{"id":34104,"date":"2011-05-16T13:06:47","date_gmt":"2011-05-16T13:06:47","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-10-23T14:40:37","modified_gmt":"2023-10-23T14:40:37","slug":"34104","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/34104\/","title":{"rendered":"Responsabilidade civil extracontratual; celebra\u00e7\u00e3o de contrato seguro."},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"searchbox\">\n<div class=\"value\">Data:&nbsp;&nbsp;<strong>segunda, 16 maio 2011<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">N\u00famero:&nbsp;<strong>DAJ 111\/11<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">Respons\u00e1veis:&nbsp;&nbsp;<strong>Elisabete Maria Viegas Frutuoso<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article_content\">\n<div class=\"fulltext\">\n<div>Solicitou a C\u00e2mara Municipal da &#8230;, atrav\u00e9s do of\u00edcio n\u00ba &#8230;, de &#8230;, a emiss\u00e3o de um parecer jur\u00eddico sobre a legalidade do Munic\u00edpio subscrever um &nbsp;seguro de responsabilidade civil extracontratual para os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Temos a informar:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A mat\u00e9ria questionada prende-se com o Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e demais Pessoas Colectivas de Direito P\u00fablico, aprovado e publicado pela Lei n\u00ba 67\/2007, de 31 de Dezembro, na redac\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 31\/2008, de 17 de Julho.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Importa, desde logo, esclarecer que este regime apenas \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 responsabilidade civil extracontratual por actos de gest\u00e3o p\u00fablica, continuando, dessa forma, a responsabilidade civil do Estado e demais entidades p\u00fablicas por actos de gest\u00e3o privada a ser regida por normas do direito privado (arts 500\u00ba e 501\u00ba do C\u00f3digo Civil), \u00e0 semelhan\u00e7a do que se verificava na vig\u00eancia do anterior regime, Decreto-Lei n\u00ba 48051, de 21 de Novembro de 1967 e Lei n\u00ba 169\/99, de 18 de Setembro, cujos arts 96\u00ba e 97\u00ba foram revogados pela Lei n\u00ba 67\/2007.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>De acordo com o \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o, previsto no art. 1\u00ba do referido diploma, a responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico, onde se incluem as autarquias locais abrange os danos resultantes do exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o legislativa, jurisdicional e administrativa.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>No presente caso, estando em causa a responsabilidade civil dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, apenas interessa abordar a responsabilidade civil por danos decorrentes do exerc\u00edcio da actividade administrativa.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Para estes efeitos, o n\u00ba 2 do citado art. 1\u00ba estabelece que \u201ccorrespondem ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o administrativa as ac\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es adoptadas no exerc\u00edcio de prerrogativas de poder p\u00fablico ou reguladas por disposi\u00e7\u00f5es ou princ\u00edpios de direito administrativo\u201d e o n\u00ba 3 &nbsp;que a referida lei regula tamb\u00e9m a responsabilidade civil dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos pelos danos resultantes de ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es no exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es administrativas (e jurisdicional) e por causa desse exerc\u00edcio.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>No que respeita \u00e0 responsabilidade por facto il\u00edcito (tipologia que aqui releva analisar, dado que na responsabilidade por risco apenas \u00e9 respons\u00e1vel o Estado e as demais entidades p\u00fablicas) determina a Lei n\u00ba 67\/2007, o seguinte:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>\u2022 No n\u00ba 1 do art. 7\u00ba, a responsabilidade exclusiva do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico pelos danos que decorrem de ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas, cometidas com culpa leve, pelos titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o administrativa e por causa desse exerc\u00edcio;<\/div>\n<div>\u2022 No n\u00ba 1 do seu art. 8\u00ba, a responsabilidade dos referidos titulares e funcion\u00e1rios, em que estes s\u00e3o pessoalmente respons\u00e1veis pelos danos que resultem de ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas, por eles praticadas com dolo ou com culpa grave, isto \u00e9, com dilig\u00eancia e zelo manifestamente inferiores \u00e0queles a que se encontravam obrigados em raz\u00e3o do cargo;<\/div>\n<div>\u2022 No n\u00ba 2 do art. 8\u00ba, a responsabilidade solid\u00e1ria do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico com os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, se as ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es tiverem sido cometidas por estes com dolo ou com culpa grave, no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es e por causa desse exerc\u00edcio;<\/div>\n<div>\u2022 No n\u00ba 3 do art. 8\u00ba, o direito de regresso do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico contra os titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, sempre que satisfa\u00e7am qualquer indemniza\u00e7\u00e3o nos termos previstos no n\u00ba 2 do referido normativo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em suma e citando a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica,<span style=\"font-size: xx-small;\"><sup>1<\/sup><\/span>&nbsp; \u201cenquanto no n\u00ba 1 do artigo 7\u00ba se prev\u00ea a responsabilidade exclusiva do Estado e demais entidades p\u00fablicas, no n\u00ba 2 do artigo 8\u00ba encontra-se prevista a responsabilidade solid\u00e1ria entre estes e os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os, funcion\u00e1rios e agentes\u201d.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Este regime, tal como j\u00e1 fazia o anterior, defende assim que a responsabilidade pessoal dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, quando em causa esteja o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, s\u00f3 deve existir nos casos em que as ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es sejam cometidas com dolo ou culpa grave e n\u00e3o nos casos de culpa leve. Repare-se que nestes casos, ou seja, quando as ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es desses titulares e funcion\u00e1rios sejam cometidas, com dolo ou culpa grave, no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e por causa delas, o Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico respondem solidariamente com aqueles perante terceiros.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O que vale por dizer, que nos casos de dolo e culpa grave, respondem sempre solidariamente as entidades p\u00fablicas e os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios, conquanto estes tenham praticado os referidos actos no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es e por causa delas.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Por exclus\u00e3o de partes, tal significa assim que os titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos s\u00f3 s\u00e3o respons\u00e1veis pessoal e exclusivamente perante terceiros quando pratiquem um acto il\u00edcito fora do exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es ou no exerc\u00edcio das mesmas, mas n\u00e3o por causa desse exerc\u00edcio.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Feita esta breve an\u00e1lise sobre o regime da responsabilidade extracontratual por actos de gest\u00e3o p\u00fablica, importa agora abordar a quest\u00e3o formulada que, como j\u00e1 enunciamos, procura saber se o Munic\u00edpio pode contratar um seguro de responsabilidade civil extracontratual para os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Para al\u00e9m do exposto, cumpre ainda observar o disposto no Estatuto dos Eleitos Locais (Lei n\u00ba 29\/87, de 30 de Junho, alterada e republicada pela Lei n\u00ba 52-A\/2005, de 10 de Outubro), que define os direitos e deveres dos eleitos locais.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Da an\u00e1lise do EEL n\u00e3o resulta a obrigatoriedade de contratar um seguro de responsabilidade civil para os eleitos locais, mas t\u00e3o s\u00f3 a de contratar um seguro de acidentes pessoais e de prestar apoio nos processos judiciais que tenham como causa o exerc\u00edcio das respectivas fun\u00e7\u00f5es, nos termos previstos, respectivamente, na al. l) do n\u00ba 1 do art. 5\u00ba e art. 17\u00ba do referido Estatuto e na al. o) do n\u00ba 1 do art. 5\u00ba e art. 21\u00ba do mesmo diploma.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Da mesma forma, somos de concluir que do regime jur\u00eddico que regula a protec\u00e7\u00e3o social dos trabalhadores da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, incluindo os da administra\u00e7\u00e3o local, n\u00e3o resulta qualquer obriga\u00e7\u00e3o de contratar seguros de responsabilidade civil para os funcion\u00e1rios, mas apenas de subscrever, quando admiss\u00edveis, seguros de acidentes em servi\u00e7o. Veja-se o Decreto-Lei n\u00ba 503\/99, de 20 de Novembro (diploma que estabelece o regime jur\u00eddico dos acidentes em servi\u00e7o e das doen\u00e7as profissionais ocorridos ao servi\u00e7o de entidades empregadoras p\u00fablicas), que determina no seu art. 45\u00ba que a transfer\u00eancia dessa responsabilidade para entidades seguradoras s\u00f3 \u00e9 admiss\u00edvel na administra\u00e7\u00e3o local, permitindo-a na administra\u00e7\u00e3o central apensa nos casos devidamente justificados e vantajosos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Nestes casos, a ser admiss\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de contratos de seguro, estar-se-ia a permitir a subscri\u00e7\u00e3o de seguros de responsabilidade civil pelo Munic\u00edpio em benef\u00edcio de pessoas a quem a lei atribui expressamente responsabilidade pelos danos decorrentes das suas ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas, cometidas com dolo ou culpa grave, e pelos quais responde o respectivo patrim\u00f3nio pessoal.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Repare-se que o Munic\u00edpio desta forma, n\u00e3o obstante o direito de regresso que tem contra os titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos nas ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas praticadas no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es e por causa delas, suportaria sempre, atrav\u00e9s do seu patrim\u00f3nio, os custos inerentes de um seguro do qual n\u00e3o beneficiaria.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Situa\u00e7\u00e3o diversa j\u00e1 \u00e9, por\u00e9m, aquela em que o Munic\u00edpio, nos actos de gest\u00e3o p\u00fablica em que \u00e9 civil e exclusivamente respons\u00e1vel, no termos do previsto no art. 7\u00ba da Lei n\u00ba 67\/2007, pode subscrever um seguro de responsabilidade civil extracontratual. \u00c9 que, neste caso, o Munic\u00edpio est\u00e1 a contratar um seguro para os actos em que ele pr\u00f3prio, nos termos do referido normativo, \u00e9 responsabilizado e responde atrav\u00e9s do seu patrim\u00f3nio.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Mesmos nestas situa\u00e7\u00f5es, note-se, a doutrina e a jurisprud\u00eancia dominante consideram que o contrato de seguro apenas faz transferir o \u201cquantum\u201d indemnizat\u00f3rio para a entidade seguradora, n\u00e3o a responsabilidade jur\u00eddica pelo evento e a sua autoria<sup>2<\/sup>.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Desta feita, atendendo ao princ\u00edpio da legalidade segundo o qual os \u00f3rg\u00e3os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica devem pautar a sua actua\u00e7\u00e3o em estrita obedi\u00eancia \u00e0 lei e ao direito e ao facto de que a contrata\u00e7\u00e3o pelo Munic\u00edpio de um seguro de responsabilidade civil extracontratual para os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos extravasa o \u00e2mbito das suas compet\u00eancias e os direitos destes, afigura-se-nos claramente ilegal a celebra\u00e7\u00e3o de contratos de seguros que permitam, nos termos do art. 8\u00ba da Lei n\u00ba 67\/2007, transferir a responsabilidade civil resultante do exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o administrativa imput\u00e1vel a esses titulares de \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A Divis\u00e3o de Apoio Jur\u00eddico<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>(Elisabete Maria Viegas Frutuoso)<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>1. Parecer do Conselho Consultivo da PGR, P000812007<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>2. Ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Central Administrativo Norte, Proc. 02119\/04.0BEPRT, de 06.04.2006<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">Solicitou a C\u00e2mara Municipal da &#8230;, atrav\u00e9s do of\u00edcio n\u00ba &#8230;, de &#8230;, a emiss\u00e3o de um parecer jur\u00eddico sobre a legalidade do Munic\u00edpio subscrever um \u00a0seguro de responsabilidade civil extracontratual para os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Temos a informar:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">A mat\u00e9ria questionada prende-se com o Regime da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado e demais Pessoas Colectivas de Direito P\u00fablico, aprovado e publicado pela Lei n\u00ba 67\/2007, de 31 de Dezembro, na redac\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 31\/2008, de 17 de Julho.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Importa, desde logo, esclarecer que este regime apenas \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 responsabilidade civil extracontratual por actos de gest\u00e3o p\u00fablica, continuando, dessa forma, a responsabilidade civil do Estado e demais entidades p\u00fablicas por actos de gest\u00e3o privada a ser regida por normas do direito privado (arts 500\u00ba e 501\u00ba do C\u00f3digo Civil), \u00e0 semelhan\u00e7a do que se verificava na vig\u00eancia do anterior regime, Decreto-Lei n\u00ba 48051, de 21 de Novembro de 1967 e Lei n\u00ba 169\/99, de 18 de Setembro, cujos arts 96\u00ba e 97\u00ba foram revogados pela Lei n\u00ba 67\/2007.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">De acordo com o \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o, previsto no art. 1\u00ba do referido diploma, a responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico, onde se incluem as autarquias locais abrange os danos resultantes do exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o legislativa, jurisdicional e administrativa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">No presente caso, estando em causa a responsabilidade civil dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, apenas interessa abordar a responsabilidade civil por danos decorrentes do exerc\u00edcio da actividade administrativa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Para estes efeitos, o n\u00ba 2 do citado art. 1\u00ba estabelece que \u201ccorrespondem ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o administrativa as ac\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es adoptadas no exerc\u00edcio de prerrogativas de poder p\u00fablico ou reguladas por disposi\u00e7\u00f5es ou princ\u00edpios de direito administrativo\u201d e o n\u00ba 3 \u00a0que a referida lei regula tamb\u00e9m a responsabilidade civil dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos pelos danos resultantes de ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es no exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es administrativas (e jurisdicional) e por causa desse exerc\u00edcio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">No que respeita \u00e0 responsabilidade por facto il\u00edcito (tipologia que aqui releva analisar, dado que na responsabilidade por risco apenas \u00e9 respons\u00e1vel o Estado e as demais entidades p\u00fablicas) determina a Lei n\u00ba 67\/2007, o seguinte:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\u2022<span style=\"white-space: pre\" class=\"Apple-tab-span\">\t<\/span>No n\u00ba 1 do art. 7\u00ba, a responsabilidade exclusiva do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico pelos danos que decorrem de ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas, cometidas com culpa leve, pelos titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o administrativa e por causa desse exerc\u00edcio;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\u2022<span style=\"white-space: pre\" class=\"Apple-tab-span\">\t<\/span>No n\u00ba 1 do seu art. 8\u00ba, a responsabilidade dos referidos titulares e funcion\u00e1rios, em que estes s\u00e3o pessoalmente respons\u00e1veis pelos danos que resultem de ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas, por eles praticadas com dolo ou com culpa grave, isto \u00e9, com dilig\u00eancia e zelo manifestamente inferiores \u00e0queles a que se encontravam obrigados em raz\u00e3o do cargo;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\u2022<span style=\"white-space: pre\" class=\"Apple-tab-span\">\t<\/span>No n\u00ba 2 do art. 8\u00ba, a responsabilidade solid\u00e1ria do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico com os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, se as ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es tiverem sido cometidas por estes com dolo ou com culpa grave, no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es e por causa desse exerc\u00edcio;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">\u2022<span style=\"white-space: pre\" class=\"Apple-tab-span\">\t<\/span>No n\u00ba 3 do art. 8\u00ba, o direito de regresso do Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico contra os titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, sempre que satisfa\u00e7am qualquer indemniza\u00e7\u00e3o nos termos previstos no n\u00ba 2 do referido normativo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Em suma e citando a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica,<font size=\"1\"><sup>1<\/sup><\/font>\u00a0 \u201cenquanto no n\u00ba 1 do artigo 7\u00ba se prev\u00ea a responsabilidade exclusiva do Estado e demais entidades p\u00fablicas, no n\u00ba 2 do artigo 8\u00ba encontra-se prevista a responsabilidade solid\u00e1ria entre estes e os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os, funcion\u00e1rios e agentes\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Este regime, tal como j\u00e1 fazia o anterior, defende assim que a responsabilidade pessoal dos titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, quando em causa esteja o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, s\u00f3 deve existir nos casos em que as ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es sejam cometidas com dolo ou culpa grave e n\u00e3o nos casos de culpa leve. Repare-se que nestes casos, ou seja, quando as ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es desses titulares e funcion\u00e1rios sejam cometidas, com dolo ou culpa grave, no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e por causa delas, o Estado e demais pessoas colectivas de direito p\u00fablico respondem solidariamente com aqueles perante terceiros.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">O que vale por dizer, que nos casos de dolo e culpa grave, respondem sempre solidariamente as entidades p\u00fablicas e os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios, conquanto estes tenham praticado os referidos actos no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es e por causa delas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Por exclus\u00e3o de partes, tal significa assim que os titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos s\u00f3 s\u00e3o respons\u00e1veis pessoal e exclusivamente perante terceiros quando pratiquem um acto il\u00edcito fora do exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es ou no exerc\u00edcio das mesmas, mas n\u00e3o por causa desse exerc\u00edcio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Feita esta breve an\u00e1lise sobre o regime da responsabilidade extracontratual por actos de gest\u00e3o p\u00fablica, importa agora abordar a quest\u00e3o formulada que, como j\u00e1 enunciamos, procura saber se o Munic\u00edpio pode contratar um seguro de responsabilidade civil extracontratual para os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Para al\u00e9m do exposto, cumpre ainda observar o disposto no Estatuto dos Eleitos Locais (Lei n\u00ba 29\/87, de 30 de Junho, alterada e republicada pela Lei n\u00ba 52-A\/2005, de 10 de Outubro), que define os direitos e deveres dos eleitos locais.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Da an\u00e1lise do EEL n\u00e3o resulta a obrigatoriedade de contratar um seguro de responsabilidade civil para os eleitos locais, mas t\u00e3o s\u00f3 a de contratar um seguro de acidentes pessoais e de prestar apoio nos processos judiciais que tenham como causa o exerc\u00edcio das respectivas fun\u00e7\u00f5es, nos termos previstos, respectivamente, na al. l) do n\u00ba 1 do art. 5\u00ba e art. 17\u00ba do referido Estatuto e na al. o) do n\u00ba 1 do art. 5\u00ba e art. 21\u00ba do mesmo diploma.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Da mesma forma, somos de concluir que do regime jur\u00eddico que regula a protec\u00e7\u00e3o social dos trabalhadores da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, incluindo os da administra\u00e7\u00e3o local, n\u00e3o resulta qualquer obriga\u00e7\u00e3o de contratar seguros de responsabilidade civil para os funcion\u00e1rios, mas apenas de subscrever, quando admiss\u00edveis, seguros de acidentes em servi\u00e7o. Veja-se o Decreto-Lei n\u00ba 503\/99, de 20 de Novembro (diploma que estabelece o regime jur\u00eddico dos acidentes em servi\u00e7o e das doen\u00e7as profissionais ocorridos ao servi\u00e7o de entidades empregadoras p\u00fablicas), que determina no seu art. 45\u00ba que a transfer\u00eancia dessa responsabilidade para entidades seguradoras s\u00f3 \u00e9 admiss\u00edvel na administra\u00e7\u00e3o local, permitindo-a na administra\u00e7\u00e3o central apensa nos casos devidamente justificados e vantajosos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Nestes casos, a ser admiss\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de contratos de seguro, estar-se-ia a permitir a subscri\u00e7\u00e3o de seguros de responsabilidade civil pelo Munic\u00edpio em benef\u00edcio de pessoas a quem a lei atribui expressamente responsabilidade pelos danos decorrentes das suas ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas, cometidas com dolo ou culpa grave, e pelos quais responde o respectivo patrim\u00f3nio pessoal.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Repare-se que o Munic\u00edpio desta forma, n\u00e3o obstante o direito de regresso que tem contra os titulares dos \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos nas ac\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es il\u00edcitas praticadas no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es e por causa delas, suportaria sempre, atrav\u00e9s do seu patrim\u00f3nio, os custos inerentes de um seguro do qual n\u00e3o beneficiaria.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Situa\u00e7\u00e3o diversa j\u00e1 \u00e9, por\u00e9m, aquela em que o Munic\u00edpio, nos actos de gest\u00e3o p\u00fablica em que \u00e9 civil e exclusivamente respons\u00e1vel, no termos do previsto no art. 7\u00ba da Lei n\u00ba 67\/2007, pode subscrever um seguro de responsabilidade civil extracontratual. \u00c9 que, neste caso, o Munic\u00edpio est\u00e1 a contratar um seguro para os actos em que ele pr\u00f3prio, nos termos do referido normativo, \u00e9 responsabilizado e responde atrav\u00e9s do seu patrim\u00f3nio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Mesmos nestas situa\u00e7\u00f5es, note-se, a doutrina e a jurisprud\u00eancia dominante consideram que o contrato de seguro apenas faz transferir o \u201cquantum\u201d indemnizat\u00f3rio para a entidade seguradora, n\u00e3o a responsabilidade jur\u00eddica pelo evento e a sua autoria<sup>2<\/sup>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">Desta feita, atendendo ao princ\u00edpio da legalidade segundo o qual os \u00f3rg\u00e3os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica devem pautar a sua actua\u00e7\u00e3o em estrita obedi\u00eancia \u00e0 lei e ao direito e ao facto de que a contrata\u00e7\u00e3o pelo Munic\u00edpio de um seguro de responsabilidade civil extracontratual para os titulares dos seus \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios p\u00fablicos extravasa o \u00e2mbito das suas compet\u00eancias e os direitos destes, afigura-se-nos claramente ilegal a celebra\u00e7\u00e3o de contratos de seguros que permitam, nos termos do art. 8\u00ba da Lei n\u00ba 67\/2007, transferir a responsabilidade civil resultante do exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o administrativa imput\u00e1vel a esses titulares de \u00f3rg\u00e3os e funcion\u00e1rios.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">A Divis\u00e3o de Apoio Jur\u00eddico<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">(Elisabete Maria Viegas Frutuoso)<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">1. Parecer do Conselho Consultivo da PGR, P000812007<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify\">2. Ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal Central Administrativo Norte, Proc. 02119\/04.0BEPRT, de 06.04.2006<\/div>\n<div style=\"text-align: justify\"><\/div>","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":59,"footnotes":""},"categories":[357],"tags":[187],"class_list":["post-34104","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pareceres-ate-2017","tag-text-layout"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34104"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41023,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34104\/revisions\/41023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}