No segundo trimestre de 2022, no mercado de trabalho da Região Centro continuou a verificar-se a redução do desemprego e o aumento do emprego, a par da diminuição do salário real dos trabalhadores por conta de outrem. A construção apresentou sinais de contração na região, o turismo continuou em recuperação e o comércio internacional de bens evoluiu favoravelmente. A taxa de inflação atingiu o crescimento mais elevado dos últimos 14 anos. Estas são algumas das conclusões do n.º 55 do “Centro de Portugal – Boletim Trimestral”, publicação que analisa a evolução conjuntural da Região Centro.

No segundo trimestre de 2022, o Produto Interno Bruto registou um crescimento homólogo real de 7,1%, justificado pelo contributo positivo da procura interna e da procura externa líquida. Esta variação continua, no entanto, a ser influenciada por um efeito de base, dado que a comparação homóloga incide nos meses em que vigoraram várias medidas relacionadas com a pandemia por COVID-19. A taxa de desemprego nacional desceu para os 5,7%. O nível de preços aumentou 8,0% face ao trimestre homólogo, sendo o crescimento mais elevado desde o primeiro trimestre de 1993. A confiança dos consumidores tornou-se ainda mais negativa, mas o indicador de clima económico manteve-se positivo. O euro sofreu a maior desvalorização homóloga trimestral face ao dólar desde o quarto trimestre de 2015.

Relativamente à Região Centro, neste trimestre, no mercado de trabalho continuou a verificar-se uma redução do desemprego e um aumento do emprego. Também a taxa de atividade e a população ativa cresceram face a igual período do ano anterior. Em contraste, o salário médio líquido mensal dos trabalhadores por conta de outrem da região permaneceu em queda em termos homólogos reais, resultante, em grande medida, do forte crescimento do nível geral dos preços.

No setor empresarial assistiu-se, na Região Centro, a uma diminuição das empresas constituídas e das ações de insolvência face a igual período do ano anterior. Também os empréstimos concedidos às empresas continuaram a decrescer em termos homólogos reais, o que pode, em parte, ser justificado pelo elevado aumento do nível geral dos preços. O peso dos empréstimos vencidos no total dos concedidos permaneceu em queda face ao trimestre homólogo. O setor da construção apresentou sinais de contração a avaliar pelas diminuições homólogas em quase todos os indicadores dos edifícios licenciados e das obras concluídas. Os empréstimos à habitação vencidos continuaram a registar quebras significativas e o seu peso no total dos concedidos manteve-se o mais reduzido dos últimos 13 anos. A avaliação bancária da habitação na região continuou a observar o valor mais elevado em 11 anos.

A atividade turística continuou a crescer na região e no país, o que já sucede há mais de um ano, evidenciando uma recuperação cada vez mais sustentável deste setor profundamente afetado pelos efeitos da pandemia por COVID-19. Os hóspedes, as dormidas e os proveitos dos estabelecimentos de alojamento turístico voltaram a observar aumentos homólogos significativos. A estada média também aumentou na região e no país face a igual período do ano anterior.

O comércio internacional de bens evoluiu favoravelmente na região e no país, decorrente do crescimento das saídas ter superado o das entradas. Em termos regionais, o mercado intracomunitário contribuiu para o aumento das saídas e o mercado extracomunitário justificou o acréscimo das entradas.

O Índice de Preços no Consumidor também aumentou muito expressivamente na Região Centro, atingindo o crescimento mais elevado dos últimos 14 anos. A maioria dos indicadores representativos do consumo privado continuou, contudo, a observar variações positivas, embora denotando já alguma influência da forte inflação.

No PORTUGAL 2020, a 30 de junho de 2022, estavam aprovados 8,3 mil milhões de euros de fundos europeus, para financiamento de 12,6 mil milhões de euros de investimento elegível na Região Centro. Destes apoios, 551,2 milhões de euros traduziram-se em medidas de resposta aos efeitos da pandemia COVID-19 na região. O CENTRO 2020 era o programa operacional com mais relevância, sendo responsável por 30,4% dos apoios, e o FEDER o fundo mais representativo, cofinanciando metade dos montantes aprovados. O Programa Operacional Capital Humano continuava a apresentar a taxa de realização de fundo mais elevada (73,9%).

Consulte aqui a versão integral do “Centro de Portugal – Boletim Trimestral n.º 55”.