Segundo os Resultados Provisórios dos Censos 2021, residem no Centro 2.227.567 pessoas, das quais 1.060.784 são homens (47,6%) e 1.166.784 mulheres (52,4%). Na última década, a região registou uma diminuição na população de 4,3%, que foi mais acentuada do que a média nacional (-2,1%). Atualmente, o efetivo populacional da região é idêntico ao da década de 70 e representa 21,5% do total nacional, o peso mais baixo das últimas décadas (em 1960, a região concentrava 27,4% do total nacional). Das sete regiões portuguesas, apenas o Algarve (3,7%) e a Área Metropolitana de Lisboa (1,7%) registaram um crescimento da população.

Os desequilíbrios na distribuição da população pelo território acentuaram-se nos últimos 10 anos. Assistiu-se a um reforço da litoralização com os municípios do interior a registarem as maiores perdas populacionais, destacando-se Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo, com quebras de 18,7% e 17,8%, respetivamente. Apenas 13 dos 100 municípios do Centro registaram acréscimos populacionais: Torres Vedras (4,5%), Arruda dos Vinhos (4,5%), Sobral de Monte Agraço (3,8%), Aveiro (3,2%), Alenquer (2,7%), Lourinhã (2,0%), Ílhavo (1,7%), Leiria (1,4%), Óbidos (1,3%), Marinha Grande (0,9%), Oliveira do Bairro (0,5%), Viseu (0,3%) e Vagos (0,2%). Estes municípios situam-se predominantemente no litoral e vários destes territórios sofrem fortes efeitos de polarização pela Área Metropolitana de Lisboa.

Os municípios mais populosos da região, com efetivos populacionais acima de 40.000 habitantes, são Coimbra, Leiria, Viseu, Torres Vedras, Aveiro, Figueira da Foz, Alcobaça, Ovar, Castelo Branco, Pombal, Caldas da Rainha, Covilhã, Águeda, Ourém, Alenquer e Guarda. Estes 16 municípios concentram 48,4% da população regional (valor que, em 2011, era de 47,1%). Os restantes 84 municípios da região reúnem apenas 51,6% da população regional. Considerando os municípios com mais de 20.000 habitantes, passaríamos a ter 35 municípios responsáveis por 72,5% da população do Centro (71,4%, em 2011).

Entre 2011 e 2021, verificou-se uma diminuição da população em todos os grupos etários, com exceção da população com 65 e mais anos que aumentou 15,4%. O grupo dos 0 aos 14 anos sofreu a redução mais significativa (-17,5%). Desta forma, agravou-se o fenómeno do duplo envelhecimento da população, caracterizado pelo aumento da população idosa e pela redução da população jovem. Consequentemente, na região, passámos a ter 229 idosos por cada 100 jovens (163, em 2011), ou seja, o número de idosos na região é mais do dobro dos jovens residentes. No conjunto das regiões portuguesas, a região Centro regista, simultaneamente, o menor peso de jovens (11,8%) e o maior peso de população idosa a par com o Alentejo (27,0%).

A análise municipal do índice de envelhecimento evidencia uma vez mais a dicotomia entre o litoral e o interior, que concentra os territórios mais envelhecidos, e revela uma região globalmente envelhecida, sem nenhum município com mais jovens do que idosos, e que envelhece a um ritmo cada vez mais rápido. Oleiros e Almeida são os concelhos mais envelhecidos da região e do país (juntamente com Alcoutim, no Alentejo), com um índice de envelhecimento de 780 e 722 idosos por cada 100 jovens, respetivamente (em 2011, estes valores eram 574 e 452). Arruda dos Vinhos (118), Alenquer (135) e Sobral de Monte Agraço (136) registam os índices de envelhecimento mais baixos da região. Em 2011, Arruda dos Vinhos era o único município do Centro com mais jovens dos que idosos (existiam 94 idosos por cada 100 jovens); dez anos depois, este território mantem-se como o menos envelhecido, mas a estrutura populacional já se inverteu.

A população estrangeira na região cresceu muito significativamente nos últimos 10 anos (59,6%), representando agora 3,9% do total da população residente (2,4%, em 2011). Destaque para Pedrógão Grande, município do Centro onde a população estrangeira é mais representativa (10,8%, contra 3,9% em 2011). Em contrapartida, Pinhel regista o valor mais baixo, onde apenas 1% da população residente tem nacionalidade estrangeira.

No Centro, 44,2% da população residente é casada, 39,4% solteira, 8,7% viúva e 7,7% com o estado civil divorciado. Esta estrutura difere do padrão nacional, em que predomina a população solteira (43,4%) e os divorciados superam os viúvos (8,0 % e 7,5%, respetivamente). Face a 2011, na região, as alterações mais significativas são a perda de importância relativa da população casada (em 5,6 pontos percentuais), a par do reforço da população divorciada (em 2,7 pontos percentuais).

O nível de escolaridade da população também aumentou consideravelmente na última década, com o reforço da população com ensino superior e com ensino secundário e pós-secundário. Assim, em 2021, 15,5% dos residentes no Centro têm como qualificação o ensino superior (10,5% em 2011) e 20,4% o ensino secundário/pós-secundário (13,3%, em 2011). A percentagem de população sem nenhum nível de ensino completo é de 13,7% (20,0%, em 2011).

Em 2021, no Centro existem mais famílias, mas com uma dimensão média inferior. São 909.425 agregados domésticos privados, traduzindo um acréscimo de 0,5% face a 2011, com uma dimensão média de 2,4 pessoas por agregado (2,6 em 2011), valor ligeiramente inferior à média nacional (2,5). Na última década, aumentou também o número de pessoas que vivem sozinhas, representando agora um quarto do total de agregados familiares da região (25,2% em 2021, contra 21,6% em 2011). Simultaneamente, os agregados de maior dimensão perderam expressão: os agregados com 4 pessoas representam agora 14,3% e os agregados com 5 pessoas apenas 4,6%, quando, em 2011, representavam 16,5% e 5,5%, respetivamente.

O parque habitacional da região é composto por 1.116.787 edifícios (que aumentaram 0,4% face a 2011), maioritariamente com um único alojamento (92,1%), e por 1.473.385 alojamentos (que aumentaram 1,7% face a 2011). A região concentra 31,3% dos edifícios do país destinados à habitação e 24,6% do total de alojamentos.

Destes alojamentos, 61,7% são para residência habitual, 23,8% de residência secundária e 14,4% estão vagos. A importância dos alojamentos vagos aumentou (0,8 pontos percentuais) na última década, em detrimento das outras formas de ocupação.

A maioria dos alojamentos de residência habitual da região é ocupada pelo proprietário (77,3%), embora a importância relativa dos proprietários tenha diminuído nos últimos 10 anos (81,3%, em 2011), sobretudo à custa dos arrendatários. Ainda assim, o Centro é a região portuguesa com a maior percentagem de alojamentos ocupados pelo proprietário, a par da mais baixa proporção de alojamentos arrendados (15,8%).

A grande maioria dos proprietários da região (68,9%) não tem encargos financeiros mensais resultantes da aquisição da habitação (peso acima da média nacional de 61,6%). Para os alojamentos com encargos por compra, o escalão mensal mais representativo é o dos “200 a 299,99 euros” com 9,6% e o dos “300 a 399,99 euros” com 7,5% do total de alojamentos ocupados pelo proprietário. Os alojamentos com encargos abaixo dos 100 euros mensais e acima dos 1.000 euros representam apenas 1,0% e 0,7%, respetivamente.

No que respeita aos alojamentos arrendados, 56,0% têm uma renda mensal entre 650 euros e 999,99 euros e em 17,2% o valor da renda é superior a 1.000 euros. Os alojamentos com rendas inferiores a 100 euros mensais representam apenas 4,8% na região, muito abaixo da média nacional de 12,5%.
Estas são algumas das conclusões dos Resultados Provisórios dos Censos 2021, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.