A Região Centro evidenciou uma mobilidade entre empresas/estabelecimentos menos intensa que o País. Simultaneamente, revelou-se um território repulsivo, com as saídas de trabalhadores a superam as entradas na região

O estudo “Mobilidade Laboral na Região Centro 2004-2008” teve como principal objectivo a análise da mobilidade dos trabalhadores por conta de outrem da Região Centro no período de 2004 a 2008. A mobilidade laboral (restringida ao território nacional) foi avaliada sob duas perspectivas: institucional, correspondendo a uma alteração da entidade empregadora e/ou do estabelecimento, e geográfica, pressupondo uma mudança no local de trabalho (podendo, neste caso, ter havido ou não mudança de empregador). Foram considerados três níveis de análise territorial, Região Centro, respectivas sub-regiões NUTS III e municípios, tendo sido dado, sempre que possível, especial enfoque às dinâmicas intra-regionais. O estudo teve por base a informação do Sistema de Informação Longitudinal de Empresas, Estabelecimentos e Trabalhadores (SILEET) do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.


A mobilidade institucional foi, no período em análise, um fenómeno mais ténue na Região Centro que no País, tendo afectado apenas 10% dos trabalhadores por conta de outrem. Tendencialmente, foram as sub-regiões do litoral, com maior peso populacional e económico, que evidenciaram maior dinâmica laboral apesar de, a nível municipal, este predomínio não ter sido tão evidente, verificando-se mesmo alguma dispersão territorial. Como expectável, a maioria da mobilidade institucional foi provocada pela alteração da entidade empregadora, tendo-se observado uma tendência de maior concentração relativa nas sub-regiões do litoral. Nas mudanças institucionais que decorreram da alteração de estabelecimento do trabalhador (sem modificação do respectivo empregador) não foi possível detectar um padrão territorial, estando o fenómeno globalmente distribuído pela região. Já no que respeita às situações de inexistência de mobilidade institucional foi possível identificar alguma interioridade no fenómeno.

 

 

A análise da mobilidade geográfica dos trabalhadores por conta de outrem da região permitiu concluir que a Região Centro se assumiu, no período em análise e em termos líquidos, como um território repulsivo, sucedendo o mesmo com todas as sub-regiões e com a maioria dos municípios que a integravam. Os poucos municípios com capacidade de atracção líquida encontravam-se pontualmente dispersos por toda a região. As sub-regiões com as taxas de atracção mais elevadas foram também as que apresentaram as mais elevadas taxas de repulsão (nomeadamente, o Médio Tejo, o Oeste e o Baixo Mondego). Este fenómeno ocorreu igualmente a nível municipal, evidenciando territórios com semelhante preponderância nos movimentos de troca e não apenas com fluxos significativos num único sentido.

 

 

A análise da mobilidade geográfica entre pares de municípios permitiu detectar uma lógica de proximidade na mobilidade dos trabalhadores, sobretudo no caso dos municípios sede de distrito ou de grandes centros populacionais face aos municípios limítrofes, os quais funcionavam quer como pólos de atracção, quer como pólos de repulsão de trabalhadores. Na vertente das saídas foi igualmente visível o poder de atracção exercido pelo município de Lisboa, quebrando-se aqui a lógica da proximidade e da contiguidade dos municípios.

 

 

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