais e uma adapta\u00e7\u00e3o otimizada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais locais. A gest\u00e3o deste sistema cabe ao marnoto, profissional especializado respons\u00e1vel pela regula\u00e7\u00e3o dos fluxos de \u00e1gua, controlo da salinidade e defini\u00e7\u00e3o dos momentos ideais de colheita.<\/p>\n<p>Na Ria de Aveiro, a produ\u00e7\u00e3o sal\u00edcola caracteriza-se por unidades de pequena dimens\u00e3o e elevada intensidade de trabalho manual, permitindo uma monitoriza\u00e7\u00e3o constante das condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e garantindo um produto final de qualidade diferenciada. O sal aqui produzido apresenta caracter\u00edsticas organol\u00e9ticas pr\u00f3prias, como brilho acentuado e granulometria uniforme, refletindo a singularidade ecol\u00f3gica deste sistema lagunar. J\u00e1 as salinas da Figueira da Foz revelam uma longa tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, marcada por estruturas geom\u00e9tricas bem definidas e sistemas hidr\u00e1ulicos sofisticados, integrados num ambiente de sapal de elevada relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da dimens\u00e3o produtiva, as salinas desempenham um papel fundamental na preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e no equil\u00edbrio dos ecossistemas costeiros. Funcionam como zonas h\u00famidas artificiais que acolhem numerosas esp\u00e9cies de avifauna e contribuem para a regula\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica e sedimentar das \u00e1reas envolventes. A continuidade desta atividade revela-se, assim, essencial n\u00e3o apenas do ponto de vista econ\u00f3mico, mas tamb\u00e9m ambiental, cient\u00edfico e cultural.<\/p>\n<p>Neste contexto, o sal produzido no Centro de Portugal afirma-se como um produto de elevada autenticidade e qualidade, resultado de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e de um saber-fazer tradicional que importa preservar, valorizar e promover. A salvaguarda e dinamiza\u00e7\u00e3o da salicultura constituem, por isso, uma oportunidade estrat\u00e9gica para refor\u00e7ar a identidade territorial, estimular o turismo cultural e ambiental e valorizar os recursos end\u00f3genos da regi\u00e3o, consolidando-a como refer\u00eancia nacional e internacional neste dom\u00ednio.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Sal da Figueira da Foz \/ Flor de Sal da Figueira da Foz. <a href=\"https:\/\/tradicional.dgadr.gov.pt\/en\/categories\/sea-salt\/1044-sal-da-figueira-da-foz-flor-de-sal-da-figueira-da-foz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tradicional.dgadr.gov.pt\/en\/categories\/sea-salt\/1044-sal-da-figueira-da-foz-flor-de-sal-da-figueira-da-foz<\/a><\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Sal marinho tradicional. <a href=\"https:\/\/tradicional.dgadr.gov.pt\/en\/categories\/sea-salt\/1114-sal-marinho-tradicional-flor-de-sal-e-outro-tipo-de-sal-proveniente-de-salinas-tradicionais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/tradicional.dgadr.gov.pt\/en\/categories\/sea-salt\/1114-sal-marinho-tradicional-flor-de-sal-e-outro-tipo-de-sal-proveniente-de-salinas-tradicionais<\/a><\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Recursos Naturais, Seguran\u00e7a e Servi\u00e7os Mar\u00edtimos. (2025). Tipos de salicultura. <a href=\"https:\/\/www.dgrm.pt\/web\/guest\/tipos-de-salicultura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dgrm.pt\/web\/guest\/tipos-de-salicultura<\/a><\/p>\n<p>Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Recursos Naturais, Seguran\u00e7a e Servi\u00e7os Mar\u00edtimos. (2025). Aquicultura e salicultura. <a href=\"https:\/\/www.dgrm.pt\/aquicultura1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dgrm.pt\/aquicultura1<\/a><\/p>\n<p>Joaquim, S. (2023). A arte da produ\u00e7\u00e3o artesanal de sal na Figueira da Foz. R\u00e1dio Foz do Mondego. <a href=\"https:\/\/rfmondego.pt\/a-arte-da-producao-artesanal-de-sal-na-figueira-da-foz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/rfmondego.pt\/a-arte-da-producao-artesanal-de-sal-na-figueira-da-foz\/<\/a><\/p>\n<p>Quit\u00e9rio, N. (2017). Territ\u00f3rios, recursos naturais e salinas. As t\u00e9cnicas tradicionais de produ\u00e7\u00e3o de sal. O caso da Salina Municipal do Corredor da Cobra (N\u00facleo Museol\u00f3gico do Sal), Figueira da Foz. Universidade de Coimbra. Reposit\u00f3rios Cient\u00edficos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A produ\u00e7\u00e3o de sal na regi\u00e3o Centro de Portugal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1451,"featured_media":89060,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-89058","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89058","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1451"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89058"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89058\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89062,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89058\/revisions\/89062"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/89060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}