{"id":33859,"date":"2006-09-13T13:03:04","date_gmt":"2006-09-13T13:03:04","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-10-25T11:08:32","modified_gmt":"2023-10-25T11:08:32","slug":"33859","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/33859\/","title":{"rendered":"Pessoal, funcion\u00e1rios, incompatibilidades, engenheiro, c\u00e2mara municipal, actividade privada"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"searchbox\">\n<div class=\"value\">Data:&nbsp;&nbsp;<strong>quarta, 13 setembro 2006<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">N\u00famero:&nbsp;<strong>3-E\/2006<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">Respons\u00e1veis:&nbsp;&nbsp;<strong>Maria Jos\u00e9 L. Castanheira Neves<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article_content\">\n<div class=\"fulltext\">\n<p align=\"justify\">Em refer\u00eancia ao of\u00edcio n \u00ba 2006, da C\u00e2mara Municipal de, e ao assunto mencionado em ep\u00edgrafe, temos a informar:<\/p>\n<div align=\"justify\">&nbsp;<\/div>\n<p align=\"justify\">A quest\u00e3o que nos formularam respeita \u00e0 possibilidade de um engenheiro do quadro de pessoal da C\u00e2mara Municipal de poder acumular a sua actividade de funcion\u00e1rio com a actividade privada de elabora\u00e7\u00e3o de projectos particulares, sujeitos a aprecia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os municipais e inseridos em processo de licenciamento ou de autoriza\u00e7\u00e3o, para cuja aprova\u00e7\u00e3o s\u00e3o competentes os \u00f3rg\u00e3os municipais do munic\u00edpio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma segunda quest\u00e3o prende-se com a aplica\u00e7\u00e3o ao processo em concreto, de 2001, de um regulamento de 2004, publicado em 2005.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 o seguinte o nosso entendimento sobre as seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<p align=\"justify\">I O artigo 269 \u00ba da nossa CRP determina no seu n \u00ba 1 que no exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es , os trabalhadores da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e demais agentes do Estado e outras entidades p\u00fablicas est\u00e3o exclusivamente ao servi\u00e7o do interesse p\u00fablico, tal como \u00e9 definido, nos termos da lei, pelos \u00f3rg\u00e3os competentes da Administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo seu n \u00ba 4, por sua vez, prescreve que n\u00e3o \u00e9 permitida a acumula\u00e7\u00e3o de empregos ou cargos p\u00fablico, salvo nos casos expressamente admitidos na lei e o n \u00ba 5 \u00ab a lei determina as incompatibilidades entre o exerc\u00edcio de empregos ou cargos p\u00fablicos e o de outras actividades \u00bb .<\/p>\n<p align=\"justify\">Nas anota\u00e7\u00f5es a este n\u00famero 5 do artigo 269 \u00ba Gomes Canotilho e Vital Moreira(1) referem que \u00ab traduz uma imposi\u00e7\u00e3o legiferante de estabelecimento do sistema de incompatibilidades, de modo a garantir n\u00e3o s\u00f3 o princ\u00edpio da imparcialidade da Administra\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m o princ\u00edpio da efici\u00eancia ( boa administra\u00e7\u00e3o ).<\/p>\n<p align=\"justify\">As incompatibilidades s\u00e3o, assim e tamb\u00e9m, um corol\u00e1rio do princ\u00edpio constitucional da imparcialidade \u2013 artigo 266\u00ba n\u00ba 2 da CRP \u2013 e significam a impossibilidade de acumular simultaneamente dois cargos ou fun\u00e7\u00f5es por a lei considerar em abstracto, independentemente da pessoa em concreto que os acumula, que essa acumula\u00e7\u00e3o \u00e9 suscept\u00edvel de p\u00f4r em causa a isen\u00e7\u00e3o e imparcialidade exigida ao cargo.<br \/>\nA PGR , no parecer n\u00ba 100\/82, de 27\/07\/82, menciona que \u00ab as incompatibilidades visam proteger a independ\u00eancia das fun\u00e7\u00f5es \u00bb.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por sua vez as incompatibilidades distinguem-se dos impedimentos, dado que estes implicam a proibi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os e agentes da administra\u00e7\u00e3o tomarem decis\u00f5es sobre assuntos em que estejam pessoalmente interessados, de forma directa ou indirecta, bem como de celebrarem ou tomarem parte em contratos celebrados com a administra\u00e7\u00e3o(2).<br \/>\nCom os impedimentos fica-se impedido de actuar n\u00e3o por raz\u00f5es abstractas que se prendam ao pr\u00f3prio cargo ( como nas incompatibilidades ) mas por raz\u00f5es concretas que respeitam \u00e0 pr\u00f3pria pessoa que ocupa um determinado cargo e aos interesses que ele possa ter naquela decis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, com base no referido n \u00ba 5 do artigo 269 \u00ba da CRP foi aprovado o decreto-lei n \u00ba 413\/93, de 23 de Dezembro, podendo ler-se no seu pre\u00e2mbulo \u00ab Ficam\u2026menos transparentes situa\u00e7\u00f5es em que poder\u00e3o ser levantadas quest\u00f5es referentes ao dever de isen\u00e7\u00e3o e \u00e0 exist\u00eancia de conflitos de interesses, decorrentes n\u00e3o s\u00f3 do exerc\u00edcio de uma actividade mas da conflu\u00eancia de interesses financeiros e ou patrimoniais, directos ou indirectos\u2026Importa\u2026insistir na clarifica\u00e7\u00e3o de regras e na defini\u00e7\u00e3o mais precisa das condutas, mediante a adop\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para as lacunas que t\u00eam vindo a ser detectadas na mat\u00e9ria, refor\u00e7ando os dispositivos e instrumentos existentes. \u00bb<\/p>\n<p align=\"justify\">Este diploma tem como \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o os funcion\u00e1rios e agentes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica central, regional e local, incluindo os institutos p\u00fablicos nas modalidades de servi\u00e7os personalizados e de fundos p\u00fablicos ( artigo 1 \u00ba ).<\/p>\n<p align=\"justify\">Por sua vez o artigo 2 \u00ba estabelece \u00ab 1. os titulares de \u00f3rg\u00e3os, funcion\u00e1rios e agentes referidos no artigo anterior n\u00e3o podem desenvolver, por si ou por interposta pessoa, a t\u00edtulo remunerado, em regime de trabalho aut\u00f3nomo ou de trabalho subordinado, actividades privadas concorrentes ou similares com as fun\u00e7\u00f5es que exercem na Administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e que com estas sejam conflituantes; 2. Consideram-se, nomeadamente, abrangidas pelo n\u00famero anterior as actividades que, tendo conte\u00fado id\u00eantico ao das fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas concretamente exercidas pelo titular do \u00f3rg\u00e3o, funcion\u00e1rio ou agente, sejam desenvolvidas de forma permanente ou habitual e se dirijam ao mesmo c\u00edrculo de destinat\u00e1rios \u00bb<\/p>\n<p align=\"justify\">Sobre o \u00e2mbito de aplica\u00e7\u00e3o deste artigo 2 \u00ba \u00e0 actividade privada desenvolvida por engenheiros e arquitectos, funcion\u00e1rios e agentes, das C\u00e2maras Municipais foram aprovadas, por unanimidade, em reuni\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o jur\u00eddica as seguintes conclus\u00f5es:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00ab Pelas raz\u00f5es aduzidas no presente parecer os t\u00e9cnicos superiores, engenheiros e arquitectos ( sejam estagi\u00e1rio, providos em lugar do quadro ou comiss\u00e3o de servi\u00e7o ) n\u00e3o podem elaborar projectos de obras que submetidos a licenciamento pela C\u00e2mara Municipal na qual exercem fun\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEstamos aqui perante um caso de incompatibilidade absoluta que, como tal, n\u00e3o poder\u00e1 ser removida atrav\u00e9s da autoriza\u00e7\u00e3o nos artigos 7 \u00ba e 8 \u00ba do dec-lei n \u00ba 413\/93.<br \/>\nEst\u00e3o ainda sujeitos ao sistema de impedimentos, que constitui uma garantia de imparcialidade da actividade administrativa, plasmada nos artigos 44 \u00ba a 51 \u00ba do C\u00f3digo do Procedimento Administrativo. \u00bb<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta reuni\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o jur\u00eddica foi realizada nos dias 17 e 18 de Outubro de 1994, nos termos e para os efeitos do consignado no Despacho n \u00ba 40\/93, de Sua Ex \u00aa o Secret\u00e1rio de Estado da Administra\u00e7\u00e3o Local e do Ordenamento do Territ\u00f3rio, publicado no DR, II s\u00e9rie, de 11\/01\/1994.<\/p>\n<p align=\"justify\">Significa, assim, que segundo o entendimento das entidades representadas na referida reuni\u00e3o existe incompatibilidade entre a actividade privada de elabora\u00e7\u00e3o de projectos integrados num procedimento de licenciamento ou de autoriza\u00e7\u00e3o cuja compet\u00eancia de aprova\u00e7\u00e3o pertence aos \u00f3rg\u00e3os municipais e as actividades p\u00fablicas dos arquitectos e engenheiros desempenhadas nessas mesmas C\u00e2maras Municipais. Esta incompatibilidade baseia-se no decreto-lei n \u00ba 413\/93, de 23\/12, pelo que basta invocar este diploma para fundamentar a incompatibilidade de fun\u00e7\u00f5es entre a actividade p\u00fablica e a privada do referido Engenheiro no que se prende com projectos apresentados na pr\u00f3pria autarquia onde exerce fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por \u00faltimo, no que respeita ao artigo 163 \u00ba do regulamento municipal referido na informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, anexa ao vosso pedido de parecer, \u00e9 nosso entendimento que o mesmo n\u00e3o veio criar nenhuma nova incompatibilidade. Quem criou essa incompatibilidade foi o referido decreto-lei n \u00ba 413\/93, tendo a norma regulamentar aplicado a incompatibilidade criada pelo referido decreto-lei \u00e0s actividades privadas relacionadas com opera\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas dos engenheiros e arquitectos municipais.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, e para o processo em concreto, deve-se invocar unicamente o decreto-lei n \u00ba 413\/93, de 23\/12, dado que o regulamento municipal entrou em vigor posteriormente \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do referido processo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por fim, acrescente-se que a lei n \u00ba 23\/2004, de 22\/06, no seu artigo 4 \u00ba veio inequivocamente esclarecer que as incompatibilidades dos contratados s\u00e3o as mesmas dos funcion\u00e1rios e agentes p\u00fablicos, dado que se inserem no conceito de emprego p\u00fablico em sentido amplo.<br \/>\n(1) J.J. Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, Anotada,3 \u00aa edi\u00e7\u00e3o revista, pag. 948.<br \/>\n(2) Diogo Freitas do Amaral, Jo\u00e3o Caupers, Jo\u00e3o Martins Claro, Jo\u00e3o Raposo, Pedro Siza Vieira, Vasco Pereira da Silva, C\u00f3digo do Procedimento Administrativo, Anotado, Coimbra, 199, pag. 82.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"justify\">Em refer\u00eancia ao of\u00edcio n \u00ba 2006, da C\u00e2mara Municipal de, e ao assunto mencionado em ep\u00edgrafe, temos a informar:<\/p>\n<div align=\"justify\">","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":38,"footnotes":""},"categories":[357],"tags":[187],"class_list":["post-33859","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pareceres-ate-2017","tag-text-layout"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33859"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41383,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33859\/revisions\/41383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}