{"id":33789,"date":"2005-11-29T15:05:52","date_gmt":"2005-11-29T15:05:52","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-10-26T13:34:11","modified_gmt":"2023-10-26T13:34:11","slug":"33789","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/33789\/","title":{"rendered":"Eleito local. Ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte. Membro de Assembleia Municipal recenseado, domiciliado e residente no estrangeiro."},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"searchbox\">\n<div class=\"value\">Data:&nbsp;&nbsp;<strong>ter\u00e7a, 29 novembro 2005<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">N\u00famero:&nbsp;<strong>211\/2005<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">Respons\u00e1veis:&nbsp;&nbsp;<strong>Ricardo da Veiga Ferr\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article_content\">\n<div class=\"fulltext\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Solicita a C\u00e2mara Municipal de \u2026, por seu of\u00edcio n\u00ba \u2026, de 25 de Outubro de 2005, a emiss\u00e3o de parecer sobre as quest\u00f5es que seguidamente se transcrevem:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nas \u00faltimas Elei\u00e7\u00f5es Aut\u00e1rquicas, foi eleito um membro para a Assembleia Municipal cuja resid\u00eancia oficial declarada e efectiva \u00e9 no estrangeiro, mais concretamente na B\u00e9lgica.<\/em><\/p>\n<p><em>Nos termos da Lei n\u00ba 29\/87, de 30 de Junho, os eleitos Locais, neste caso, membros da Assembleia Municipal, t\u00eam direito a subs\u00eddio de transporte e ajudas de custo para assistirem \u00e0s reuni\u00f5es ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias.<\/em><\/p>\n<p><em>A quest\u00e3o que se coloca e para a qual gostar\u00edamos do Parecer da Comiss\u00e3o \u00e9:<\/em><\/p>\n<p><em>Se o membro em causa tem direito \u00e0s ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte, tendo como refer\u00eancia a morada que consta do Processo Eleitoral?<\/em><\/p>\n<p><em>Em caso afirmativo como calcular o respectivo valor, nomeadamente se o valor \u00e9 calculado nos mesmos termos que em territ\u00f3rio nacional?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>I<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>A realidade subjacente \u00e0s quest\u00f5es a responder \u00e9 a seguinte:<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Um&nbsp;membro de uma Assembleia Municipal<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>est\u00e1&nbsp;recenseado&nbsp;na B\u00e9lgica<\/li>\n<\/ol>\n<p>e<\/p>\n<ol>\n<li>reside&nbsp;efectivamente (declarada e oficialmente) na B\u00e9lgica (resid\u00eancia que consta do processo eleitoral)<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Em face desta realidade, as quest\u00f5es a que cumpre responder s\u00e3o:<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>H\u00e1 lugar ao pagamento de subs\u00eddio de transporte e de ajudas de custo?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Como calcular tais pagamentos?<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><strong>II<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong>1<\/strong>. Por for\u00e7a do disposto na al\u00ednea a) do n\u00ba 1 do artigo 5\u00ba da Lei Org\u00e2nica n\u00ba&nbsp;1\/2001, de 14 de Agosto, gozam da capacidade eleitoral passiva para os \u00f3rg\u00e3os das autarquias locais os&nbsp;<strong><em>cidad\u00e3os portugueses eleitores<\/em><\/strong>, ou seja \u2013 nos termos da al\u00ednea a) do n\u00ba 1 do artigo 2\u00ba do mesmo diploma \u2013 os&nbsp;<strong><em>cidad\u00e3os portugueses maiores de 18 anos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temos pois que um qualquer cidad\u00e3o portugu\u00eas, maior de 18 anos, desde que recenseado numa das circunscri\u00e7\u00f5es de recenseamento actualmente definidas no artigo 8\u00ba da Lei n\u00ba 13\/99, de 22 de Mar\u00e7o, (novo regime jur\u00eddico do recenseamento eleitoral) \u2013 a saber,&nbsp;<em>no territ\u00f3rio nacional, a freguesia<\/em>, e&nbsp;<em>no estrangeiro, consoante os casos, o distrito consular, o pa\u00eds de resid\u00eancia, se nele apenas houver embaixada, ou a \u00e1rea de jurisdi\u00e7\u00e3o eleitoral dos postos consulares de carreira fixada em decreto regulamentar<\/em>&nbsp;\u2013&nbsp;pode ser eleito para qualquer dos \u00f3rg\u00e3os do munic\u00edpio e da freguesia&nbsp;(goza de capacidade eleitoral passiva).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, porque apenas os cidad\u00e3os eleitores inscritos no recenseamento da \u00e1rea da respectiva autarquia local podem ser eleitores dos \u00f3rg\u00e3os dessa autarquia (artigo 4\u00ba da Lei Org\u00e2nica n\u00ba 1\/2001), resulta que os&nbsp;nacionais recenseados&nbsp;nas circunscri\u00e7\u00f5es de recenseamento sedeadas&nbsp;no estrangeiro,&nbsp;n\u00e3o s\u00e3o eleitores nas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas&nbsp;(n\u00e3o goza de capacidade eleitoral activa).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chega-se deste modo \u00e0 conclus\u00e3o que um&nbsp;cidad\u00e3o nacional&nbsp;recenseado no estrangeiro<a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;pode ser eleito<a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;para os \u00f3rg\u00e3os das autarquias locais mas&nbsp;n\u00e3o pode votar nessas elei\u00e7\u00f5es,&nbsp;por, relativamente a elas, n\u00e3o ser considerado eleitor<a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>2<\/strong>. Nos termos da Lei n\u00ba 13\/99, de 22 de Mar\u00e7o, (novo regime jur\u00eddico do recenseamento eleitoral),&nbsp;<em>os eleitores s\u00e3o inscritos \u2026 no caso dos cidad\u00e3os previstos no artigo 4\u00ba&nbsp;<\/em>[no que agora importa,&nbsp;<em>os cidad\u00e3os nacionais residentes no estrangeiro<\/em>, previstos na al\u00ednea a)],<em>&nbsp;nos locais de funcionamento da entidade recenseadora correspondente ao&nbsp;domic\u00edlio&nbsp;indicado no&nbsp;t\u00edtulo de resid\u00eancia&nbsp;emitido pela entidade competente<\/em>&nbsp;(n\u00ba 1 do artigo 9\u00ba na redac\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 3\/2002, de 8 de Janeiro)<a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que, desde logo, pode ter como consequ\u00eancia que o local \u201cconcreto\u201d de resid\u00eancia possa variar, sem que se altere a circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas ainda que, em mat\u00e9ria de recenseamento, possa valer o princ\u00edpio do C\u00f3digo Civil, para o qual \u201ca pessoa tem o seu domic\u00edlio no lugar da sua resid\u00eancia habitual\u201d (artigo 82\u00ba, n\u00ba1), tal n\u00e3o prejudica, por\u00e9m, a possibilidade de exist\u00eancia de domic\u00edlios m\u00faltiplos, em caso de resid\u00eancia alternada em diversos lugares (artigo 82\u00ba, n\u00ba1,&nbsp;<em>in fine<\/em>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>3<\/strong>. Por seu lado a Lei Org\u00e2nica n\u00ba 1\/2001 \u2013 Lei Eleitoral das Autarquias Locais \u2013 fixa, de entre os requisitos gerais de apresenta\u00e7\u00e3o de candidaturas, a indica\u00e7\u00e3o, pelo candidato, da sua resid\u00eancia (n\u00ba 2 do artigo 23\u00ba).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ora, porque a lei exige tamb\u00e9m a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00e3o no recenseamento eleitoral (al\u00ednea c) do n\u00ba 5 do mesmo artigo 23\u00ba), e neste consta j\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o da (de uma) resid\u00eancia, tal s\u00f3 pode querer significar que, no que respeita a estas elei\u00e7\u00f5es, h\u00e1 a possibilidade dos candidatos indicarem uma resid\u00eancia diferente daquela que conste no recenseamento eleitoral.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>III<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Temos portanto que a resid\u00eancia que um candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas deve indicar, no processo de candidatura, \u00e9 aquela que seja efectivamente a sua \u201cresid\u00eancia habitual\u201d, correspondente ao local onde tenha, ent\u00e3o, a sede e o centro da sua vida pessoal e familiar<a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;\u2013 a qual pode localizar-se fora da \u00e1rea da autarquia em que se apresenta a sufr\u00e1gio \u2013 em virtude da n\u00e3o exig\u00eancia, pela lei, de que s\u00f3 possa ser candidato quem se encontrar recenseado na circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento ou, ao menos, em circunscri\u00e7\u00e3o do concelho onde seja candidato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Os artigos 11\u00ba e 12\u00ba da Lei n\u00ba 29\/87 conferem aos diversos membros dos \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos municipais \u2013 c\u00e2mara e assembleia municipais \u2013 o direito a ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte, de acordo com um regime pr\u00f3prio, neles fixado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso ora em apre\u00e7o, em que est\u00e1 em discuss\u00e3o o direito a ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte de&nbsp;<strong>membros de assembleia municipal<\/strong>, o regime \u00e9, concretamente, o seguinte:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>No que toca a&nbsp;<strong>ajudas de custo<\/strong>, um membro de assembleia municipal tem direito \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o,&nbsp;<em>a abonar nos termos de no quantitativo fixado para a letra A da escala geral do funcionalismo p\u00fablico<\/em>:\n<ol>\n<li>Quando se desloque&nbsp;para fora da \u00e1rea do munic\u00edpio, por motivo de servi\u00e7o&nbsp;(n\u00ba&nbsp;1 do artigo 11\u00ba);<\/li>\n<li>Quando se desloque&nbsp;do seu domic\u00edlio para assistir \u00e0s reuni\u00f5es&nbsp;ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias da assembleia municipal e das suas comiss\u00f5es (n\u00ba&nbsp;2 do artigo 11\u00ba);<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Quanto a&nbsp;<strong>subs\u00eddio de transporte<\/strong>, um membro de assembleia municipal tem direito \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o,&nbsp;<em>nos termos e segundo a tabela em vigor para a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/em>:\n<ol>\n<li>Quando se desloque&nbsp;por motivo de servi\u00e7o e n\u00e3o utilize viaturas municipais&nbsp;(n\u00ba&nbsp;1 do artigo 12\u00ba);<\/li>\n<li>Quando se desloque&nbsp;do seu domic\u00edlio para assistir \u00e0s reuni\u00f5es&nbsp;ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias da assembleia municipal e das suas comiss\u00f5es (n\u00ba&nbsp;2 do artigo 11\u00ba);<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este \u00e9 o regime legalmente definido, n\u00e3o se estabelecendo outras regras e condicionantes da sua atribui\u00e7\u00e3o \u2013 designadamente para o caso, que \u00e9 o presente, de o membro da assembleia municipal ter a sua resid\u00eancia permanente, o seu domic\u00edlio, no estrangeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>V<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>Como aplicar ent\u00e3o, aqueles regimes \u00e1 situa\u00e7\u00e3o ora em causa?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong>1<\/strong>. Em primeiro lugar, e face ao texto da lei, n\u00e3o parece que dele se possa retirar qualquer restri\u00e7\u00e3o ao pagamento de ajudas de custo e de subs\u00eddio de transporte ao deputado municipal que, residindo no estrangeiro, se desloque para assistir \u00e0s reuni\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o municipal.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>2<\/strong>. O regime legal de ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte aplic\u00e1vel nestes casos \u00e9 o que vem previsto no Decreto-Lei n\u00ba 106\/98, de 24 de Abril, para os funcion\u00e1rios e agentes da administra\u00e7\u00e3o central regional e local, por for\u00e7a do disposto no n\u00ba 1 dos artigos 11\u00ba e 12\u00ba da Lei n\u00ba 29\/87.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No que se refere a ajudas de custo, o deputado municipal ter\u00e1 assim direito \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o sempre que se desloque do local do seu domic\u00edlio de origem, em pa\u00eds estrangeiro, para assistir \u00e0s reuni\u00f5es da assembleia municipal, em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>3<\/strong>. Mas \u201cquais\u201d ajudas de custo?<\/li>\n<\/ol>\n<p>As abonadas por via de desloca\u00e7\u00e3o ao estrangeiro ou no estrangeiro, reguladas no Decreto-Lei n\u00ba 192\/95, de 28 de Julho, ou as devidas por desloca\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional, e regidas pelo j\u00e1 citado Decreto-Lei n\u00ba 106\/98?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a primeira impress\u00e3o poderia levar a que se entendesse serem devidas as ajudas de custo por desloca\u00e7\u00e3o para e no estrangeiro, certo \u00e9, por\u00e9m, que n\u00e3o deve ser assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vejamos porqu\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em causa \u00e9 a desloca\u00e7\u00e3o que um deputado municipal tenha que realizar para poder estar presente em reuni\u00e3o de assembleia municipal, reuni\u00e3o esta que tem necessariamente lugar em territ\u00f3rio nacional<a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o regime legal das ajudas de custo, o&nbsp;ponto de refer\u00eancia&nbsp;para atribui\u00e7\u00e3o da ajuda de custo \u00e9 o&nbsp;territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Nestes termos, h\u00e1 ajudas de custo para desloca\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio nacional, ajudas de custo para desloca\u00e7\u00e3o ao estrangeiro e no estrangeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ajuda de custo, tal como o seu nome indica, destina-se a suportar ou a ajudar a suportar o custo da desloca\u00e7\u00e3o num determinado territ\u00f3rio, sendo que, por isso, o respectivo montante tem em considera\u00e7\u00e3o os n\u00edveis de vida e de pre\u00e7os praticados nesse territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Da\u00ed a diferen\u00e7a de valores entre as ajudas de custo em territ\u00f3rio nacional e mo estrangeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Verdadeiramente, o que est\u00e1 em causa, na situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, \u00e9 uma desloca\u00e7\u00e3o \u201cpara\u201d o territ\u00f3rio nacional e \u201cno\u201d territ\u00f3rio nacional, local onde ser\u00e1 exercida a miss\u00e3o p\u00fablica, justificativa da atribui\u00e7\u00e3o de ajudas de custo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda que para ele assim n\u00e3o possa parecer, a desloca\u00e7\u00e3o que o deputado municipal, residente no estrangeiro, faz, tem como destino e realiza-se em territ\u00f3rio nacional \u2013 e n\u00e3o no \u201cestrangeiro\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>4<\/strong>. A ser assim, como \u00e9, a ajuda de custo a abonar dever\u00e1 s\u00ea-lo nos termos do disposto no Decreto-Lei n\u00ba 106\/98 e nos valores presentemente fixados no ponto 7\u00ba da Portaria n\u00ba 42-A\/2005, de 17 de Janeiro, como ajuda de custo em territ\u00f3rio nacional \u2013 e j\u00e1 n\u00e3o de acordo com o Decreto-Lei n\u00ba 192\/95, e correspondentes valores estabelecidos na j\u00e1 citada Portaria, como ajuda de custo no estrangeiro.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>5<\/strong>. No que toca ao subs\u00eddio de transporte, rege tamb\u00e9m o Decreto-Lei n\u00ba 106\/98, nas disposi\u00e7\u00f5es do seu cap\u00edtulo IV.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta mat\u00e9ria pode dizer-se que a regra geral \u00e9 ser o pr\u00f3prio Estado (aqui entendido num sentido amplo, onde se incluem tamb\u00e9m as autarquias locais) a assegurar, atrav\u00e9s dos seus pr\u00f3prios meios \u2013 os ve\u00edculos de servi\u00e7o (n\u00ba 1 do artigo 18\u00ba) \u2013, o transporte a quem dele tenha necessidade por raz\u00f5es de servi\u00e7o \u2013 funcion\u00e1rios ou outras entidades em miss\u00e3o oficial que implique desloca\u00e7\u00e3o \u2013 ou direito atribu\u00eddo por lei \u2013 em raz\u00e3o do exerc\u00edcio de certas fun\u00e7\u00f5es ou determinados cargos.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a regra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A excep\u00e7\u00e3o d\u00e1-se nos casos em que se verifique a falta ou haja impossibilidade do Estado disponibilizar autom\u00f3veis pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o de \u201cexcep\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201cregra alternativa\u201d, se assim se pode dizer, consiste na&nbsp;<em>utiliza\u00e7\u00e3o de transportes colectivos de servi\u00e7o p\u00fablico<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quer a regra quer a excep\u00e7\u00e3o parecem assentar na l\u00f3gica de um b\u00e1sico princ\u00edpio de economia: se o Estado disp\u00f5e de meios de transporte pr\u00f3prios deve utiliz\u00e1-los para assegurar o transporte a quem a ele tem direito; se n\u00e3o tem meios de transporte dispon\u00edveis devem ser utilizados os meios de transporte colectivo de servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda assim, a lei permite uma \u201calternativa\u201d \u00e0 \u201cexcep\u00e7\u00e3o\u201d daquela regra: em casos \u201cespeciais\u201d, ser\u00e1 ainda poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de (1) autom\u00f3vel pr\u00f3prio ou de (2) autom\u00f3vel de aluguer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, pode ainda dar-se o caso de ser poss\u00edvel o recurso a diferente meio de transporte, conquanto ele&nbsp;se&nbsp;<em>mostre mais conveniente<\/em><em>&nbsp;e desde que&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o a ele esteja fixado o respectivo abono<\/em>. De novo, aqui, a aflora\u00e7\u00e3o daquele princ\u00edpio de economia mas tamb\u00e9m de adequa\u00e7\u00e3o do meio de transporte \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o a efectuar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pode pois dizer-se que a lei prev\u00ea ao lado de um \u201cprinc\u00edpio de economia\u201d, um \u201cprinc\u00edpio de adequa\u00e7\u00e3o\u201d do meio de transporte \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o, ou seja, \u00e0 viagem a realizar. Da\u00ed parte para a possibilidade da sua utiliza\u00e7\u00e3o e consequente pagamento \u2013 e n\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>6<\/strong>. O Estatuto do Eleitos Locais diz que&nbsp;<em>os membros da assembleia municipal t\u00eam direito a subs\u00eddio de transporte quando se desloquem do seu domic\u00edlio para assistirem \u00e1s reuni\u00f5es\u2026<\/em>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>De acordo com o Decreto-Lei n\u00ba 106\/98,&nbsp;<em>o subs\u00eddio de transporte depende da utiliza\u00e7\u00e3o de autom\u00f3vel pr\u00f3prio do funcion\u00e1rio ou agente<\/em>&nbsp;(n\u00ba 1 do artigo 27\u00ba) e ser\u00e1 atribu\u00eddo&nbsp;<em>por quil\u00f3metro percorrido, calculado de forma a compensar o funcion\u00e1rio ou agente da despesa realmente efectuada<\/em>&nbsp;(al\u00ednea b) do artigo 26\u00ba).<\/p>\n<p>Parece evidente que o legislador, quando elaborou esta norma do Estatuto dos Eleitos Locais pensou apenas nas situa\u00e7\u00f5es em que os deputados municipais residam e se encontrem domiciliados no espa\u00e7o territorial da respectiva autarquia, ou no do nosso pa\u00eds. Ou melhor, nos diversos espa\u00e7os territoriais \u2013 continente e ilhas \u2013 onde se localizam as autarquias cujos respectivos \u00f3rg\u00e3os electivos integram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ora, n\u00e3o se apresenta, assim, como sustent\u00e1vel, desde logo por raz\u00f5es de tempo e dist\u00e2ncia e de comodidade, que, para o caso de um autarca residir em qualquer local fora do nosso pa\u00eds, ou seja em qualquer ponto do estrangeiro, o legislador tivesse previsto, como \u00fanica forma de este realizar as desloca\u00e7\u00f5es para assistir \u00e0s reuni\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o aut\u00e1rquico, a utiliza\u00e7\u00e3o de autom\u00f3vel, e como forma de compensar as despesas da\u00ed resultantes o pagamento com base na dist\u00e2ncia percorrida em quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>7<\/strong>. Assim sendo, resta a possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o, nestas desloca\u00e7\u00f5es, do meio de transporte&nbsp;<em>que se mostre mais conveniente<\/em>. Ora, para grandes dist\u00e2ncias, n\u00e3o pode deixar-se de considerar como o meio de transporte mais conveniente o a\u00e9reo.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deste modo, e sempre que o deputado municipal resida no estrangeiro, deve entender-se como cumprido o disposto no n\u00ba 2 do artigo 12\u00ba do Estatuto dos Eleitos Locais quando, sempre que se realize reuni\u00e3o da assembleia municipal, seja directamente suportada pela autarquia ou reembolsado o respectivo valor ao autarca (assim, o artigo 26\u00ba do Decreto Lei n\u00ba 106\/98), viagem de avi\u00e3o, ida e volta, entre o aeroporto que sirva o local da resid\u00eancia do deputado municipal e o aeroporto internacional portugu\u00eas mais pr\u00f3ximo da autarquia, em classe determinada de acordo com o disposto no n\u00ba 3 do artigo 25\u00ba do Decreto-Lei n\u00ba 106\/98.<\/p>\n<p>Para cada desloca\u00e7\u00e3o, este valor pode ser eventualmente acrescido do valor do subs\u00eddio de transporte correspondente a duas viagens entre a resid\u00eancia do autarca e o aeroporto, bem como entre o aeroporto nacional utilizado e a autarquia, se neste \u00faltimo caso a autarquia n\u00e3o disponibilizar transporte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>4<\/strong>. Por \u00faltimo cabe agora referir como compatibilizar as ajudas de custo com a desloca\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Sendo que as ajudas de custo s\u00e3o atribu\u00eddas aos membros da assembleia municipal quando estes se desloquem para assistir \u00e0s respectivas reuni\u00f5es, no caso em apre\u00e7o elas devem ser atribu\u00eddas com base no mesmo regime.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E assim elas apenas devem compreender o per\u00edodo m\u00ednimo necess\u00e1rio para o que autarca se possa deslocar, pelo meio atr\u00e1s referido, da sua resid\u00eancia at\u00e9 \u00e0 autarquia, assistir \u00e0 reuni\u00e3o e regressar \u00e0quela. A dura\u00e7\u00e3o daquele per\u00edodo est\u00e1 dependente de diversas vari\u00e1veis, mas pode considerar-se que, em abstracto, e regra geral, deve corresponder ao per\u00edodo de tempo m\u00ednimo necess\u00e1rio que, em abstracto, seja adequado para o deputado municipal se deslocar \u00e0 reuni\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o e regressar a sua casa \u2013 o que depender\u00e1 sempre da concreta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que n\u00e3o est\u00e1 de todo previsto na lei \u00e9 a possibilidade de o deputado municipal ser abonado de ajudas de custo para al\u00e9m do per\u00edodo estritamente necess\u00e1rio \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o em reuni\u00e3o da assembleia municipal.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ricardo da Veiga Ferr\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Jurista. Assessor Principal)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;Ou numa circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento eleitoral correspondente a autarquia diferente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;Ao abrigo do regime estabelecido em anterior legisla\u00e7\u00e3o, ora revogada, sobre elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas \u2013 Decreto-Lei n\u00ba 701-B\/76, de 29 de Setembro e Decreto-Lei n\u00ba 778-E\/76, de 27 de Outubro \u2013 o Tribunal Constitucional pronunciou-se j\u00e1 sobre a verifica\u00e7\u00e3o de capacidade eleitoral passiva, em tais elei\u00e7\u00f5es, no quem toca aos eleitores recenseados no estrangeiro (vd. Ac\u00f3rd\u00e3o 254\/85,&nbsp;<em>in<\/em>&nbsp;DR, II, 64, 18\/3\/1986) bem como a n\u00e3o verifica\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade na atribui\u00e7\u00e3o da mesma capacidade eleitoral a candidatos aut\u00e1rquicos recenseados na \u00e1rea de diferente autarquia local (vd. Ac\u00f3rd\u00e3o 689\/93,&nbsp;<em>in<\/em>&nbsp;DR, II, 16, 20\/1\/1994).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>&nbsp;Esta conclus\u00e3o \u2013 reafirmada em diversas perspectivas por v\u00e1rios arestos do Tribunal Constitucional (desde logo, os j\u00e1 citados Ac\u00f3rd\u00e3os n\u00bas 254\/85 e 689\/93, mas tamb\u00e9m o Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 668\/97) \u2013 aparece como um tanto desprovida de l\u00f3gica e de sentido, designadamente face \u00e0 altera\u00e7\u00e3o ao artigo 5\u00ba da Lei Eleitoral da Autarquias Locais, introduzida pela Lei n\u00ba 50\/96, que atribuiu a estrangeiros oriundos dos estados-membros de EU e de outros pa\u00edses bem como a cidad\u00e3os origin\u00e1rios dos pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa, em regime de reciprocidade, capacidade eleitoral passiva, desde que esses estrangeiros&nbsp;se encontrem recenseados em Portugal, por a\u00ed serem residentes (al\u00edneas b), c) e d) do artigo 4\u00ba da Lei n\u00ba 13\/99).<\/p>\n<p>Nestes casos continua a vigorar o princ\u00edpio geral de direito eleitoral de que \u201c<em>quem elege pode ser eleito<\/em>\u201d, bem como, no que toca \u00e0 capacidade eleitoral passiva, um \u201c<em>princ\u00edpio de territorialidade<\/em>\u201d \u2013 ou seja uma liga\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o ao territ\u00f3rio da autarquia, ao menos ao territ\u00f3rio nacional \u2013 o que se n\u00e3o verifica em rela\u00e7\u00e3o aos portugueses recenseados no estrangeiro, sem que para isso se encontre um razo\u00e1vel fundamento [a raz\u00e3o alegada pelo Tribunal Constitucional de que, caso se n\u00e3o admitisse a elegibilidade de portugueses recenseados no estrangeiro se estaria a criar, pela al\u00e9m do disposto na lei, uma nova classe de inelegibilidades, n\u00e3o colhe, desde logo a unanimidade no mesmo].<\/p>\n<p>A ser deste modo, o que assim se permite \u00e9 que um portugu\u00eas h\u00e1 muito residente num long\u00ednquo e remoto local de distante pa\u00eds possa vir a ser membro de uma assembleia municipal, ainda que j\u00e1 nenhum la\u00e7o (de \u201cperten\u00e7a\u201d, de \u201cproximidade\u201d, de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social) o ligue a essa autarquia. Ora s\u00e3o estes la\u00e7os o fundamento \u00faltimo para a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o e exist\u00eancia de autarquias locais e de autarcas locais (e que constituem tamb\u00e9m a justifica\u00e7\u00e3o para que posam sejam eleg\u00edveis para \u00f3rg\u00e3o de uma autarquia cidad\u00e3os recenseados numa outra, em virtude dos la\u00e7os que det\u00eam e os ligam \u00e0 primeira delas \u2013 assim Ac\u00f3rd\u00e3o TC n\u00ba 689\/93).<\/p>\n<p>A jusante da admissibilidade daquela descrita hip\u00f3tese \u2013 que bem pode ser uma realidade \u2013 o encargo da autarquia de pagar passagens de avi\u00e3o e outras despesas de transporte sempre que se realize uma assembleia municipal!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;Por seu lado, as entidades recenseadoras apenas podem recensear os eleitores cujo local de resid\u00eancia, comprovado nos termos legalmente estabelecidos, esteja dentro do \u00e2mbito espacial da sua circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento (n\u00ba 2 do artigo 27, da Lei n\u00ba 13\/99, na redac\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 3\/2002).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>&nbsp;Ali\u00e1s, nada impede que, ao longo do mandato, o eleito local mude de resid\u00eancia, dentro ou fora, para dentro ou para fora da \u00e1rea da autarquia \u2013 o que nada influi quer no que toca \u00e0 normal subsist\u00eancia do mandato eleitoral, quer quanto ao seu exerc\u00edcio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ccdrc.pt\/index.php?option=com_pareceres&amp;view=details&amp;id=1762&amp;Itemid=45#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>&nbsp;Para n\u00e3o dizer j\u00e1 que as reuni\u00f5es da assembleia municipal dever\u00e3o realizar-se sempre no territ\u00f3rio do respectivo munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o havendo afirma\u00e7\u00e3o legal expressa nesse sentido, vigora nesta mat\u00e9ria um \u201cprinc\u00edpio de territorialidade\u201d, o que \u00e9 por dizer que os \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos devem funcionar regularmente \u2013 admitindo-se por\u00e9m que posa haver rara excep\u00e7\u00e3o por via de situa\u00e7\u00e3o protocolar, de representa\u00e7\u00e3o oficial ou cortesia, ou por for\u00e7a de evento absolutamente excepcional (cat\u00e1strofe, por exemplo) \u2013 dentro do territ\u00f3rio da respectiva circunscri\u00e7\u00e3o aut\u00e1rquica, ou seja do munic\u00edpio ou concelho e da freguesia. Desde logo porque h\u00e1 um direito de participa\u00e7\u00e3o, ou ao menos, de presen\u00e7a, das popula\u00e7\u00f5es nesses \u00f3rg\u00e3os e n\u00e3o faria sentido que para tal se tivessem que deslocar para fora do territ\u00f3rio da sua autarquia.<\/p>\n<p>N\u00e3o far\u00e1 muito sentido, salvo aquelas situa\u00e7\u00f5es excepcionais, que, por exemplo, se possam realizar regularmente assembleias municipais fora da \u00e1rea do respectivo concelho.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"icons\">&nbsp;<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Solicita a C\u00e2mara Municipal de \u2026, por seu of\u00edcio n\u00ba \u2026, de 25 de Outubro de 2005, a emiss\u00e3o de parecer sobre as quest\u00f5es que seguidamente se transcrevem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Nas \u00faltimas Elei\u00e7\u00f5es Aut\u00e1rquicas, foi eleito um membro para a Assembleia Municipal cuja resid\u00eancia oficial declarada e efectiva \u00e9 no estrangeiro, mais concretamente na B\u00e9lgica.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Nos termos da Lei n\u00ba 29\/87, de 30 de Junho, os eleitos Locais, neste caso, membros da Assembleia Municipal, t\u00eam direito a subs\u00eddio de transporte e ajudas de custo para assistirem \u00e0s reuni\u00f5es ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>A quest\u00e3o que se coloca e para a qual gostar\u00edamos do Parecer da Comiss\u00e3o \u00e9:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Se o membro em causa tem direito \u00e0s ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte, tendo como refer\u00eancia a morada que consta do Processo Eleitoral?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Em caso afirmativo como calcular o respectivo valor, nomeadamente se o valor \u00e9 calculado nos mesmos termos que em territ\u00f3rio nacional?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify\">\n<li>A realidade subjacente \u00e0s quest\u00f5es a responder \u00e9 a seguinte:<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li>Um <span style=\"text-decoration: underline\">membro de uma Assembleia Municipal<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li>est\u00e1 <span style=\"text-decoration: underline\">recenseado<\/span> na B\u00e9lgica<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">e<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li><span style=\"text-decoration: underline\">reside<\/span> efectivamente (declarada e oficialmente) na B\u00e9lgica (resid\u00eancia que consta do processo eleitoral)<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"text-decoration: underline\">\u00a0<\/span><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify\">\n<li>Em face desta realidade, as quest\u00f5es a que cumpre responder s\u00e3o:<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li>H\u00e1 lugar ao pagamento de subs\u00eddio de transporte e de ajudas de custo?<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li>Como calcular tais pagamentos?<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li><strong>1<\/strong>. Por for\u00e7a do disposto na al\u00ednea a) do n\u00ba 1 do artigo 5\u00ba da Lei Org\u00e2nica n\u00ba\u00a01\/2001, de 14 de Agosto, gozam da capacidade eleitoral passiva para os \u00f3rg\u00e3os das autarquias locais os <strong><em>cidad\u00e3os portugueses eleitores<\/em><\/strong>, ou seja \u2013 nos termos da al\u00ednea a) do n\u00ba 1 do artigo 2\u00ba do mesmo diploma \u2013 os <strong><em>cidad\u00e3os portugueses maiores de 18 anos<\/em><\/strong>.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos pois que um qualquer cidad\u00e3o portugu\u00eas, maior de 18 anos, desde que recenseado numa das circunscri\u00e7\u00f5es de recenseamento actualmente definidas no artigo 8\u00ba da Lei n\u00ba 13\/99, de 22 de Mar\u00e7o, (novo regime jur\u00eddico do recenseamento eleitoral) \u2013 a saber, <em>no territ\u00f3rio nacional, a freguesia<\/em>, e <em>no estrangeiro, consoante os casos, o distrito consular, o pa\u00eds de resid\u00eancia, se nele apenas houver embaixada, ou a \u00e1rea de jurisdi\u00e7\u00e3o eleitoral dos postos consulares de carreira fixada em decreto regulamentar<\/em> \u2013 <span style=\"text-decoration: underline\">pode ser eleito para qualquer dos \u00f3rg\u00e3os do munic\u00edpio e da freguesia<\/span> (goza de capacidade eleitoral passiva).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, porque apenas os cidad\u00e3os eleitores inscritos no recenseamento da \u00e1rea da respectiva autarquia local podem ser eleitores dos \u00f3rg\u00e3os dessa autarquia (artigo 4\u00ba da Lei Org\u00e2nica n\u00ba 1\/2001), resulta que os <span style=\"text-decoration: underline\">nacionais recenseados<\/span> nas circunscri\u00e7\u00f5es de recenseamento sedeadas <span style=\"text-decoration: underline\">no estrangeiro<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline\">n\u00e3o s\u00e3o eleitores nas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas<\/span> (n\u00e3o goza de capacidade eleitoral activa).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chega-se deste modo \u00e0 conclus\u00e3o que um <span style=\"text-decoration: underline\">cidad\u00e3o nacional<\/span> <span style=\"text-decoration: underline\">recenseado no estrangeiro<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><span style=\"text-decoration: underline\">[1]<\/span><\/a><\/span> <span style=\"text-decoration: underline\">pode ser eleito<\/span><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> para os \u00f3rg\u00e3os das autarquias locais mas <span style=\"text-decoration: underline\">n\u00e3o pode votar nessas elei\u00e7\u00f5es<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline\">por, relativamente a elas, n\u00e3o ser considerado eleitor<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><span style=\"text-decoration: underline\">[3]<\/span><\/a><\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"2\">\n<li><strong>2<\/strong>. Nos termos da Lei n\u00ba 13\/99, de 22 de Mar\u00e7o, (novo regime jur\u00eddico do recenseamento eleitoral), <em>os eleitores s\u00e3o inscritos \u2026 no caso dos cidad\u00e3os previstos no artigo 4\u00ba <\/em>[no que agora importa, <em>os cidad\u00e3os nacionais residentes no estrangeiro<\/em>, previstos na al\u00ednea a)],<em> nos locais de funcionamento da entidade recenseadora correspondente ao <span style=\"text-decoration: underline\">domic\u00edlio<\/span> indicado no <span style=\"text-decoration: underline\">t\u00edtulo de resid\u00eancia<\/span> emitido pela entidade competente<\/em> (n\u00ba 1 do artigo 9\u00ba na redac\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 3\/2002, de 8 de Janeiro)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que, desde logo, pode ter como consequ\u00eancia que o local \u201cconcreto\u201d de resid\u00eancia possa variar, sem que se altere a circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas ainda que, em mat\u00e9ria de recenseamento, possa valer o princ\u00edpio do C\u00f3digo Civil, para o qual \u201ca pessoa tem o seu domic\u00edlio no lugar da sua resid\u00eancia habitual\u201d (artigo 82\u00ba, n\u00ba1), tal n\u00e3o prejudica, por\u00e9m, a possibilidade de exist\u00eancia de domic\u00edlios m\u00faltiplos, em caso de resid\u00eancia alternada em diversos lugares (artigo 82\u00ba, n\u00ba1, <em>in fine<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"3\">\n<li><strong>3<\/strong>. Por seu lado a Lei Org\u00e2nica n\u00ba 1\/2001 \u2013 Lei Eleitoral das Autarquias Locais \u2013 fixa, de entre os requisitos gerais de apresenta\u00e7\u00e3o de candidaturas, a indica\u00e7\u00e3o, pelo candidato, da sua resid\u00eancia (n\u00ba 2 do artigo 23\u00ba).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora, porque a lei exige tamb\u00e9m a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00e3o no recenseamento eleitoral (al\u00ednea c) do n\u00ba 5 do mesmo artigo 23\u00ba), e neste consta j\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o da (de uma) resid\u00eancia, tal s\u00f3 pode querer significar que, no que respeita a estas elei\u00e7\u00f5es, h\u00e1 a possibilidade dos candidatos indicarem uma resid\u00eancia diferente daquela que conste no recenseamento eleitoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>III<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos portanto que a resid\u00eancia que um candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas deve indicar, no processo de candidatura, \u00e9 aquela que seja efectivamente a sua \u201cresid\u00eancia habitual\u201d, correspondente ao local onde tenha, ent\u00e3o, a sede e o centro da sua vida pessoal e familiar<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> \u2013 a qual pode localizar-se fora da \u00e1rea da autarquia em que se apresenta a sufr\u00e1gio \u2013 em virtude da n\u00e3o exig\u00eancia, pela lei, de que s\u00f3 possa ser candidato quem se encontrar recenseado na circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento ou, ao menos, em circunscri\u00e7\u00e3o do concelho onde seja candidato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>IV<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os artigos 11\u00ba e 12\u00ba da Lei n\u00ba 29\/87 conferem aos diversos membros dos \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos municipais \u2013 c\u00e2mara e assembleia municipais \u2013 o direito a ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte, de acordo com um regime pr\u00f3prio, neles fixado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No caso ora em apre\u00e7o, em que est\u00e1 em discuss\u00e3o o direito a ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte de <strong><span style=\"text-decoration: underline\">membros de assembleia municipal<\/span><\/strong>, o regime \u00e9, concretamente, o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify\">\n<li>No que toca a <strong>ajudas de custo<\/strong>, um membro de assembleia municipal tem direito \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o, <em>a abonar nos termos de no quantitativo fixado para a letra A da escala geral do funcionalismo p\u00fablico<\/em>:\n<ol>\n<li>Quando se desloque <span style=\"text-decoration: underline\">para fora da \u00e1rea do munic\u00edpio, por motivo de servi\u00e7o<\/span> (n\u00ba\u00a01 do artigo 11\u00ba);<\/li>\n<li>Quando se desloque <span style=\"text-decoration: underline\">do seu domic\u00edlio para assistir \u00e0s reuni\u00f5es<\/span> ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias da assembleia municipal e das suas comiss\u00f5es (n\u00ba\u00a02 do artigo 11\u00ba);<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify\">\n<li>Quanto a <strong>subs\u00eddio de transporte<\/strong>, um membro de assembleia municipal tem direito \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o, <em>nos termos e segundo a tabela em vigor para a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/em>:\n<ol>\n<li>Quando se desloque <span style=\"text-decoration: underline\">por motivo de servi\u00e7o e n\u00e3o utilize viaturas municipais<\/span> (n\u00ba\u00a01 do artigo 12\u00ba);<\/li>\n<li>Quando se desloque <span style=\"text-decoration: underline\">do seu domic\u00edlio para assistir \u00e0s reuni\u00f5es<\/span> ordin\u00e1rias e extraordin\u00e1rias da assembleia municipal e das suas comiss\u00f5es (n\u00ba\u00a02 do artigo 11\u00ba);<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este \u00e9 o regime legalmente definido, n\u00e3o se estabelecendo outras regras e condicionantes da sua atribui\u00e7\u00e3o \u2013 designadamente para o caso, que \u00e9 o presente, de o membro da assembleia municipal ter a sua resid\u00eancia permanente, o seu domic\u00edlio, no estrangeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>V<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como aplicar ent\u00e3o, aqueles regimes \u00e1 situa\u00e7\u00e3o ora em causa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li><strong>1<\/strong>. Em primeiro lugar, e face ao texto da lei, n\u00e3o parece que dele se possa retirar qualquer restri\u00e7\u00e3o ao pagamento de ajudas de custo e de subs\u00eddio de transporte ao deputado municipal que, residindo no estrangeiro, se desloque para assistir \u00e0s reuni\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o municipal.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"2\">\n<li><strong>2<\/strong>. O regime legal de ajudas de custo e subs\u00eddio de transporte aplic\u00e1vel nestes casos \u00e9 o que vem previsto no Decreto-Lei n\u00ba 106\/98, de 24 de Abril, para os funcion\u00e1rios e agentes da administra\u00e7\u00e3o central regional e local, por for\u00e7a do disposto no n\u00ba 1 dos artigos 11\u00ba e 12\u00ba da Lei n\u00ba 29\/87.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No que se refere a ajudas de custo, o deputado municipal ter\u00e1 assim direito \u00e0 sua percep\u00e7\u00e3o sempre que se desloque do local do seu domic\u00edlio de origem, em pa\u00eds estrangeiro, para assistir \u00e0s reuni\u00f5es da assembleia municipal, em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"3\">\n<li><strong>3<\/strong>. Mas \u201cquais\u201d ajudas de custo?<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">As abonadas por via de desloca\u00e7\u00e3o ao estrangeiro ou no estrangeiro, reguladas no Decreto-Lei n\u00ba 192\/95, de 28 de Julho, ou as devidas por desloca\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio nacional, e regidas pelo j\u00e1 citado Decreto-Lei n\u00ba 106\/98?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a primeira impress\u00e3o poderia levar a que se entendesse serem devidas as ajudas de custo por desloca\u00e7\u00e3o para e no estrangeiro, certo \u00e9, por\u00e9m, que n\u00e3o deve ser assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vejamos porqu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que est\u00e1 em causa \u00e9 a desloca\u00e7\u00e3o que um deputado municipal tenha que realizar para poder estar presente em reuni\u00e3o de assembleia municipal, reuni\u00e3o esta que tem necessariamente lugar em territ\u00f3rio nacional<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo o regime legal das ajudas de custo, o <span style=\"text-decoration: underline\">ponto de refer\u00eancia<\/span> para atribui\u00e7\u00e3o da ajuda de custo \u00e9 o <span style=\"text-decoration: underline\">territ\u00f3rio nacional<\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nestes termos, h\u00e1 ajudas de custo para desloca\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio nacional, ajudas de custo para desloca\u00e7\u00e3o ao estrangeiro e no estrangeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ajuda de custo, tal como o seu nome indica, destina-se a suportar ou a ajudar a suportar o custo da desloca\u00e7\u00e3o num determinado territ\u00f3rio, sendo que, por isso, o respectivo montante tem em considera\u00e7\u00e3o os n\u00edveis de vida e de pre\u00e7os praticados nesse territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed a diferen\u00e7a de valores entre as ajudas de custo em territ\u00f3rio nacional e mo estrangeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Verdadeiramente, o que est\u00e1 em causa, na situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, \u00e9 uma desloca\u00e7\u00e3o \u201cpara\u201d o territ\u00f3rio nacional e \u201cno\u201d territ\u00f3rio nacional, local onde ser\u00e1 exercida a miss\u00e3o p\u00fablica, justificativa da atribui\u00e7\u00e3o de ajudas de custo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda que para ele assim n\u00e3o possa parecer, a desloca\u00e7\u00e3o que o deputado municipal, residente no estrangeiro, faz, tem como destino e realiza-se em territ\u00f3rio nacional \u2013 e n\u00e3o no \u201cestrangeiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"4\">\n<li><strong>4<\/strong>. A ser assim, como \u00e9, a ajuda de custo a abonar dever\u00e1 s\u00ea-lo nos termos do disposto no Decreto-Lei n\u00ba 106\/98 e nos valores presentemente fixados no ponto 7\u00ba da Portaria n\u00ba 42-A\/2005, de 17 de Janeiro, como ajuda de custo em territ\u00f3rio nacional \u2013 e j\u00e1 n\u00e3o de acordo com o Decreto-Lei n\u00ba 192\/95, e correspondentes valores estabelecidos na j\u00e1 citada Portaria, como ajuda de custo no estrangeiro.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"5\">\n<li><strong>5<\/strong>. No que toca ao subs\u00eddio de transporte, rege tamb\u00e9m o Decreto-Lei n\u00ba 106\/98, nas disposi\u00e7\u00f5es do seu cap\u00edtulo IV.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta mat\u00e9ria pode dizer-se que a regra geral \u00e9 ser o pr\u00f3prio Estado (aqui entendido num sentido amplo, onde se incluem tamb\u00e9m as autarquias locais) a assegurar, atrav\u00e9s dos seus pr\u00f3prios meios \u2013 os ve\u00edculos de servi\u00e7o (n\u00ba 1 do artigo 18\u00ba) \u2013, o transporte a quem dele tenha necessidade por raz\u00f5es de servi\u00e7o \u2013 funcion\u00e1rios ou outras entidades em miss\u00e3o oficial que implique desloca\u00e7\u00e3o \u2013 ou direito atribu\u00eddo por lei \u2013 em raz\u00e3o do exerc\u00edcio de certas fun\u00e7\u00f5es ou determinados cargos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta \u00e9 a regra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A excep\u00e7\u00e3o d\u00e1-se nos casos em que se verifique a falta ou haja impossibilidade do Estado disponibilizar autom\u00f3veis pr\u00f3prios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa situa\u00e7\u00e3o de \u201cexcep\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201cregra alternativa\u201d, se assim se pode dizer, consiste na <em>utiliza\u00e7\u00e3o de transportes colectivos de servi\u00e7o p\u00fablico<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quer a regra quer a excep\u00e7\u00e3o parecem assentar na l\u00f3gica de um b\u00e1sico princ\u00edpio de economia: se o Estado disp\u00f5e de meios de transporte pr\u00f3prios deve utiliz\u00e1-los para assegurar o transporte a quem a ele tem direito; se n\u00e3o tem meios de transporte dispon\u00edveis devem ser utilizados os meios de transporte colectivo de servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda assim, a lei permite uma \u201calternativa\u201d \u00e0 \u201cexcep\u00e7\u00e3o\u201d daquela regra: em casos \u201cespeciais\u201d, ser\u00e1 ainda poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de (1) autom\u00f3vel pr\u00f3prio ou de (2) autom\u00f3vel de aluguer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contudo, pode ainda dar-se o caso de ser poss\u00edvel o recurso a diferente meio de transporte, conquanto ele <span style=\"text-decoration: underline\">se <em>mostre mais conveniente<\/em><\/span><em> e desde que <span style=\"text-decoration: underline\">em rela\u00e7\u00e3o a ele esteja fixado o respectivo abono<\/span><\/em>. De novo, aqui, a aflora\u00e7\u00e3o daquele princ\u00edpio de economia mas tamb\u00e9m de adequa\u00e7\u00e3o do meio de transporte \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o a efectuar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pode pois dizer-se que a lei prev\u00ea ao lado de um \u201cprinc\u00edpio de economia\u201d, um \u201cprinc\u00edpio de adequa\u00e7\u00e3o\u201d do meio de transporte \u00e0 desloca\u00e7\u00e3o, ou seja, \u00e0 viagem a realizar. Da\u00ed parte para a possibilidade da sua utiliza\u00e7\u00e3o e consequente pagamento \u2013 e n\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"6\">\n<li><strong>6<\/strong>. O Estatuto do Eleitos Locais diz que <em>os membros da assembleia municipal t\u00eam direito a subs\u00eddio de transporte quando se desloquem do seu domic\u00edlio para assistirem \u00e1s reuni\u00f5es\u2026<\/em>.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com o Decreto-Lei n\u00ba 106\/98, <em>o subs\u00eddio de transporte depende da utiliza\u00e7\u00e3o de autom\u00f3vel pr\u00f3prio do funcion\u00e1rio ou agente<\/em> (n\u00ba 1 do artigo 27\u00ba) e ser\u00e1 atribu\u00eddo <em>por quil\u00f3metro percorrido, calculado de forma a compensar o funcion\u00e1rio ou agente da despesa realmente efectuada<\/em> (al\u00ednea b) do artigo 26\u00ba).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Parece evidente que o legislador, quando elaborou esta norma do Estatuto dos Eleitos Locais pensou apenas nas situa\u00e7\u00f5es em que os deputados municipais residam e se encontrem domiciliados no espa\u00e7o territorial da respectiva autarquia, ou no do nosso pa\u00eds. Ou melhor, nos diversos espa\u00e7os territoriais \u2013 continente e ilhas \u2013 onde se localizam as autarquias cujos respectivos \u00f3rg\u00e3os electivos integram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora, n\u00e3o se apresenta, assim, como sustent\u00e1vel, desde logo por raz\u00f5es de tempo e dist\u00e2ncia e de comodidade, que, para o caso de um autarca residir em qualquer local fora do nosso pa\u00eds, ou seja em qualquer ponto do estrangeiro, o legislador tivesse previsto, como \u00fanica forma de este realizar as desloca\u00e7\u00f5es para assistir \u00e0s reuni\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o aut\u00e1rquico, a utiliza\u00e7\u00e3o de autom\u00f3vel, e como forma de compensar as despesas da\u00ed resultantes o pagamento com base na dist\u00e2ncia percorrida em quil\u00f3metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"7\">\n<li><strong>7<\/strong>. Assim sendo, resta a possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o, nestas desloca\u00e7\u00f5es, do meio de transporte <em>que se mostre mais conveniente<\/em>. Ora, para grandes dist\u00e2ncias, n\u00e3o pode deixar-se de considerar como o meio de transporte mais conveniente o a\u00e9reo.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deste modo, e sempre que o deputado municipal resida no estrangeiro, deve entender-se como cumprido o disposto no n\u00ba 2 do artigo 12\u00ba do Estatuto dos Eleitos Locais quando, sempre que se realize reuni\u00e3o da assembleia municipal, seja directamente suportada pela autarquia ou reembolsado o respectivo valor ao autarca (assim, o artigo 26\u00ba do Decreto Lei n\u00ba 106\/98), viagem de avi\u00e3o, ida e volta, entre o aeroporto que sirva o local da resid\u00eancia do deputado municipal e o aeroporto internacional portugu\u00eas mais pr\u00f3ximo da autarquia, em classe determinada de acordo com o disposto no n\u00ba 3 do artigo 25\u00ba do Decreto-Lei n\u00ba 106\/98.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para cada desloca\u00e7\u00e3o, este valor pode ser eventualmente acrescido do valor do subs\u00eddio de transporte correspondente a duas viagens entre a resid\u00eancia do autarca e o aeroporto, bem como entre o aeroporto nacional utilizado e a autarquia, se neste \u00faltimo caso a autarquia n\u00e3o disponibilizar transporte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\" start=\"4\">\n<li><strong>4<\/strong>. Por \u00faltimo cabe agora referir como compatibilizar as ajudas de custo com a desloca\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Sendo que as ajudas de custo s\u00e3o atribu\u00eddas aos membros da assembleia municipal quando estes se desloquem para assistir \u00e0s respectivas reuni\u00f5es, no caso em apre\u00e7o elas devem ser atribu\u00eddas com base no mesmo regime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E assim elas apenas devem compreender o per\u00edodo m\u00ednimo necess\u00e1rio para o que autarca se possa deslocar, pelo meio atr\u00e1s referido, da sua resid\u00eancia at\u00e9 \u00e0 autarquia, assistir \u00e0 reuni\u00e3o e regressar \u00e0quela. A dura\u00e7\u00e3o daquele per\u00edodo est\u00e1 dependente de diversas vari\u00e1veis, mas pode considerar-se que, em abstracto, e regra geral, deve corresponder ao per\u00edodo de tempo m\u00ednimo necess\u00e1rio que, em abstracto, seja adequado para o deputado municipal se deslocar \u00e0 reuni\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o e regressar a sua casa \u2013 o que depender\u00e1 sempre da concreta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que n\u00e3o est\u00e1 de todo previsto na lei \u00e9 a possibilidade de o deputado municipal ser abonado de ajudas de custo para al\u00e9m do per\u00edodo estritamente necess\u00e1rio \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o em reuni\u00e3o da assembleia municipal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ricardo da Veiga Ferr\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(Jurista. Assessor Principal)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ou numa circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento eleitoral correspondente a autarquia diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ao abrigo do regime estabelecido em anterior legisla\u00e7\u00e3o, ora revogada, sobre elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas \u2013 Decreto-Lei n\u00ba 701-B\/76, de 29 de Setembro e Decreto-Lei n\u00ba 778-E\/76, de 27 de Outubro \u2013 o Tribunal Constitucional pronunciou-se j\u00e1 sobre a verifica\u00e7\u00e3o de capacidade eleitoral passiva, em tais elei\u00e7\u00f5es, no quem toca aos eleitores recenseados no estrangeiro (vd. Ac\u00f3rd\u00e3o 254\/85, <em>in<\/em> DR, II, 64, 18\/3\/1986) bem como a n\u00e3o verifica\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade na atribui\u00e7\u00e3o da mesma capacidade eleitoral a candidatos aut\u00e1rquicos recenseados na \u00e1rea de diferente autarquia local (vd. Ac\u00f3rd\u00e3o 689\/93, <em>in<\/em> DR, II, 16, 20\/1\/1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Esta conclus\u00e3o \u2013 reafirmada em diversas perspectivas por v\u00e1rios arestos do Tribunal Constitucional (desde logo, os j\u00e1 citados Ac\u00f3rd\u00e3os n\u00bas 254\/85 e 689\/93, mas tamb\u00e9m o Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 668\/97) \u2013 aparece como um tanto desprovida de l\u00f3gica e de sentido, designadamente face \u00e0 altera\u00e7\u00e3o ao artigo 5\u00ba da Lei Eleitoral da Autarquias Locais, introduzida pela Lei n\u00ba 50\/96, que atribuiu a estrangeiros oriundos dos estados-membros de EU e de outros pa\u00edses bem como a cidad\u00e3os origin\u00e1rios dos pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa, em regime de reciprocidade, capacidade eleitoral passiva, desde que esses estrangeiros <span style=\"text-decoration: underline\">se encontrem recenseados em Portugal<\/span>, por a\u00ed serem residentes (al\u00edneas b), c) e d) do artigo 4\u00ba da Lei n\u00ba 13\/99).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nestes casos continua a vigorar o princ\u00edpio geral de direito eleitoral de que \u201c<em>quem elege pode ser eleito<\/em>\u201d, bem como, no que toca \u00e0 capacidade eleitoral passiva, um \u201c<em>princ\u00edpio de territorialidade<\/em>\u201d \u2013 ou seja uma liga\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o ao territ\u00f3rio da autarquia, ao menos ao territ\u00f3rio nacional \u2013 o que se n\u00e3o verifica em rela\u00e7\u00e3o aos portugueses recenseados no estrangeiro, sem que para isso se encontre um razo\u00e1vel fundamento [a raz\u00e3o alegada pelo Tribunal Constitucional de que, caso se n\u00e3o admitisse a elegibilidade de portugueses recenseados no estrangeiro se estaria a criar, pela al\u00e9m do disposto na lei, uma nova classe de inelegibilidades, n\u00e3o colhe, desde logo a unanimidade no mesmo].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ser deste modo, o que assim se permite \u00e9 que um portugu\u00eas h\u00e1 muito residente num long\u00ednquo e remoto local de distante pa\u00eds possa vir a ser membro de uma assembleia municipal, ainda que j\u00e1 nenhum la\u00e7o (de \u201cperten\u00e7a\u201d, de \u201cproximidade\u201d, de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social) o ligue a essa autarquia. Ora s\u00e3o estes la\u00e7os o fundamento \u00faltimo para a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o e exist\u00eancia de autarquias locais e de autarcas locais (e que constituem tamb\u00e9m a justifica\u00e7\u00e3o para que posam sejam eleg\u00edveis para \u00f3rg\u00e3o de uma autarquia cidad\u00e3os recenseados numa outra, em virtude dos la\u00e7os que det\u00eam e os ligam \u00e0 primeira delas \u2013 assim Ac\u00f3rd\u00e3o TC n\u00ba 689\/93).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A jusante da admissibilidade daquela descrita hip\u00f3tese \u2013 que bem pode ser uma realidade \u2013 o encargo da autarquia de pagar passagens de avi\u00e3o e outras despesas de transporte sempre que se realize uma assembleia municipal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Por seu lado, as entidades recenseadoras apenas podem recensear os eleitores cujo local de resid\u00eancia, comprovado nos termos legalmente estabelecidos, esteja dentro do \u00e2mbito espacial da sua circunscri\u00e7\u00e3o de recenseamento (n\u00ba 2 do artigo 27, da Lei n\u00ba 13\/99, na redac\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 3\/2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ali\u00e1s, nada impede que, ao longo do mandato, o eleito local mude de resid\u00eancia, dentro ou fora, para dentro ou para fora da \u00e1rea da autarquia \u2013 o que nada influi quer no que toca \u00e0 normal subsist\u00eancia do mandato eleitoral, quer quanto ao seu exerc\u00edcio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Para n\u00e3o dizer j\u00e1 que as reuni\u00f5es da assembleia municipal dever\u00e3o realizar-se sempre no territ\u00f3rio do respectivo munic\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda que n\u00e3o havendo afirma\u00e7\u00e3o legal expressa nesse sentido, vigora nesta mat\u00e9ria um \u201cprinc\u00edpio de territorialidade\u201d, o que \u00e9 por dizer que os \u00f3rg\u00e3os aut\u00e1rquicos devem funcionar regularmente \u2013 admitindo-se por\u00e9m que posa haver rara excep\u00e7\u00e3o por via de situa\u00e7\u00e3o protocolar, de representa\u00e7\u00e3o oficial ou cortesia, ou por for\u00e7a de evento absolutamente excepcional (cat\u00e1strofe, por exemplo) \u2013 dentro do territ\u00f3rio da respectiva circunscri\u00e7\u00e3o aut\u00e1rquica, ou seja do munic\u00edpio ou concelho e da freguesia. Desde logo porque h\u00e1 um direito de participa\u00e7\u00e3o, ou ao menos, de presen\u00e7a, das popula\u00e7\u00f5es nesses \u00f3rg\u00e3os e n\u00e3o faria sentido que para tal se tivessem que deslocar para fora do territ\u00f3rio da sua autarquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o far\u00e1 muito sentido, salvo aquelas situa\u00e7\u00f5es excepcionais, que, por exemplo, se possam realizar regularmente assembleias municipais fora da \u00e1rea do respectivo concelho.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":25,"footnotes":""},"categories":[357],"tags":[187],"class_list":["post-33789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pareceres-ate-2017","tag-text-layout"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33789"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33789\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41483,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33789\/revisions\/41483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}