{"id":33516,"date":"2003-04-14T16:04:34","date_gmt":"2003-04-14T16:04:34","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-11-13T16:44:41","modified_gmt":"2023-11-13T16:44:41","slug":"33516","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/33516\/","title":{"rendered":"Aliena\u00e7\u00e3o de baldios"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1288px;margin-left: calc(-0% \/ 2 );margin-right: calc(-0% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:0%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:0%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:0%;--awb-spacing-left-medium:0%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:0%;--awb-spacing-left-small:0%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div class=\"clr_title\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"listCategories\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"flashnews\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"access\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"news\">&nbsp;<\/div>\n<div id=\"system-message-container\">&nbsp;<\/div>\n<div class=\"searchbox\">\n<div class=\"value\">Data:&nbsp;&nbsp;<strong>segunda, 14 abril 2003<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">N\u00famero:&nbsp;<strong>107\/03<\/strong><\/div>\n<div class=\"value\">Respons\u00e1veis:&nbsp;&nbsp;<strong>Elisabete Maria Viegas Frutuoso<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article_content\">\n<div class=\"fulltext\">\n<p align=\"justify\">Em resposta ao of\u00edcio n\u00ba 14\/03, de 12\/03\/2002, da Junta de Freguesia de &#8230;e reportando-nos ao assunto mencionado em ep\u00edgrafe, cumpre-nos informar o seguinte:<\/p>\n<div align=\"justify\">&nbsp;<\/div>\n<p align=\"justify\">De acordo com a informa\u00e7\u00e3o prestada por V\u00aa Ex\u00aa prende-se a quest\u00e3o em apre\u00e7o com a venda de uma parcela de terreno baldio h\u00e1 cerca de 50 anos atr\u00e1s. Tendo sido esta venda revestida de forma legal e titulada por alvar\u00e1, questiona-nos essa Junta sobre a possibilidade de tal acto ser objecto de anula\u00e7\u00e3o. Visto tratar-se de um neg\u00f3cio jur\u00eddico realizado h\u00e1 cerca de 50 anos, importa, para o melhor esclarecimento da quest\u00e3o colocada, fazer uma breve abordagem sobre o regime jur\u00eddico dos baldios ent\u00e3o aplic\u00e1vel. \u00c0 data, o regime jur\u00eddico dos baldios era definido e regulado, no essencial, pelo C\u00f3digo Administrativo de 1940 que consagrava um cap\u00edtulo \u00fanico a esta mat\u00e9ria &#8211; arts. 388\u00ba a 403\u00ba. Nos termos do art. 388\u00ba deste C\u00f3digo, os baldios eram &#8220;terrenos n\u00e3o individualmente apropriados, dos quais s\u00f3 \u00e9 permitido tirar proveito, guardados os regulamentos administrativos, aos indiv\u00edduos residentes em certa circunscri\u00e7\u00e3o ou parte dela&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os baldios eram assim no \u00e2mbito deste quadro legal entendidos como &#8220;dom\u00ednio comum, categoria diferente do dom\u00ednio p\u00fablico, caracterizada pela propriedade comunal dos vizinhos de certa circunscri\u00e7\u00e3o ou de parte dela, representados pela autarquia local a que pertencem, que exerceria meros direitos de administra\u00e7\u00e3o e pol\u00edcia&#8221; &#8211; Marcello Caetano in Manual de Direito Administrativo. O C\u00f3digo Administrativo nos seus arts. 389\u00ba e 390\u00ba distinguia entre baldios municipais (do concelho) e paroquiais (da freguesia) e classificava-os qunato \u00e0 utilidade social e aptid\u00e3o cultural em : &#8211; indispens\u00e1veis do logradouro comum &#8211; dispens\u00e1veis do logradouro comum e pr\u00f3prios para a cultura &#8211; dispens\u00e1veis do logradouro comum e impr\u00f3prios para a cultura &#8211; arborizados ou destinados \u00e0 arboriza\u00e7\u00e3o. Ora, tamb\u00e9m para efeitos de aliena\u00e7\u00e3o dos baldios, o C\u00f3digo Administrativo distinguia entre baldios indispens\u00e1veis do logradouro comum e baldios dispens\u00e1veis do logradouro comum, proibindo a venda dos primeiros e permitindo a venda dos segundos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, e muito embora a lei j\u00e1 tivesse previsto algumas normas restritivas no que respeita \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de baldios, pode dizer-se grosso modo que a aliena\u00e7\u00e3o de baldios era permitida e at\u00e9 incentivada, muitas vezes como forma de obter receitas para as c\u00e2maras e freguesias. No caso em an\u00e1lise n\u00e3o nos \u00e9 dito a que categoria pertenceria a parcela do terreno baldio objecto de aliena\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, se se trata de um baldio dispon\u00edvel ou indispon\u00edvel. Por\u00e9m, como essa venda foi titulada e revestida de forma legal, tudo indicia que o neg\u00f3cio jur\u00eddico teve como objecto uma parcela de baldio classificada como dispon\u00edvel e, por isso, suscept\u00edvel de aliena\u00e7\u00e3o. \u00c9 de notar que s\u00f3 com a publica\u00e7\u00e3o do Decreto-Lei n\u00ba 39\/76, de 19 de Janeiro (diploma que revogou os arts. 388\u00ba a 400\u00ba do C\u00f3digo Administrativo e demais legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel aos baldios) \u00e9 que os baldios passaram, genericamente, a ficar fora do com\u00e9rcio jur\u00eddico, n\u00e3o podendo ser objecto de rela\u00e7\u00f5es de direito privado por qualquer forma ou t\u00edtulo, inclu\u00edda a usucapi\u00e3o (art. 2\u00ba). Em conformidade com este diploma, foi um outro publicado &#8211; Decreto-Lei n\u00ba 40\/76, de 19 de Janeiro &#8211; que previa a anulabilidade a todo o tempo da apropria\u00e7\u00e3o de baldios realizada antes de 1976, ou seja, durante a vig\u00eancia do C\u00f3digo Administrativo no que respeita a esta mat\u00e9ria. Refira-se tamb\u00e9m que a Lei n\u00ba 68\/93, de 4 de Setembro, alterada pela Lei n\u00ba 89\/97, de 30 de Julho (diploma que actualmente estabelece o regime jur\u00eddico dos baldios e que revoga os dois diplomas supra citados) restringe a aliena\u00e7\u00e3o de baldios, permitindo-o apenas e excepcionalmente em casos por si previstos &#8211; arts. 4\u00ba e 31\u00ba.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em todo o caso, n\u00e3o faz hoje sentido algum colocar-se a hip\u00f3tese de anular um neg\u00f3cio de compra e venda celebrado h\u00e1 50 anos, quer pela relev\u00e2ncia do tempo decorrido, quer pelo facto de que a legalidade de um acto administrativo deve ser apreciada em face das circunst\u00e2ncias factuais e da lei vigente \u00e0 data em que o acto \u00e9 praticado, n\u00e3o relevando as posteriores altera\u00e7\u00f5es, salvo quando a lei expressamente o preveja. Pelo exposto, somos de concluir que a venda da parcela do terreno baldio em causa \u00e9 v\u00e1lida de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o em vigor \u00e0 data da sua realiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podendo o respectivo acto ser objecto de anula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Divis\u00e3o de Apoio Jur\u00eddico ( Dra. Elisabete Maria Viegas Frutuoso )<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"justify\">Em resposta ao of\u00edcio n\u00ba 14\/03, de 12\/03\/2002, da Junta de Freguesia de &#8230;e reportando-nos ao assunto mencionado em ep\u00edgrafe, cumpre-nos informar o seguinte: <\/p>\n<div align=\"justify\">","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","inline_featured_image":false,"iawp_total_views":18,"footnotes":""},"categories":[357],"tags":[187],"class_list":["post-33516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pareceres-ate-2017","tag-text-layout"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33516"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":42011,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33516\/revisions\/42011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ccdrc.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}