{"id":88877,"date":"2026-04-29T15:47:06","date_gmt":"2026-04-29T15:47:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/?p=88877"},"modified":"2026-04-29T16:00:38","modified_gmt":"2026-04-29T16:00:38","slug":"cestaria-de-nandufe-um-patrimonio-do-mundo-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/cestaria-de-nandufe-um-patrimonio-do-mundo-rural\/","title":{"rendered":"Cestaria de Nandufe: um patrim\u00f3nio do mundo rural"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wpa-warning wpa-image-missing-alt size-full wp-image-88880 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe.jpg\" alt=\"\" width=\"1060\" height=\"704\" data-warning=\"Missing alt text\" srcset=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-18x12.jpg 18w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-400x266.jpg 400w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-500x332.jpg 500w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-600x398.jpg 600w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-700x465.jpg 700w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe-800x531.jpg 800w, https:\/\/www.ccdrc.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Cesta-Amieira-e-Canastra-de-Nandufe.jpg 1060w\" sizes=\"(max-width: 1060px) 100vw, 1060px\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cestaria de Nandufe, no concelho de Tondela, constitui uma express\u00e3o artesanal profundamente enraizada nas pr\u00e1ticas rurais tradicionais. Reflete a estreita rela\u00e7\u00e3o entre as comunidades locais, os recursos naturais dispon\u00edveis e as exig\u00eancias do quotidiano agr\u00edcola. Esta produ\u00e7\u00e3o insere-se no universo mais amplo da cestaria portuguesa, uma atividade ancestral baseada no entrela\u00e7amento de mat\u00e9rias vegetais, cuja origem remonta a per\u00edodos muito remotos da hist\u00f3ria humana, estando historicamente associada ao transporte, armazenamento e prote\u00e7\u00e3o de bens.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico de Nandufe, a confe\u00e7\u00e3o de cestas e canastras distingue-se pela utiliza\u00e7\u00e3o de madeira rachada, geralmente proveniente de esp\u00e9cies como o castanheiro, a mimosa ou o zangarinheiro, criteriosamente selecionadas e preparadas pelo artes\u00e3o. O processo inicia-se com o corte da madeira, designado localmente por \u201cesquento\u201d, seguindo-se a sua divis\u00e3o em talas. Estas s\u00e3o posteriormente afinadas e trabalhadas at\u00e9 adquirirem a flexibilidade e espessura adequadas, permitindo o seu entrela\u00e7amento manual. Trata-se de um trabalho que exige elevada destreza t\u00e9cnica e um profundo conhecimento emp\u00edrico, transmitido ao longo de gera\u00e7\u00f5es, sendo executado com o aux\u00edlio de ferramentas espec\u00edficas adaptadas ao of\u00edcio.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as desenvolve-se de forma progressiva: come\u00e7a pela base, prossegue com a eleva\u00e7\u00e3o das paredes laterais atrav\u00e9s do entrecruzamento das talas, e culmina no remate da borda, que assegura resist\u00eancia e acabamento ao objeto. Todo este processo \u00e9 manual, sendo cada pe\u00e7a o resultado de um saber-fazer acumulado e de uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o artes\u00e3o e a mat\u00e9ria-prima. Atualmente, algumas destas t\u00e9cnicas s\u00e3o ainda demonstradas em contextos expositivos e museol\u00f3gicos, contribuindo para a salvaguarda deste patrim\u00f3nio cultural imaterial.<\/p>\n<p>No contexto rural, as cestas de Nandufe desempenhavam fun\u00e7\u00f5es essencialmente utilit\u00e1rias. Eram utilizadas no transporte de produtos agr\u00edcolas, como legumes, frutas e cereais, bem como de bens alimentares, incluindo p\u00e3o ou peixe. A sua robustez e durabilidade tornavam-nas indispens\u00e1veis nas atividades quotidianas, desde as colheitas at\u00e9 \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o a mercados e feiras. De forma mais abrangente, a cestaria respondia a m\u00faltiplas necessidades do meio rural, sendo igualmente utilizada para armazenamento, apoio a sementeiras e suporte a diversas atividades comerciais e dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Importa ainda salientar que esta atividade era frequentemente complementar \u00e0 agricultura, sendo praticada sobretudo em per\u00edodos de menor intensidade do trabalho agr\u00edcola. Este aspeto refor\u00e7a o seu enquadramento nas din\u00e2micas econ\u00f3micas e sociais das comunidades rurais. Em Nandufe, a cestaria chegou a envolver um n\u00famero significativo de artes\u00e3os, assumindo relev\u00e2ncia \u00e0 escala local. Contudo, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tem vindo a sofrer um acentuado decl\u00ednio, encontrando-se atualmente em risco de desaparecimento, em grande medida devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de praticantes<\/p>\n<p>A cestaria de Nandufe n\u00e3o constitui apenas uma t\u00e9cnica artesanal, mas tamb\u00e9m um testemunho dos modos de vida rurais, onde a funcionalidade dos objetos se articula com o conhecimento tradicional e a adapta\u00e7\u00e3o aos recursos naturais. A sua preserva\u00e7\u00e3o assume, por isso, um papel fundamental na valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio cultural e identit\u00e1rio da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>C\u00e2mara Municipal de Tondela. Cestaria, flores de madeira e talha de Nandufe em exposi\u00e7\u00e3o no Museu Terras de Besteiros. <a href=\"https:\/\/www.cm-tondela.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cm-tondela.pt<\/a><\/p>\n<p>Moreira, J. F. P. (2020). Design e Artesanato: o papel do design na regenera\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o cesteira \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Escola de Arquitetura da Universidade do Minho. Braga<\/p>\n<p>Programa Saber Fazer. Cestaria de madeira rachada. Dire\u00e7\u00e3o-Geral das Artes. <a href=\"https:\/\/programasaberfazer.gov.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/programasaberfazer.gov.pt<\/a><\/p>\n<p>R\u00e1dio e Televis\u00e3o de Portugal. O \u00faltimo cesteiro de Nandufe. <a href=\"https:\/\/arquivos.rtp.pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/arquivos.rtp.pt<\/a><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1451,"featured_media":88879,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[172],"tags":[],"class_list":["post-88877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1451"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=88877"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88888,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/88877\/revisions\/88888"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=88877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}